Da mais alta janela da minha casa, com um lenço branco, digo adeus aos meus versos que partem para a humanidade. E não estou alegre nem triste; este é o destino dos versos [...]. Quem sabe quem os lerá? Quem sabe a que mãos irão? Fernando Pessoa.

Obs. usando a autonomia que a licença poética e a própria cultura brasileira me permitem, não adoto linearmente essa segunda outorga (arbitrária) da língua portuguesa.


quinta-feira, setembro 01, 2011

Interregno (02/04/06; guacira maciel)

Errando em pensamentos
do meu íntimo interregno
me acho no meu eu
e no teu cáis
te sinto ora abstrato mar

ora concreto leme a
“conduzir teus barcos a
bom porto”
e cá...
te sonho entre o ócio
dos salões a navegar...
imagem difusa entre a fumaça
e a brisa das manhãs
talvez do Tejo

das barricadas de Luanda
ou uma roda nordestina de Ciranda
por que me aflijo e me consumo?
por que buscando o teu cenário
nas Cruzadas Medievais
sob pesado elmo
já te encontro cá

na alegria dos nossos carnavais?
finalmente

me confundes
não sei quem és
és o silêncio

o dedo em riste
o abraço largo que me acolhe?
a lauda em branco da minha tentativa
o severo e duro olhar que tolhe
a hora que não há?...
és o sorriso doce e complacente no olhar?
a maré mansa e morna
que acolhe meu banho nu
como mil suaves mãos no Atlântico de cá?
o teu não-ser
o teu silêncio qual perfil
de longínqua montanha envolta em brumas
se constituem meu delírio
és um solfejar...ainda não uma canção
és somente a doce idéia
que migrou suavemente ao coração...




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