Da mais alta janela da minha casa, com um lenço branco, digo adeus aos meus versos que partem para a humanidade. E não estou alegre nem triste; este é o destino dos versos [...]. Quem sabe quem os lerá? Quem sabe a que mãos irão? Fernando Pessoa.

Obs. usando a autonomia que a licença poética e a própria cultura brasileira me permitem, não adoto linearmente essa segunda outorga (arbitrária) da língua portuguesa.


terça-feira, maio 24, 2011

Negro Olimpo... (guacira maciel)


Ontem
exorcizei todas as dores
do abandono e desamor
nos braços de um deus negro
ao som dos atabaques e tambores
entre as cores do Olodum
eu dancei lá no Pelô...
absorvi cheiros ganhei ibá
expulsei o banzo o pranto
num vórtice encantado
exorcizei o desencanto...
ontem
pelas mãos do mestre-sala
por um xamã
sagrei-me deusa
saí do mau olhar
e do quebranto da senzala...
ontem
só foram risos ...
ontem
no Pelô não houve pranto...
ontem
nesse encantar
e embriaguez do desencanto
eu fui feliz
eu dancei lá no Pelô...


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