Da mais alta janela da minha casa, com um lenço branco, digo adeus aos meus versos que partem para a humanidade. E não estou alegre nem triste; este é o destino dos versos [...]. Quem sabe quem os lerá? Quem sabe a que mãos irão? Fernando Pessoa.

Obs. usando a autonomia que a licença poética e a própria cultura brasileira me permitem, não adoto linearmente essa segunda outorga (arbitrária) da língua portuguesa.


domingo, maio 22, 2011

Assim falou também Sherazade...( guacira maciel - Prólogo do romance, em fase de finalização)


Uma história real, contada pela própria protagonista; eu não poderia relatar sentimentos e dores tão profundas.
Todos conhecem o conjunto de contos conhecidos como Histórias das Mil e Uma Noites, cujo registro mais antigo se localiza entre a segunda metade do século VII e a primeira do século VIII/IX d C; sobre essa versão que chega até nós, pairam dúvidas quanto à veracidade das informações contidas nos registros conhecidos. Mas que ainda hoje alimenta a fantasia e o egoísmo de muitos homens, sem dúvida alguma!

“Volto aqui para recontar a minha história num contexto bastante contemporâneo, mas não menos real que o anterior; uma história de amor e muito sofrimento, uma vez que esse “sultão”, além de autonomia pessoal e personalidade equilibrada, também não tinha nenhum equilíbrio emocional, e muito menos um reino, nem a ingenuidade daqueloutro, embora, como ele, tenha dito que também passou pela experiência da infidelidade, e eu, a sua mais recente presa - era como me sentia - , precisasse encantá-lo todos os dias, como ele mesmo exigia com incontestável falta de sensibilidade, e arrogância.
Uma história que não é nada leve e carrega em seu âmago alguns paradoxos interessantes, mesmo sendo tão dolorosa. Embora seja uma história real, é também uma ficção, tão duvidosa quanto a que nos chegou através dos famosos Contos acima mencionados, porque plena de uma surrealidade inacreditável e inadmissível no mundo atual, em que as mulheres conseguiram tantas conquistas fundamentais à sua liberdade de expressão e de estar na vida. À medida que vou recordando os fatos, também vou percebendo e me questionando, como pude, como consegui me anular a esse ponto. Outro desses paradoxos é o fato de que, apesar de perceber esse estado de torpor em que me encerrei por dez anos dessa preciosa vida, também sinto que ele me proporciona, passado tanto tempo – como um efeito retardado - uma tremenda lucidez para analisar e refletir sobre os acontecimentos, o que vem me fortalecendo cada vez mais”.

Nenhum comentário: