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Acerca de Reencarnação...

  Relacionamentos, de qualquer natureza, são uma construção, embora influenciados por experiências de outras vidas, ou seja, não importando ...

sábado, dezembro 06, 2025

Acerca de Reencarnação...

 

Relacionamentos, de qualquer natureza, são uma construção, embora influenciados por experiências de outras vidas, ou seja, não importando se há alguma possibilidade de um ou outro reconhecerem essa condição, até porque, quando um espírito parte para uma nova experiência de aprendizado, perde temporariamente as memórias construídas ao longo de sua experiência anterior, nessa caminhada reencarnatória, pois existem lembranças que poderiam atrapalhar o principal propósito, que é o aprendizado que lhe proporcionará o necessário avanço. No entanto, nada do que já foi construído fica perdido, porque disso depende a progressão do espírito; todas as experiências vividas antes, boas ou não, ficam gravadas numa camada mais sutil, como um disco rígido, chamada perispírito, que se localiza entre o corpo físico e a alma ou espírito, para futuras avaliações e aproveitamento nesse avanço. Essa camada também será importante para a construção das futuras reencarnações. Nada do que já foi vivido se perde.

Esmeraldo de Situ Orbis


Autora: Guacira Pacheco Maciel

Obs. Este texto está inserido no livro, “Cruz do meu rosário; um amor na Chapada”, da mesma autora.

Duarte Pacheco Pereira – militar, navegador e cartógrafo português.  Reconhecido e citado pelo autor português, Francisco Contente Domingues

Não foi encontrado nenhum registro documental de que esse ilustre personagem da Corte Portuguesa tenha sido, de fato, um ascendente da família de Marta, da região do Recôncavo da Bahia - Brasil, mas, além do retrato a bico de pena nostalgicamente pendurado numa parede do palacete sede da fazenda Terra Nova, já bem mais velho que as reproduções posteriormente encontradas em pesquisas,  e tão vivo na memória de Isadora, apaixonada pelo assunto, mas essa história consta em relatos orais de familiares que viveram na região naquele período, além de antigos empregados do engenho, como sendo verdadeira quanto ao parentesco. E mais, em gerações posteriores da família, existem alguns descendentes homônimos, como uma espécie de homenagem póstuma ao famoso personagem.

Também não foram encontrados documentos que registrem sua passagem pela Bahia, nem sua permanência no Recôncavo Baiano, a ponto de ter tido algum relacionamento que tenha lhe dado herdeiros, nem que tenha sido proprietário de um engenho de cana de açúcar...

Entretanto, essa história é tão cheia de relatos, de elementos e de fatos coerentes, que passou a ser aceita pela família; vejamos:

 

Entre o período em que esteve no auge de sua atuação como navegador prestigiadíssimo pelo rei D. Manuel, sua desgraça - por razões políticas, já que este morrera e seu sucessor se deixara influenciar por intrigas, uma vez que Duarte foi acusado de cuidar mais de seus interesses pessoais do que das questões do reino, e consequente prisão e morte - há um hiato de inexplicáveis longos anos. Onde estivera, já que sua experiência como navegador era vasta e de comprovada competência? após exaustiva pesquisa nos registros da Internet e documentos de historiadores citados aqui, não foi explicado o seu paradeiro depois de sua soltura, até sua morte, “em idade avançada”...

Quanto à tese do “descobrimento”, há uma interessante análise feita por Francisco Contente Domingues – Universidade de Lisboa - de que o mais importante na discussão não se refere à “descoberta” feita por Duarte Pacheco, mas ao fato de que ele teria passado pela costa brasileira e não teria visto o que deveria, simplesmente, porque a visão que tinha de mundo àquela época não o permitira; aliás, esse fato é amplamente explicado pela Mecânica Quântica. Assim como aconteceu, quanto à chegada da esquadra de Cabral, que também não poderia ter sido vista pelos indígenas, uma vez que eles jamais haviam visto uma caravela. Da mesma forma, me pergunto: o teria pensado Duarte naquela viagem, quando se deparou com aquela extensa e desconhecida terra?

 

No Esmeraldo de Situ Orbis, Duarte Pacheco refere, mesmo que sem muita clareza, que o rei D. Manuel o teria mandado descobrir “uma tão grande terra firme” a Ocidente do Atlântico... embora seja essa tese pouco convincente aos olhos de alguns, por ausência de provas.

O historiador português J. Barradas de Carvalho, em estudo sobre o famoso cartógrafo, ressalta a importância da sua obra para o do Renascimento português, e entende como verídica, e realizada, a tese da exploração chefiada por ele, cujo destino provável era mesmo a costa brasileira, tendo passado além da linha definida no Tratado de Tordesilhas, razão pela qual o Esmeraldo foi guardado por tantos anos.

Já na interpretação do historiador Jorge Couto, em seu livro “A construção do Brasil”, dados registrados poderiam, sim, comprovar que Duarte Pacheco Pereira realizou essa missão tendo atingido a costa brasileira na região do Maranhão e foz do Amazonas, com a intenção de calcular a localização do meridiano de Tordesilhas, se aproximando do litoral brasileiro, que pertenceria à Espanha, o que não inviabiliza o fato de que tenha estado na Bahia em suas andanças posteriores, já que aquele estado  fica ao norte e a Bahia no nordeste. Esse aspecto político diplomático explicaria o fato de o rei de Portugal ter escondido o feito, e os resultados obtidos pela expedição realizada pelo cartógrafo.

Muitas são as versões sobre a vida e a permanência de Duarte Pacheco no Brasil, inclusive, de que teria, em aqui ficado, traficado africanos para serem escravizados, sendo uma possível explicação para a fortuna que voltara a acumular, já que a havia perdido por ocasião de sua prisão, mesmo que tivesse, ele e sua família, voltado a receber dinheiro da coroa após a soltura... se é verdadeiro ou não,  é muito difícil comprovar, mas também não seria uma hipótese impossível, uma vez que o famoso personagem caiu em desgraça com a morte do rei D. Manuel, em 1521, e a ascensão de D. Jõao III ao trono.

Em 1490 figurava como membro da guarda pessoal do Rei; em 1494 estava entre os representantes escolhidos para negociar a fixação dos limites do Tratado de Tordesilhas. Apesar de tão questionado, uma das passagens mais debatidas do Esmeraldo, parece indicar sua participação numa expedição enviada por D. Manuel ao Atlântico Sul, em 1498, onde teria sido vislumbrada uma considerável massa de terra firme, que seria o Brasil, cuja população indígena do litoral é descrita, no obra, com detalhes: “… são pardos quase brancos; e estas são gentes que habitam na terra do Brasil, de que já no segundo capítulo do mesmo livro fizemos menção”.

Sua grande experiência náutica e cosmográfica o teriam levado a participar de outras importantes expedições, com muitos êxitos, que trouxeram considerável reconhecimento e consequente melhora na sua condição social.

Por volta de 1508, teria começado a escrever o Esmeraldo de Situ Orbis, precisando interromper, pois, entre 1509 e em 1510 fora de novo convocado a servir à Coroa, no mar.

Em 1519, Duarte Pacheco Pereira voltou à África como capitão da fortaleza de S. Jorge da Mina. No entanto, a morte do rei, em 1521, acabou com esse período tão rico da sua vida, e da sua carreira, terminando por cair em desgraça, em conseqüência da nova conjuntura política que elevou D. João III ao trono. Em 1522 Duarte foi aprisionado e encaminhado de volta ao reino, com uma acusação pouco convincente, que culminou com a total perda de seus bens.

Apesar de ter sido inocentado e posto em liberdade, nunca mais atingiu o prestígio anterior. Os problemas com a Coroa se prolongaram, o que o obrigou a lutar pela restituição dos seus bens e pelo pagamento “atempado da tença” anual à qual tinha direito. Nessas condições, Duarte Pacheco Pereira chegou a se colocar à disposição para serviço do Imperador Carlos V, chamado Imperador do Mundo (de Espanha e Alemanha), o que nunca se realizou.

Consta que viveu em Portugal até o final de sua vida, tendo falecido em data desconhecida, entre os anos 1531 e 1533.

Porém, questiono, um homem inteligente, dinâmico e grande conhecedor dos segredos dos caminhos náuticos e dos próprios Oceanos, e de tantos conhecimentos de astrologia, conhecido pelos seus feitos militares, mitificados pelos cronistas e cantados por poetas como Luís de Camões, autor de uma obra, inquestionavelmente, importante para a navegação, cujos quase exatos cálculos, até hoje não foram refutados, teria se conformado em morrer na quase miséria e no ostracismo, podendo fazê-lo de forma totalmente diferente e aventureira, como era da sua natureza? seus amplos conhecimentos o teriam deixado conformado em casa, inútil, podendo voltar por conta própria, apesar dos parcos recursos, a explorar o mundo, ou mesmo o Brasil e seu extenso e luxuriante litoral?

Bem... que certeza se tem de que o Esmeraldo, cuja elaboração fora interrompida em 1508, teria mesmo ficando inacabada? a cópia conhecida pela História, apenas, diz: “foi publicada pela primeira vez em 1892 ficando, desde então, clara a sua importância como roteiro náutico e geográfico, tratado cosmográfico e relato histórico, súmula do conhecimento adquirido por Duarte Pacheco Pereira ao longo da sua existência”. Seria ela a única e verdadeira cópia se ele tivesse voltado à aventura dos mares?

Será que Duarte, tendo conhecido a potencial grandeza de tão misteriosa e rica terra, “uma tão grande terra firme”, nas atuais circunstâncias, sem compromissos reais, a ignoraria? ele também esteve em missão na África, conhecia os roteiros de navegação, e a situação econômica dos habitantes da “Colônia” (Brasil), que precisavam de mão de obra barata para o cultivo da cana de açúcar. Por que a hipótese não comprovada de que tenha feito viagens para traficar pessoas para serem escravizadas pelos fazendeiros seria tão inverossímil?

Outra não tão improvável seria a versão de que teria vivido no Recôncavo Baiano e lá fundado, ele mesmo, um Engenho de cana-de-açúcar, e deixado descendentes...

Seriam essas convergências tão absurdas? absurda mesmo, seria a versão de que tenha se conformado em viver no ostracismo e na miséria, podendo ter uma vida extremamente aventureira, sedutora e lucrativa, no caso do Engenho, embora esse pudesse ter sido um desdobramento ou uma consequência do tráfico de escravos. Além de todas essas questões, tem o fato de ter sido tratado de forma tão injusta por parte do rei, inconformado em viver no esquecimento e sem condições financeiras, depois de ter sido cantado em versos, por Camões...

segunda-feira, janeiro 13, 2025

Estética do meu discurso (Eterno transitório; refleções, casos, excertos encontrado na Amazon.com em impresso e E-book)

 

O meu interesse em relação à Literatura, é tentar entender (e desvendar)o que chamaria de mistérios;  uma compreensão muito pessoal, intima mesmo, do que sobrevive sem ter sido dito, porque o interdiscurso só se constitui a partir de outro que já existe, e pode ser descoberto através da exposição, que pode ser diferente para cada explorador, a depender da sua percepção, história, interesses e memórias; aqui, poderia invocar os postulados da Semiótica, que, transitando em todos os espaços, evidencia sua capacidade de estabelecer e entender as relações existentes entre representado e representante, e, em sendo assim, não posso submeter minha liberdade pessoal à cânones, sejam quais forem eles, mesmo que acadêmicos. Um interdiscurso carrega em si outros discursos, já ditos ou ainda por serem produzidos, podendo ocorrer por apropriação de ideias já expressas num texto.

Um texto literário, como criação, referindo-me ao “não dito”, em que são expressas compreensões de mundo e experiências pessoais, é tão plástico quanto uma pintura, um desenho e, dessa forma, como esses, sobrevive a partir da compreensão do leitor, que o interpreta, por se tratar de percepção, o que é subjetivo, porque, como já referido, estarão presentes elementos da sua experiência, da sua história, da sua memória, inclusive, porque a memória fala em outro lugar, tornando  o já dito um discurso móvel e sem fronteiras. Quando deixo escorregar o pincel sobre a tela, embora tenha uma ideia inicial do que penso pintar, não tenho total controle sobre o resultado final... muitas vezes o pincel é arrebatado e o trabalho escapa à minha determinação. Assim é o ato de se expressar escrevendo; a Literatura, diferentemente de um texto acadêmico, é simbolista, metafórica, carregada de subjetividade, de representações, do que está submerso em nós. Escrevo, para me expressar, para me fazer representar em meu tempo humano, para deleite pessoal  e, quem sabe, estimular a percepção do interdiscurso em quem me lê, não havendo ai, desejo nem obrigação de legitimar qualquer coisa, nem na relação do discurso e interdiscurso, até porque, posso ser lida por uma diversidade tão grande de pessoas, com histórias pessoais, ideologias e memórias tão diversas, em momentos sociais, políticos e históricos também tão diversos, que o “já dito” vai se ressignificando sem controle, para que o discurso faça sentido. O meu trabalho pode ser lido por qualquer público, inclusive aquele caracterizado por alguns como iletrado, que poderá interpretá-lo segundo sua condição ou necessidade, ou entendimento do próprio texto e concepção de mundo, suas experiências, história, sua condição social, cultural e, até espiritual, uma vez que a obra, depois de publicada, depois de entregue ao público, não pertence mais ao seu autor, no sentido do domínio interpretativo e terá tantos co-autores quantos o possam ler...

Além dessa estética do discurso, no sentido mais profundo ou profano, eu também preciso expor a estética da minha percepção daquilo sobre o que escrevo.  A minha literatura carrega minhas impressões, minhas memórias subjacentes ou não, minha história pessoal, a minha fantasia, a minha música particular, tudo, aliado ao que percebo da vida, das relações, das coisas, das experiências, da paisagem, das pessoas que, às vezes, apenas passam por mim ou daquelas que cruzam o meu caminho e me afetam profundamente por instantes que poderão jamais se repetir... toda essa sinfonia, sei, tem um forte caráter de "nonsense", porque o meu discurso é móvel e impermanente, é, mesmo, imperfeito, como eu, pois nele imprimo quem sou, aliado às memória da minha história, construída pela minha experiência social. Além dessa carga social, cultural e espiritual, e meu ritmo e pausas, que vão refletir o meu sentimento naquele exato momento, assim como a dramaticidade que quero demonstrar, aliando a minha atmosfera íntima, à atmosfera externa, na tentativa de capturar ou “imprimir” aquele fragmento de tempo através do discurso, que será, entenda-se, um cenário para o interdiscurso.

 

 

Eterno transitório; ensaios (acessar e ler ou adquirir na Amazon.com)

 

Introito


A minha compreensão acerca dos seres humanos brilhantes que reencarnam na terra, é que todos têm uma missão na nova experiência: a de trazer, não só a ampliação de conhecimentos já construídos, dando um sentido a tudo o que já aconteceu, bem como descortinar novas perspectivas, entendendo que a nossa dimensão espiritual pode ter acesso a mundos inimagináveis, inclusive, auxiliados pelo avanço de tecnologias que vão surgindo, descortinando novas compreensões, para que os homens possam entender a grandiosidade da vida e da criação, e seus objetivos e finalidades.

Esses “Ensaios”, são a exposição da minha forma de identificar e apresentar conhecimentos que subjazem os textos de autores de mentes brilhantes, que, talvez, ou provavelmente, nem eles tenham sabido a origem desse saber, como possibilidade de expor teorias e conhecimentos, adquiridos em outras experiências de vidas passadas. Somos seres espirituais numa experiência carnal, que podem ser incontáveis, já que somos, temporariamente, privados de memórias conscientes, por razões explicáveis pela espiritualidade superior.

Poderia citar aqui, incontáveis exemplos dessas mentes, cuja mais recente missão na terra tenha sido nos alimentar, nos estimular, nos ensinar, através do que melhor faziam com seus talentos e experiências acumuladas, porque não estamos presos no tempo; nossa alma evolui a cada encarnação e contribui para o crescimento pessoal dos seres, e da obra da criação. Exemplos dessas mentes brilhantes: Sócrates, Nikola Tesla, Castro Alves, Santo Agostinho, Erasmo de Roterdam, René Descartes, Joana D’Arc, Martinho Lutero, Chico Xavier, Allan Kardec, entre muitos e muitos outros (conhecidos).

Isto posto, vamos rever trabalhos de autores brilhantes, e realizar novas análises, acrescentando outras percepções às que já foram feitas, com o apoio de conhecimentos inerentes à experiências vividas em outros contextos, assim como teorias, também respaldadas nos avanços da ciência, mas, principalmente, pela expansão da consciência, como uma evolução silenciosa, que se processa em nós. É mo nos libertar de prisões, como despertar de um sonho e sentir o torpor gerado por uma espécie de hibernação.

Os trabalhos aqui expostos, poderão trazer à tona compreensões passiveis de causar alguma estranheza, mas a intenção é a de evidenciar a incerteza do estabelecido já conhecido, desterritorializando fronteiras limitantes, para que sejam conhecidas as possibilidades das existências dos seres.








quarta-feira, janeiro 08, 2025

Da série Eterno transitório...impresso e E-book (Publicado na amazon.com)

          


                                                          



          Introito

 Este livro é uma homenagem a você, e sei que você sabe. É por e para você que ele foi transformado em realidade, você foi a pessoa que desde sempre percebeu a minha sensibilidade e amava meus poemas, valorizava, e me incentivava a escrever.  Você falava que eu precisava publicar; que coisas tão bonitas (na sua concepção), não podiam ficar guardadas como as pessoas costumam fazer com um diário.  Pois, aqui vai uma parte do que escrevi, tendo você como minha maior inspiração… aliás, temos dois poemas a quatro mãos, e eles estão aqui, neste livro… sei que está aqui, vendo e participando, como sempre fez, de tudo isso… vejo seu sorriso e vejo seus olhos azuis, rasos com as lágrimas que costumava enchê-los quando conversávamos sobre essas coisas que partilhávamos; só nós… Você está vivo, e sinto sua presença ainda cuidando e ainda torcendo por mim. Sabe que na terra estamos vivendo uma situação terrivelmente difícil e triste, para que tenhamos uma chance de melhorar como pessoas, e, embora por razão do seu retorno ao lar espiritual, tenha abandonado minhas atividades de escrita, hoje, recomecei a ler alguns textos, e senti vontade de retomá-las. Dê continuidade à sua vida, faça suas tarefas para cumprir o plano reencarnatório, segundo seu desejo e as orientações da espiritualidade superior. Como eu dizia, você sempre foi uma generosa fogueirinha, escondida sob uma camada sutil de cinzas, mas agora está livre e poderá se tornar uma grande e brilhante fogueira, podendo espalhar luz e calor a todos que estiverem ao seu alcance, porque sempre foi dessa forma, e nunca percebi em você nenhuma forma de preconceito, apenas muita generosidade e amor ao próximo. Nossa trajetória, juntos, foi pequena, diante das limitações carnais, mas de uma riqueza como jamais poderia imaginar merecer, embora, deva ter, de alguma forma merecido esse aprendizado, e sou grandemente grata por seu amor, e por ter partilhado de sua vida nesta dimensão..

                           

Meu novo livro, publicado na Amazon.com ´é só buscar pelo nome (título ou autor) e ler meu interessante E-book ou adquirir livro impresso.

 

 Prólogo



Os textos reunidos aqui compõem uma parte da trajetória da minha vida. Neles sou fiel à minha forma de enxergar o mundo ao meu redor, sendo o que têm em comum, além da clareza de pensamento e da natureza um tanto visionária de uma professora. Alguns foram escritos quando experimentava episódios dos mais interessantes ou engraçados aos mais esdrúxulos, como: aulas, missas, festas e reuniões de colégios e até velórios e enterros, inclusive, por ocasião de viagens feitas a propósito do meu trabalho como educadora, principalmente ao interior do estado da Bahia, onde escutava de professores e pessoas da comunidade as mais inesquecíveis prosas...

Outros, resultam de reflexões e observações acerca do meu próprio comportamento diante de fatos da vida real, ocasiões em que pude experimentar, e suportar, alguns sofrimentos e constatar a existência de momentos em que a prisão deixa de ser uma metáfora ao olhar poeta, e outros ainda, em momentos de verdadeiro estado de epifania diante do grandioso espetáculo da Criação, sendo o mar a mais eterna e transitória das realidades, em que a alma se identifica com a obra.

Essa é a minha melodia...

 

 



sexta-feira, maio 26, 2023

Bem...

 Bom dia. Hoje são 26 de maio de 2023, ou seja, falei que estava voltando e a viagem de volta foi demorada...desculpem...foi falta de ânimo, de estímulo para escrever e postar.

Eu amo escrever, mas os últimos acontecimentos vividos por todos nós, promoveram mudanças muito marcantes, deixando marcas muito profundas, talvez não em todos, mas em mim, sim. Inclusive, o fato de ter investido anos de vida e energia para escrever meu romance, Cruz do meu rosário; um amor na Chapada, e não ter podido lançar, em consequência da "Pandemia. Esse fato, foi avassalador para mim.

Sendo assim, ainda não me recuperei, ainda não consegui fazer Literatura, a minha capacidade de criar, de subjetivar, de falar do meu íntimo, percepções, e coisas assim, parece ter sido muito mais abalada do que eu supunha. Até meu romance, ficou guardado, parecendo ter perdido o sentido...

Entretanto, me dediquei a estudar e participar mais ativamente dos trabalhos voluntários no Centro Espírita Kardecista que frequento, e até, criei um Podcast, o "Sai da casca. Emerge...

veiculado pelo /anchor e pelo google podcast disponível no Spotify for Podcast e pelo Google Podcast  Quem tem gmail, pode acessar com facilidade o google Podcast

Lá, nesse espaço, proponho reflexões e análises sobre questão da Doutrina Epírita.

pediria a todos que o escutassem, pois minha intenção é aprendizado e divulgação de questões fundamentais da nossa vida espiritual. agradeço e peço que compartilhem.

fiquem com Deus, obrigada.

O acesso ao Podcast esta ao lado.


terça-feira, maio 25, 2021

Voltando.....

 Bom dia.

Passou 2020, passando 2021; grata pela vida, sem queixas, e por todo o aprendizado, e oportunidades, até agora, entendendo que muito ainda há que ser aprendido; muitas lições... e, revendo um capítulo do meu romance, que não pude lançar, como estava previsto,  " O que subjaz", após mais de um ano, volto a me perguntar: o que subjaz,  quais seriam essas lições para cada um de nós em particular, e para toda a humanidade... 

Da mesma forma, ou mais profundamente, que não tenho controle de tudo quando escrevo um texto, muito menos terei sobre o curso que a vida vem seguindo, dos acontecimentos e desdobramentos que advirão  dessa avalanche de lições que nos vem atingindo, em seus diversos caminhos. Só sei que terei que estar muito atenta... Essas reflexões me lembraram versos de um poema de José Régio, poeta português, "Cântico Negro: "... quando me dizem vem por aqui, eu olho-os com lassos, (há, nos meus olhos, ironias e cansaços) e cruzo os braços, e nunca vou por ali... Será assim?  o que acham?

Entretanto,  é preciso continuar tendo projetos, embora de curto prazo, porque as lições precisam ser entendidas e aprendidas; é preciso nos modificar e modificar nossa forma de enxergar à nossa volta, e viver... a vida continua seu curso. Por isso, vou voltar a escrever e postar aqui, mesmo entendendo que muitos de nós tenhamos, quase, perdido o interesse por muitas coisas que nos motivavam antes. Foram muitas perdas, eu sei, mas o Criador só permite que aconteça o que nos fará bem no futuro; um dia, quando as dores forem mais amenas, Seus propósitos serão entendidos; tenhamos fé, e não percamos a esperança, e, acima de tudo, a CONFIANÇA.

Obrigada.

Se tiverem vontade, comentem, esse espaço não e só de leitura, mas, também, de discussão.

quarta-feira, abril 22, 2020

Sobre o lançamento do meu romance....

Infelizmente, em vista da pandemia que nos obrigou ao isolamento social, não houve o tão esperado evento. Espero que logo, logo, tudo volte ao normal.

quinta-feira, fevereiro 13, 2020




Meu romance, publicado pela Editora Kiron. Baseado em uma história de amor real, ambientada na Chapada Diamantina, na década de 30. Trata-se da vida de uma filha de burgueses do Recôncavo baiano, que foge para casar com o filho de um coronel do garimpo.Esse amor proibido os levou à fuga para aquela região inóspita, onde a protagonista sofreu muito por causa das diferenças culturais, a barbárie da lavra do diamante, além dos sofrimentos aos quais seu sogro a fazia passar...

Pode ser adquirido em: www.editorakiron e na www.amazon.com.br ou na minha mão (fazer contato).

quarta-feira, abril 17, 2019

Fantasmas...(Guacira Maciel).

  (Fragmento. Em homenagem a meu pai e à terra que ele amava)

       Estou escrevendo sobre uma saga de família, da Chapada Diamantina; o fragmento a seguir retrata bem a realidade vivida naquele período...
Hoje, aquela parece uma terra sem filhos; terra cujos seios foram sugados até sangrar; cujo ventre teve suas vísceras expostas, reviradas e devoradas por batalhões de formigas gigantes, predadoras, silenciosas, vorazes, que lhe sugaram os mais íntimos sucos, deixando-a calcinada, exangue, murcha, exaurida e caída sobre as próprias dobras de pele ressequida, onde se formaram enormes buracos que expunham como fantasmas esfarrapados, as entranhas de uma terra sem orgulho, sem pudor.
Os dedos sangrentos pelas marretadas cujas articulações mais pareciam antigas dobradiças, já invisíveis por causa do inchaço, faziam lembrar garras; dentes podres em bocas de hálito fétido, somado ao oco de estômagos completamente vazios a dias, famintos, donde só se ouviam os ecos dos gases que os empanzinavam e iludiam. Olhos cuja menina se transformara em raios febris, ardentes, que se perdiam nas noites orbitais, fundas; olhos sem brilho, vítreos, vermelhos por causa da graça do sono que não lhes fora concedida, assentados sobre caras mascaradas pelo pó que esculpia novos seres, e tão permanente nas escavações, que não poupava nem o terceiro olho que, por vezes, se lhes acrescentavam, fazendo lembrar os terríveis ciclopes. Eram restos de unhas ocres, purulentas, que rasgavam a nu a terra, ferindo e infectando sua mucosa antiga, brilhante e acetinada, buscando usufruir de um cio que não lhes era devido.
E os corações? deles, o grito ensaiado para a hora esperada, e temida, que sequer lhes chegava à garganta, por ausência da saliva lubrificante; apenas um choro seco vertido sobre corpos desidratados, quase mumificados, que  se arrastavam com seus dorsos alquebrados sobre a desistência da terra e seu silêncio dolorido. O mais inacreditável é que, ao fim do dia, do qual já nem lembravam a luz, o brilho, a cor, pareciam não ter sido afetados. Não se queixavam, não desanimavam de alcançar o objetivo primeiro; geralmente, só a morte os arrancava dali; não desistiam do seu sonho; mas de si, via-se que sim! porém, pareciam já anestesiados, não exibiam a dor que lhes oprimia o peito, fazendo abater a alma...


Na Chapada, o final do século XIX trouxe o novo regime político ( República ), e mudanças profundas, e o medo deu origem ao “coronelismo”. O governo, como alternativa de convivência com o sertanejo, começou a vender patentes - de até coronel - da Guarda Nacional, nomeando-os para ocuparem cargos na administração federal, o que fomentou uma guerra entre os coronéis de Minas Gerais e da Bahia. O lado vencedor, liderado pelo coronel Horácio de Matos, da Bahia, foi considerado o grande líder na região, porque os mineiros serranos representavam grande população nos garimpos da Chapada do lado de lá, apesar de saírem daqui da Bahia as toneladas de ouro e diamantes para a Europa e todo o mundo, ainda que as Minas Gerais fossem também uma região de subsolo muito rico e de lavra...

Antonio luso. Guacira Maciel


Hoje tive saudades
e vontade de lá chegar por acaso
e te encontrar
em frente ao cavalete
silencioso e absorto em teu parnaso
e te ler poemas…
um enigma que não tento desvendar
habitante encantado
do meu imaginário
te reconheço mas não sei quem és.
Suscitas em mim o indizível
e te prefiro assim assim te sinto
o mais puro ébano do Olimpo.
Ao ouvir meus passos
o humano te arrebata
então entre risonho e surpreso
fala mansa…
te levantas
e o tempo se sobrepõe ao eterno...
não quero tocar
o que não pode ser tocado
te quero assim
assim te quero
te quero longe
te quero luso
te quero deus...

quarta-feira, abril 10, 2019

Prólogo...Guacira Maciel


O ensino e a aprendizagem surgiram nas diversas sociedades como uma consequência natural da necessidade de sobrevivência das espécies, pela transmissão do conhecimento construído. Assim, o currículo surge como necessário à organização desse conhecimento a ser repassado e como reflexo da função social da escola, uma vez que nele estão fortemente presentes as relações de controle social, relações de poder e reprodução de valores que influirão na constituição dos sujeitos e suas identidades. Ele é o elemento dinâmico da proposta pedagógica, devendo ser entendido como espaço de conflitos que estruturam a vida da escola e como tal, um currículo precisa ser democrático, acolhendo as relações e abrindo-se à produção de significados próprios da comunidade onde ela está inserida, de forma a recriar uma proposta pedagógica dinâmica, cuja linguagem inclua o olhar divergente, para produzir resultados satisfatórios, já que deve estar ligado à como se estabelecem as relações de ensino e de aprendizagem dentro dessas realidades.
Dessa forma, a proposta curricular não pode ter um modelo imposto, uma vez que é um elemento vivo e, portanto, provisório quanto à sua temporalidade, passível de ser revista e mudada, de forma a que possa incorporar novos saberes, novas experiências e uma compreensão ampla e contextualizada de mundo e das culturas que ampliam e fortalecem as identidades. Importante estar alerta para não se perpetuar como um refém das leis, mas estar à sua frente oferecendo uma educação de vanguarda, que possa refletir as novas dinâmicas sociais, as tensões que demandam de uma sociedade mutante e a diversidade dos sujeitos; e só então buscar seu referendo.
Entretanto, para que isso possa ocorrer será necessário que reflita a forma de sentir e pensar dessa juventude que vive na contemporaneidade, cujos pressupostos encaminham para a compreensão de se aliar a cultura ao trabalho, tendo como princípio educativo um conhecimento que o conscientize quanto às formas reais deste, inclusive a possibilidade de introduzir aí, a diversidade, uma vez que, concordando com Miguel Arroyo, o mesmo tem gênero e tem raça (se sabemos que o padrão é racista); tudo isso a partir de um conceito lúcido do que seja juventude ou juventudes, como premissa.
Sabemos que a participação do sujeito jovem na dinâmica social não é vista nem avaliada de forma ampla quando são propostas as políticas de educação. É fundamental que outras dimensões do seu estar na vida, o seu universo simbólico e emocional, não apenas a sua vida funcional, sejam incluídos, de forma a que essas representações sejam mais legítimas e seu contexto cultural possa ser reconstruído e representar seu modo de viver e pensar.
Em muitas culturas existe uma tendência de se realizar estudos em que as questões do jovem(s) são olhadas apenas como dilemas, o que termina por apresentá-lo(s), tão somente, como um problema a ser encarado pela sociedade; um problema para o qual há que se buscar solução; predominantemente quando se fala em adoção de políticas para abertura do mercado de trabalho ou econômicas de um país, ou mesmo, busca de formas para incorporá-lo(s) aos sistemas de ensino, o fenômeno é sempre observado nessa ótica, o que tem trazido como conseqüência, a ausência, em suas vidas, de oferta de conhecimento e oferta de outras possibilidades; de bandeiras e de sonhos.
Para que isso possa ocorrer será necessário que se mude essa dinâmica e o(s) jovem(s) possa(m) ser ouvido(s); é importante que se possa entender o seu universo; como pensam e como gostariam de se expressar; assim, considero da maior importância que o professor conheça quais os possíveis caminhos que o conduzem à aprendizagem; quais caminhos subjetivos são percorridos, desencadeados pelas profundas mudanças fisiológicas, psíquicas, conflitos emocionais, rejeição à autoridade, ao próprio corpo, posicionamento quanto à sexualidade, à necessidade de decidir sobre o futuro, para que a aprendizagem se efetive, vez que é nesta fase que é obstado a definir para si um caminho profissional; por todas estas, entre outras motivações, se torna extremamente difícil lidar ao mesmo tempo, consigo mesmo, com os outros e com o mundo.
Em que pese já existirem muitos trabalhos de educadores e pensadores sobre a forma como se traduz o significado político e cultural de juventude(s) e considerações do que é ser jovem(s), ela deve ser vista e analisada de maneira bastante oxigenada e livre, se sabemos que os desejos, as necessidades e a incorporação de novos conhecimentos são especialmente dinâmicos e mutáveis; aberta e sem amarras ou preconceitos, vez que nenhum desses conceitos é rígido e deverão existir momentos específicos para que se considere um ou outro, pois precisarão ser consideradas questões vitais, como: situação sócio/econômica; origem étnica; questões de gênero e religião, além de todas as vivências citadas acima. Entendo de fundamental importância sejam observados os momentos em se deve levar em conta o fenômeno “juventude” no singular e/ou no plural; entretanto, o seu universo, seja como for, precisa ser considerado de forma mais abrangente, apontar para a dilatação dos seus horizontes e estimular a utopia.

Do meu livro: "A arte como possibilidade do desenvolvimento cognitivo"


segunda-feira, abril 08, 2019

"Esmeraldo de Situ Orbis", obra escrita pelo militar e cartógrafo português, Duarte Pacheco Pereira (Guacira Pacheco Maciel).

Esta pesquisa compunha, originalmente, o romance "Cruz do meu rosário: um amor na Chapada", mas foi retirado pela autora, e encontra~se em outra obra.

Não foi encontrado nenhum registro documental que comprove que esse ilustre personagem da Corte Portuguesa tenha sido, de fato, um ascendente da família de Marta, mas, além do retrato a bico de pena nostalgicamente pendurado numa parede do palacete sede da fazenda, já bem mais velho que as reproduções posteriormente encontradas em pesquisas, tão vivo na memória de Isadora, apaixonada pelo assunto, consta em relatos orais de tios e antigos empregados, que a história do parentesco é verídica. E mais, em gerações posteriores da família, existem alguns descendentes homônimos, como uma espécie de homenagem póstuma ao famoso personagem.
Também não foram encontrados na pesquisa realizada, documentos que registrem sua passagem pela Bahia e nem sua permanência no Recôncavo Baiano a ponto de ter tido algum relacionamento que tenha lhe dado herdeiros, nem que tenha sido proprietário de um engenho de cana de açúcar...
Entretanto, essa história é tão cheia de elementos e de fatos coerentes, que passou a ser aceita pela parte mais velha da família que viveu na região, no período posterior àquele. Vejamos:

Entre o período em que esteve no auge de sua atuação como navegador, prestigiadíssimo pelo rei D. Manuel, e sua desgraça por razões políticas - já que o rei morrera e seu sucessor se deixara influenciar por intrigas, e é sabido que ele foi acusado de cuidar mais de seus interesses pessoais do que das questões do reino - e consequente prisão e morte, há um hiato de longos anos. Onde estivera, uma vez que sua experiência como navegador era vasta e de comprovada competência? após exaustiva pesquisa nos registros através da Internet e documentos de historiadores, não foi explicado o seu paradeiro depois de ser solto, até sua morte, “em idade avançada”...

Quanto à tese do “descobrimento”, há uma interessante análise feita por Francisco Contente Domingues, historiador, acadêmico da Universidade de Lisboa, autor de “A travessia do mar oceano. A viagem de Duarte Pacheco Pereira ao Brasil em 1498” [2012], segundo a qual, o mais importante na discussão não se refere à “descoberta” feita por Duarte Pacheco, mas ao fato de que ele teria passado pela costa brasileira e não teria visto o que deveria, simplesmente, porque a visão que tinha de mundo àquela época não o permitira, fato análogo teria ocorrido quanto à chegada de Cabral, já que os indígenas nunca haviam visto uma caravela como aquelas do período das “grandes navegações”, aliás, esse fato é amplamente explicado pela Mecânica Quântica. Da mesma forma, pode-se perguntar: o teria pensado Duarte naquela viagem, quando se deparou com aquela extensa e desconhecida terra?
No seu livro, “Esmeraldo de Situ Orbis”, Duarte Pacheco refere, mesmo que sem muita clareza, que o rei D. Manuel o teria mandado descobrir “uma tão grande terra firme a Ocidente do Atlântico”... embora seja essa tese pouco convincente aos olhos de alguns, por ausência consistente de provas.
O historiador J. Barradas de Carvalho, historiador português, autor de “La traduction espagnole du De Situ Orbis”,  em estudo sobre o famoso cartógrafo ressalta a importância da sua obra para o do Renascimento português e entende como verídica e realizada a tese da exploração chefiada por ele, cujo destino provável era mesmo a costa brasileira, tendo passado além da linha definida no Tratado de Tordesilhas, razão pela qual o “Esmeraldo” foi guardado por tantos anos.
Também na interpretação do historiador Jorge Couto, em seu livro “A construção do Brasil”, dados ali registrados poderiam, sim, comprovar que Duarte Pacheco Pereira realizou essa missão tendo atingido a costa brasileira na região do Maranhão e foz do Amazonas, com a intenção de calcular a localização do meridiano de Tordesilhas, se aproximando do litoral brasileiro, que pertenceria à Espanha, o que não inviabiliza o fato de que tenha estado na Bahia em suas andanças posteriores. Esse aspecto político-diplomático explicaria o fato de o rei de Portugal ter escondido o feito e os resultados obtidos pela expedição realizada pelo cartógrafo.
Muitas são as versões sobre a vida e a permanência de Duarte Pacheco no Brasil, inclusive, de que teria, em aqui ficando, traficado africanos para serem escravizados, sendo uma possível explicação para a fortuna que voltara a acumular, já que a havia perdido por ocasião de sua prisão, mesmo que  tivesse, ele e sua família, voltado a receber dinheiro da coroa após a soltura... se é verdadeiro ou não,  é muito difícil comprovar, mas também não seria uma hipótese impossível, uma vez que o famoso personagem, como já referido, caira em desgraça com a morte do rei D. Manuel, em 1521, e ascensão de D. Jõao III.
Em 1490 figurava como membro da guarda pessoal do Rei; em 1494 estava entre os representantes escolhidos por D. João para negociar a fixação dos limites do Tratado de Tordesilhas. Apesar de tão questionado, uma das passagens mais debatidas do Esmeraldo parece indicar a sua participação numa expedição enviada por D. Manuel ao Atlântico Sul, em 1498, onde teria sido vislumbrada uma considerável massa de terra firme, que seria o Brasil, cuja população indígena do litoral é descrita, na obra, com detalhes: “… são pardos quase brancos; e estas são gentes que habitam na terra do Brasil, de que já no segundo capítulo do mesmo livro fizemos menção”.
Sua grande experiência náutica e cosmográfica o teriam levado a participar de outras importantes expedições, com muitos êxitos, que trouxeram considerável reconhecimento e consequente melhora na sua condição social.
Por volta de 1508, teria começado a escrever o Esmeraldo de Situ Orbis, precisando interromper, pois, entre 1509 e em 1510 fora de novo convocado a servir a Coroa, no mar.
Em 1519, Duarte Pacheco Pereira voltou à África como capitão da fortaleza de S. Jorge da Mina. No entanto, a morte do rei, em 1521, acabou com esse rico período da vida e da carreira de Duarte Pacheco Pereira, terminando em desgraça em conseqüência da nova conjuntura política que elevou D. João III ao trono. Em 1522, Duarte foi aprisionado e encaminhado de volta ao reino, com uma acusação pouco convincente, que culminou com a total perda de seus bens.
Apesar de ter sido inocentado e posto em liberdade, nunca mais ele conseguiu o prestígio anterior. Os problemas com a Coroa se prolongaram, obrigando-o a lutar pela restituição dos seus bens e pelo pagamento “atempado da tença” anual à qual tinha direito. Nessas condições, ele chegou a se colocar à disposição para serviço do Imperador Carlos V, chamado Imperador do Mundo (de Espanha e Alemanha), o que nunca se realizou.
Consta que viveu em Portugal até o final de sua vida, tendo falecido em data desconhecida, entre os anos 1531 e 1533.
Porém, cabem aqui alguns questionamentos: um homem inteligente, dinâmico e grande conhecedor dos segredos dos caminhos náuticos e dos Oceanos, e de tão gandes conhecimentos de astrologia, conhecido pelos seus feitos militares, mitificados pelos cronistas e cantados por poetas como Luís de Camões, autor de uma obra inquestionavelmente importante para a navegação, cujos quase exatos cálculos, até hoje não foram refutados, teria se conformado em morrer na quase miséria e no ostracismo, podendo fazê-lo de forma totalmente diferente e aventureira, como era da sua natureza? seus amplos conhecimentos o teriam deixado conformado em casa, inútil, podendo voltar por conta própria, apesar dos parcos recursos, a explorar o mundo, ou mesmo o Brasil e seu extenso e luxuriante litoral, que não lhe era desconhecido?
Bem... que certeza se tem de que o Esmeraldo, cuja escrita fora interrompida em 1508, teria mesmo ficando inacabado? a cópia conhecida e registrada pela História, diz: “foi publicada pela primeira vez em 1892, ficando, desde então, clara a sua importância como roteiro náutico e geográfico, tratado cosmográfico e relato histórico, súmula do conhecimento adquirido por Duarte Pacheco Pereira ao longo da sua existência”. Seria ela, conhecendo-se sua importância, a única e verdadeira cópia se ele tivesse voltado à aventura dos mares?
Será que Duarte, tendo conhecido a potencial grandeza de tão misteriosa e rica terra, “uma tão grande terra firme”, nas atuais circunstâncias, sem compromissos reais, a ignoraria? e mais, ele também esteve em missão na África e conhecia os roteiros de navegação, e a situação econômica dos habitantes da “Colônia” – o Brasil -, que precisavam de mão de obra barata para o cultivo da cana de açúcar. Por que a hipótese não comprovada de que tenha feito viagens para traficar pessoas para serem escravizadas pelos fazendeiros seria tão inverossímil?
Outra não tão improvável seria a versão de que teria vivido no Recôncavo Baiano e lá fundado, ele mesmo, um Engenho de cana-de-açúcar e deixado descendentes...
Seriam essas convergências tão absurdas? absurda mesmo, seria a versão de que tenha se conformado em viver no ostracismo e na miséria, podendo ter uma vida extremamente aventureira, sedutora e lucrativa, no caso do Engenho, embora esse pudesse ter sido um desdobramento ou consequência do possível tráfico de escravos. Além de todas essas questões, tem o fato de ter sido tratado de forma injusta pelo do rei e ficado inconformado em viver no esquecimento e sem condições financeiras, depois de ter sido cantado nos versos de Camões...

Pesquisa realizada pela autora, para o romance "Cruz do meu rosário; um amor na Chapada",  que, entretanto, foi excluída do mesmo.


quarta-feira, agosto 29, 2018

Histórias para Arthur. Literatura Infanto juvenil (Guacira Maciel)


                                       
                   Raízes da Cultura Brasileira para crianças;
             contando a verdadeira história. (Trilogia).
     
  

    Livro I -     Índios; os donos da terra

    Livro II -    Navegadores portugueses; esses seres
                        estranhos

   Livro III -   Africanos; escravizados na nova terra




  Ensino Fundamental de 1º ao 5º ano; com sugestão de trabalho para a sala de aula



                                            

 Buscando uma Editora para publicar este trabalho.
                                                




                                                              Apresentação
   


Ao nascer o meu primeiro neto, não me saiu da cabeça que ele não poderia crescer sem saber a verdadeira História do seu povo, e comecei a pensar numa forma de fazer isso,  para que ele já cresça sabendo a verdade, mesmo que na escola, por algum tempo, ela ainda vá ser contada de forma fantasiosa...
Mas como fazer isso? Pensei...
Não queria que ele a entendesse como história do meu imaginário de avó, que  conta histórias inventadas na hora de fazê-lo dormir; por esta razão, resolvi publicá-la para que outras pessoas: avós, mães, e, finalmente, os professores, as escolas e a sociedade pensem no assunto, analisem essa possibilidade e tomem atitudes que possam ampliar a ideia a instâncias mais amplas... Sei não ser uma decisão fácil, como não tenho a ilusão de que será uma longa caminhada de reconstrução, uma vez que a atual versão foi elaborada do ponto de vista do “vencedor”, e se arrasta por séculos...
A partir dessas conclusões, comecei a aprofundar meus questionamentos: quanta verdade estaria contida nos conhecimentos que constituem a História que nos contam? Em minhas reflexões cheguei a concordar com alguns historiadores sobre se o nosso país é híbrido ou profundamente ambíguo... O que, realmente, constitui a nossa identidade como povo, se o que consideramos nossos símbolos, não são apresentados em sua versão verdadeira, ainda que não genuinamente nossos?
A disseminação, insistente, de uma história distorcida por interpretações errôneas e tendenciosas, contada do ponto de vista do ‘vencedor’, como sempre ocorre, trouxe como legado a construção de uma memória com raízes flutuantes, fato reconhecido por todos, embora falte coragem para promover a mudança. Quem somos nós, povo brasileiro? Qual a nossa verdadeira História? O que na nossa cultura, é mito, lenda, distorção ou fruto de interpretação, muitas vezes preconceituosa, já que, invariavelmente, a versão se sobrepõe ao fato histórico, com a finalidade de atender interesses dúbios?
Bem, decidi contar a Arthur o que ainda está coberto por um véu de imaginário, mas que, se for encarado com sensibilidade e honestidade, será desvendado...
Os textos são leves, curtos e pouco densos e a linguagem bastante adequada e compreensível, para que esses conhecimentos se acomodem de forma natural e firme nas cabecinhas infantis, mas a intenção é mais profunda... É ajudar a desconstruir distorções que considero graves, porque se tornaram alicerce para uma grande fábula...



                                                    Justificativa

            O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), em seu Artigo 58, refere: “no processo de educação respeitar-se-ão os valores culturais artísticos e históricos próprios do contexto social da criança e do adolescente, garantindo-se a estes a liberdade de criação e o acesso às [verdadeiras] fontes de cultura”.

              Tomando essas orientações como premissa, entendo ser uma atitude de respeito e reconhecimento dos direitos dos cidadãos, alvo desse importante documento, garantir que passem a conhecer gradativamente os verdadeiros fatos históricos e as culturas   formativas da “Cultura Brasileira”, em uma versão, inicialmente, mais amena, para que alicerces firmes vão sendo constituídos.
No papel de educadora, me pergunto: por que continuamos a divulgar entre nossas crianças e jovens uma História falsa, tendenciosa, mitológica e recheada de monstros sagrados inventados? A História que é contada nos livros didáticos é da carochinha, porque se fundamenta em personagens fictícios, embora referendada e perpetuada, por atender a interesses de pessoas, de grupos, de Instituições e até de países. Urge dessacralizar essa construção contando a verdadeira História, ainda que híbrida. Não podemos continuar a falar com eles sobre responsabilidade, honestidade, sobre formar cidadãos críticos, se reafirmamos cotidianamente essa falta de clareza nas escolas. Precisamos reconstruir nossa identidade, baseada na verdade, e fincar nossas raízes em solo firme, para que elas possam se aprofundar, se fortalecer e ramificar, levando esse povo a ter orgulho do que realmente é. Partindo dessa compreensão e entendendo a necessidade de reunir coragem para isso, falarei sobre alguns mitos criados por interesses historicamente aceitos; nesse caso, não procede o fato de que, por ser aceita por um povo através dos séculos, uma história inverídica termine por se tornar uma verdade.
 Com a compreensão de educadora que trabalha com cultura e com a nossa identidade como povo, entendo, em primeiro lugar, ser fundamental a criação de um novo calendário, baseado na nossa verdadeira História, em fatos verdadeiros. Mas para que isso seja possível precisamos contá-la.
Até quando as escolas ensinarão às nossas crianças fatos históricos diferentes daqueles que realmente ocorreram? Esses são brasileiros que continuarão sendo enganados até que cheguem a uma idade em que começarão a se fazer perguntas e a fazerem as próprias descobertas. É como negar a um filho a sua verdadeira paternidade e anos mais tarde ele venha a descobrir que tudo o que construiu e pensava fazer parte da sua identidade era uma mentira. Entender, desmistificar e conviver com essa fantasia, fatalmente, irá gerar muitas dúvidas, muitas dificuldades, medos  e, até, vergonha do seu pertencimento étnico.  Há poucos dias, em uma das minhas incursões pelos distritos de Senhor do Bonfim – Bahia – numa escola de Missão do Sahaí - comunidade remanescente de índios – conheci, apresentado por uma professora, um adolescente que tem vergonha, e nega, ser índio, porque segundo ele, os outros jovens fazem gozação, chamam, a ele e a outros jovens da mesma origem, de selvagem, burro, etc.
Também é injusto que tantas pessoas dediquem suas vidas a estudos, com objetivo de buscar, descobrir e evidenciar essa identidade, essa gênese histórica - muitas vezes desafiando o poder dominante, ora na ficção, através de personagens, ora em incansáveis estudos e pesquisas sobre fatos não revelados, mostrando os “heróis de nossa gente”, em que buscam desconstruir fatos, e personagens reconhecidamente verídicos, dando a conhecer os pequenos heróis que subjazem no limbo da historiografia brasileira, desenvolvendo uma espécie de “anti história” o que, de certa forma, vem desterritorializando as estruturas político sociais, que têm interesse em continuar contando a história do ponto de vista do ‘vencedor’ - e a essas pessoas seja negado o direito de conhecer os resultados de tão árduo e incansável trabalho. O que ficará suavemente evidente aqui, através de uma linguagem delicada e apropriada acerca dos donos da terra, da “colonização” e da escravização de pessoas, é a minha intenção de começar a mostrar a versão que não é contada nos livros didáticos, nem na Literatura,  ou seja, a compreensão de que a História é contada de forma tendenciosa, resultando em uma História imaginada e estabelecida por aqueles que se consideram “elites étnicas e sociais”, reforçando o que há muito se vem denunciando. Sabemos que as fronteiras dessa História estão povoadas de versões das minorias invisíveis, das assombrações, dos fantasmas que amedrontam, não significando, porém, que não existam, mas que, forçosamente, têm construída a sua morada num “entre lugar”, como os,  verdadeiramente, sem teto, sem terra, sem camisa (padrão) do time, lugar onde precisa se alojar a “intervenção crítica”.
Nesse caso, a “heterogeneidade não se homogeneíza” na unidade da história que já foi contada; ao contrário, é uma voz que se levanta e resiste como uma realidade contraditória, embora subjacente, indelével; similares a operadores booleanos, esses fantasmas definem seus caminhos e estratégias de busca, com um software específico. A História desse país se oferece como um rico hipertexto, em que nós, os sujeitos do conhecimento, precisamos nos recusar a seguir em frente ignorando aquilo que não foi contado ou o foi de forma distorcida, para descortinar um rico percurso que subjaz nas entrelinhas, nas fronteiras, no limbo...
É preciso rever essa História e desalojar esse estado de epifania que ela assegura aos que a vêm contando até hoje. Ela é uma ficção gestada nos descaminhos da História real, porque comprovações documentais vêm sendo encontradas e contam a outra versão; elas são avaliadas por estudiosos e não podem ser desconsideradas. Fundamentada no pensamento de Boudelaire, também uma verdade absoluta e eterna inexiste, ou melhor, é ficção que se torna pobre diante do fato de não se considerar outras possibilidades, outras dimensões, até porque, a escrita da História oficial está fundamentada em mecanismos ideológicos. É importante, fundamental mesmo, que esse foco sacralizado seja deslocado, desterritorializado, estabelecendo-se, no mínimo, um processo dialógico com as outras percepções, em busca da História verdadeira.
Em “Meu querido canibal”, de Antonio Torres, há o impressionante episódio que, presume-se ter durado de 1554 a 1567, a “Confederação dos Tamoios”, que para o historiador Edmundo Moniz, foi um dos mais importantes capítulos da nossa História e considerada como a primeira reação [organizada] dos nativos, donos da terra, que desestabilizou a confiança dos “colonizadores”, que, entretanto, “não estavam iludidos quanto ao potencial de investida dos Índios sobre o território de São Paulo e Santos, uma vez eram donos de grandes extensões, como parte dos territórios do Rio de Janeiro e São Vicente”. Porém, uma traição ao tratado de paz entre os Tamoios e os Jesuítas levou os “colonizadores” à vitória. A falsa trégua foi, na verdade, um ardil utilizado para ganhar tempo, enquanto esses estrangeiros recebiam reforços e atacavam os desavisados e confiantes nativos. E assim, entre milhares de outros exemplos, foram forjados os heróis da História do Brasil.
       

                           Objetivo Geral


 Dar um pequeno passo no longo e árduo caminho da verdade, para começar a contar às nossas crianças a sua verdadeira História, a História do Brasil                         


                      
                           Objetivos Específicos


  • Contar às crianças uma bonita e verdadeira história: a História do Brasil.
  • Usar o recurso das lendas para ajudá-las a estabelecer diferenças e limites entre verdade e fantasia.
  • Levar ao seu conhecimento como ocorreu, de fato, a formação do povo e da cultura do Brasil.
  • Falar especialmente sobre os primeiros habitantes e donos das terras.
  • Desconstruir o mito da “colonização”,  evidenciando os aspectos da dominação.
  • Refletir sobre a diferença entre índios  “preguiçosos e indolentes” e diferenças culturais.
  •  Refletir sobre a diferença entre “negros escravos” e “negros escravizados”
  • Evidenciar a importância da cultura européia na formação da cultura brasileira e
           as relações que se criaram entre as três culturas formadoras da mesma
  • Mostrar a beleza, inclusive nas artes, das nossas raízes culturais.
  • Abrir espaços ao professor e estimular o trabalho interdisciplinar.
  • Estimular o imaginário das crianças
  • Ajudar na formação de leitores.


 A leitura no processo de ampliação cognitiva


Para a Neurociência, “Cognição refere-se a um conjunto de habilidades cerebrais/mentais necessárias para a obtenção de conhecimento sobre o mundo. Tais habilidades envolvem pensamento, raciocínio, abstração, linguagem, memória, atenção, criatividade, capacidade de resolução de problemas, entre outras funções.”
A Literatura infanto juvenil tem ação importante como coadjuvante no processo de
reconhecimento, aceitação e fortalecimento das identidades, que deve ser iniciado nessa importante fase da vida, porque o faz de forma lúdica, já que a fragilidade infantil é fortemente agredida pelos preconceitos, e a Literatura trabalha suave e sutilmente essas dores guardadas, encaminhando para a construção da auto estima positiva e, quem sabe, da cura. Os preconceitos precisam sair do limbo onde são gestados e sobrevivem, incomodando, de forma silenciosa e subjacente, para que sejam reconhecidos e tratados com os devidos cuidados.
A Literatura, como arte, faz esse papel de conciliação entre os dois universos, porque evidencia as questões mais íntimas, guardadas como forma de proteção. Nessa perspectiva, ela também enriquece, amplia e aprofunda o processo cognitivo infantojuvenil, porque estimula a criatividade que é um processo tão subjetivo quanto a própria cognição




quinta-feira, julho 05, 2018

Os números... Guacira Maciel


Os números...




Hoje pela manhã, tomava calmamente o meu cafezinho descafeinado e fumegante, enquanto pensava no significado nada ortodoxo que os números têm para mim... sempre tive uma percepção algo esquisita sobre eles, mas essas reflexões me vieram à mente mais uma vez, hoje, porque, como sempre faço todas as noites, dei uma olhada no meu blog e vi o número de votos que, milagrosamente, ainda está sendo registrado, uma vez que a votação para um concurso foi encerrada e os três finalistas escolhidos. Devo dizer que valorizo muito o fato de votarem em meu blog, porque isso se traduz num retorno, que é um incentivo ao meu empenho para escrever mais, buscando imprimir sempre mais sensibilidade e qualidade aos textos.
Bem...voltemos aos números e à impressão estranha que me causam... aguda sensação de que quinhentos e quarenta ou setenta ou noventa, não importa, é maior que seiscentos; que setecentos e trinta ou quarenta ou oitenta é maior que oitocentos e por ai vai. Posso explicar: os zeros me dão a ideia de imprecisão, e não, de infinitude...
Sei que isso poderá parecer incompreensível, incongruente; aliás, me perdoem os matemáticos, mas isso é muito forte e vivo em minha imaginação, embora me encante o ifinito; não gosto de nada fechado e os zeros me dão essa forte impressão... .até porque, mesmo que o zero não seja um conjunto vazio, e sei que não é, ele é a representação de algo concluído e com restrição ao infinito; elemento de um universo que pressupõe limite, e a representação numérica sem ele me dá a sensação de muitas possibilidades, de caminhos e de caminhar...Deve ser essa forte sensação de transitoriedade que vejo em tudo, mesmo nos infinitos...
Mas não pensem que não sei ou deixe de valorizar a importância que o zero tem, estando à direita no meu salário, por exemplo... ali, aceito tantos zeros quantos quiserem acrescentar...



quinta-feira, junho 28, 2018

Fantasmas... (Guacira Maciel)


      
         (Fragmento. Em homenagem a meu pai e à terra que ele amava)

       Estou escrevendo sobre uma saga de família, da Chapada Diamantina, mas não posso continuar sem tomar partido, sem optar por uma tonalidade, fingindo que todas elas são iguais...
Hoje, aquela parece uma terra sem filhos; terra cujos seios foram sugados até sangrar; cujo ventre teve suas vísceras expostas, reviradas e devoradas por batalhões de formigas gigantes, predadoras, silenciosas, vorazes, que lhe sugaram os mais íntimos sucos, deixando-a calcinada, exangue, murcha, exaurida e caída sobre as próprias dobras de pele ressequida, onde se formaram enormes buracos que expunham como fantasmas esfarrapados, as entranhas de uma terra sem orgulho, sem pudor.
Os dedos sangrentos pelas marretadas cujas articulações mais pareciam antigas dobradiças, já invisíveis por causa do inchaço, faziam lembrar garras; dentes podres em bocas de hálito fétido, somado ao oco de estômagos completamente vazios a dias, famintos, donde só se ouviam os ecos dos gases que os empanzinavam e iludiam. Olhos cuja menina se transformara em raios febris, ardentes, que se perdiam nas noites orbitais, fundas; olhos sem brilho, vítreos, vermelhos por causa da graça do sono que não lhes fora concedida, assentados sobre caras mascaradas pelo pó que esculpia novos seres, e tão permanente nas escavações, que não poupava nem o terceiro olho que, por vezes, se lhes acrescentavam, fazendo lembrar os terríveis ciclopes. Eram restos de unhas ocres, purulentas, que rasgavam a nu a terra, ferindo e infectando sua mucosa antiga, brilhante e acetinada, buscando usufruir de um cio que não lhes era devido.
E os corações? deles, o grito ensaiado para a hora esperada, e temida, que sequer lhes chegava à garganta por ausência da saliva lubrificante; apenas um choro seco vertido sobre corpos desidratados, quase mumificados, que  se arrastavam com seus dorsos alquebrados sobre a desistência da terra e seu silêncio dolorido. O mais inacreditável é que, ao fim do dia, do qual já nem lembravam a luz, o brilho, a cor, pareciam não ter sido afetados. Não se queixavam, não desanimavam de alcançar o objetivo primeiro; geralmente, só a morte os arrancava dali; não desistiam do seu sonho; mas de si, via-se que sim! porém, pareciam já anestesiados, não exibiam a dor que lhes oprimia o peito, fazendo abater a alma...
Na Chapada, o final do século XIX trouxe o novo regime político ( República ), e mudanças profundas, e o medo deu origem ao “coronelismo”. O governo, como alternativa de convivência com o sertanejo, começou a vender patentes - de até coronel - da Guarda Nacional, nomeando-os para ocuparem cargos na administração federal, o que fomentou uma guerra entre os coronéis de Minas Gerais e da Bahia. O lado vencedor, liderado pelo coronel Horácio de Matos, da Bahia, foi considerado o grande líder na região, porque os mineiros serranos representavam grande população nos garimpos da Chapada do lado de lá, apesar de saírem daqui da Bahia, as toneladas de ouro e diamantes para a Europa e todo o mundo, ainda que as Minas Gerais fossem também uma região de subsolo muito rico e de lavra...

Do meu romance, a ser publicado em breve: "Cruz do meu rosário; um amor na Chapada".