Da mais alta janela da minha casa, com um lenço branco, digo adeus aos meus versos que partem para a humanidade. E não estou alegre nem triste; este é o destino dos versos [...]. Quem sabe quem os lerá? Quem sabe a que mãos irão? Fernando Pessoa.

Obs. usando a autonomia que a licença poética e a própria cultura brasileira me permitem, não adoto linearmente essa segunda outorga (arbitrária) da língua portuguesa.


quarta-feira, fevereiro 08, 2012

Conhecimento X Ciência (guacira maciel)

Existem nuances do conhecimento que a ciência não explica, ou seja, não há como determinar que só seja ciência o que a razão e o método explicam - mesmo porque os outros caminhos também têm sua lógica, sua filosofia e suas ‘razões’ - é imprescindível dialogar com a subjetividade e suas possibilidades; com os caminhos que só o são depois da passagem do viajante; aqueles que margeiam as ‘autopistas’, que acontecem de forma natural, enriquecidos de estudos autodidatas; além da própria dimensão filosófica, porque somos os sujeitos da história antes de tudo e essa se constitui uma condição primeira, uma condição antecedente, uma vez que temos experiências humanas comprováveis.
Sinto muita insatisfação, uma inquietude muito forte quando percebo o encaminhamento dessas questões com um determinismo que encerra a condição humana de extrapolar os cânones, as bitolas acadêmicas e o cientificismo, muitas vezes bastante estreitos, porque a vida é um arcabouço a ser preenchido quando percorridos os possíveis caminhos, e os sujeitos em suas vivências têm formas diferentes de caminhar, inclusive, porque uma minoria não é dona da verdade e não pode ditar regras para todos, nem encerrar o saber entre grades, se a cada segundo, mais e mais formas diferentes se nos apresentam como possibilidade e se vão incorporando às identidades humanas, cuja porta deverá permanecer sempre entreaberta.
Nós, professores, precisamos nos desencaminhar; como viajantes, precisamos observar o traçado dos cruzamentos, ou das encruzilhadas como outras possíveis formas, criando elas mesmas uma nova retórica, sem essa institucionalização dos sistemas, que emperra, que endurece, que constrói grilhões, restabelecendo o diálogo com uma ciência que no passado já percorreu um caminho único. É preciso lembrar que a (re)organização do cosmo partiu da sua própria desintegração; do caos. Então, propostas de políticas para uma educação que faça sentido, que tenha significado para a juventude só poderá ocorrer se percebermos a necessidade e tivermos a coragem e a força interior de desconstruir, de fazer ruir esse amontoado de propostas, e programas paliativos, sem consciência, compensatórios, emergenciais e inconsistentes, porque pouco profundos e filhos da falta de reflexão e da vaidade de egos delirantes e inflados.
No pensamento de Jacques Derrida¹, ícone da teoria da abordagem pós modernista, na Teoria das Organizações (TO), uma desconstrução que se fundamente no modo de construção original, pode revelar significados ocultos, ou seja, possibilitar a construção de uma outra verdade/interpretação (ainda que temporária) que encaminhe para a pluralidade de discursos, e conseqüente disseminação dessa verdade. Este é o princípio da decomposição; da fatoração matemática (lembram?).
A institucionalização, ou racionalidade com que impregnamos os instrumentos/sistemas, levam ao “aprisionamento das ações sociais, acabando por se refletir na concepção de justiça”.


O que me fez lembrar Cecília Meireles...

“Renova-te
Renasce em ti mesmo.
Multiplica os teus olhos para verem mais”.



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2 comentários:

Capitandemar disse...

Pucha vida, falou!
O problema _eu acho_ é que tu estas muito convencida do que escrves como para ter uma troca de idaias á par... Vou intentar contudo, abordar esse tema contigo com uma flor em uma mão e uma pedra na outra; com a Alma de um lado e o Coração olhando para ti do outro.

Tu Capitán.-

Guacira Maciel disse...

Quase morrí de rir...Espero, contudo, que não atire a pedra.

Guacira