Este espaço foi criado para me aproximar das pessoas que têm interesse pela poética, como um mundo de possibilidades a ser conhecido, inclusive, relacionando-o com as chamadas "exatas", que, veremos, não são tão exatas assim. Contém o meu pensar sobre cultura, ciência e sua relação com o mundo, e a chance de um olhar mais amplo sobre ele e suas questões. Está aberto aos comentários, às opiniões divergentes, às discussões e a tudo que nos permita essa amplitude.
Postagem em destaque
Acerca de Reencarnação...
Relacionamentos, de qualquer natureza, são uma construção, embora influenciados por experiências de outras vidas, ou seja, não importando ...
quarta-feira, março 16, 2011
Ausência... (guacira maciel)
quinta-feira, março 10, 2011
Tempo... (guacira maciel)
o que espero
tivesse eu tempo
remontaria ao advento
e mudaria tudo...
mas sopra o vento
e leva a terra
e o tempo
e eu tento...
não sei o que quero
e procuro
e espero
e isso leva tempo
e ele não me esquece
o tempo
e eu me atormento...
domingo, fevereiro 13, 2011
Educação. Por falar nisso... (guacira maciel)
" O respeito à autonomia e à dignidade de cada um é um imperativo ético e não um favor que podemos ou não conceder uns aos outros" (Paulo Freire).
A centralização da gestão institucionalizada de forma irrestrita e indiscriminada dos Sistemas Públicos de Educação, assim como as políticas públicas voltadas para a educação básica, especialmente o segmento médio, obrigatório, além de ferir a autonomia das escolas, também o faz em relação aos estudantes e à construção do conhecimento, refreando o estímulo ao desenvolvimento do capital intelectual, o desenvolvimento pessoal dos atores sociais e históricos no seu contexto de vida, e muitas vezes impossibilitam a exploração da economia interna gerada no íntimo da escola como um exercício da prática do protagonismo e do autodidatismo.
Interessante seria uma pausa para reflexão...a escola não está dando as respostas esperadas, os jovens não estão aprendendo...então é preciso buscar a "razão" (tudo tem uma razão e uma lógica) de tudo estar acontecendo dessa forma...inesperada? não sabíamos que os resultados chegariam a esse patamar?
O mundo mudou, mas os sistemas ainda não perceberam; os jovens e até a escola perceberam, mas estão engessados, porque submetidos a propostas que não refletem as necessidades dos contextos. Esta semana a Globo News lançou a proposta de uma série especial sobre Educação e, embora o foco não seja discutir/debater essas questões com a sociedade, o título tocou um sininho em minha cabeça: "Educação sob medida"...exatamente isso! a educação precisa acontecer sob medida!! E o que significa "sob medida", na minha cabeça?
Sob a perspectiva pedagógica? Vejamos... Com a uniformização das propostas de educação básica, o sistema se torna tão ferozmente institucionalizado que fecha o olhar para as necessidades específicas de cada contexto, para o estágio de desenvolvimento cognitivo dos sujeitos, e essa interferência inviabiliza e imobiliza as propostas, criando um contexto de dificuldades pedagógicas e de operacionalização tão refratário que esse mesmo sistema perde a condição de auto gerir-se; perde a sua funcionalidade...Em consequência, também as necessidades mais básicas, como o quantitativo de professores com formção específica em sala de aula (notadamente aqueles da área de Ciências da Natureza, incluindo-se Matemática, de acordo com os PCN, Parâmetros Curriculares Nacionais), que migram para outros postos profissionais, ou a total ausência de profissionais de algumas disciplinas, o que conduz a desdobramentos também nocivos, como o quantitativo cada vez maior de estudantes por turma; aliando-se a estas questões, temos outras, como a ausência de coordenadores pedagógicos, formação continuada precária com oferta, algumas vezes sem qualidade, de outros sistemas através de EAD (Educação à Distância); carga horária pesada, que leva à falta de tempo para estudar e planejar; os baixos salários, que obrigam os professores a trabalhar em várias instituições; precaríssimas instalações físicas das escolas. Tudo convergindo cada vez mais para o distanciamento da busca e da manutenção da qualidade da educação.
Essa situação termina por deixar unicamente nas mãos dos jovens a responsabilidade de aprender, de construir conhecimento, quando esse é um processo interativo, de parceria entre ele e o mediador da aprendizagem, que é o professor, até por ser este um ator mais experiente.
De qualquer forma, se falarmos da vida como ela é...toda essa problemática encaminha compulsoriamente o jovem a tomar a iniciativa de aprender; encaminha-o para outra forma de protagonismo e autodidatismo, que terminam por se constituir caminhos tanto mais difíceis, quanto mais recionais de aprendizagem, uma vez que nenhuma escola tem condição de oferecer em sua proposta uma educação universal, já que a aprendizagem ocorre nos diferentes espaços em que os sujeitos vivem, embora ela possa, isto sim, propiciar as condições para que cada um aprenda a transformar suas experiências em aprendizado, ao extrair-lhes o substrato, de acordo com seus projetos pessoais, sendo preciso que para isso a oferta consiga interpretar as demandas sociais, conduzindo-os a uma postura crítico social dos conhecimentos que vão sendo aprendidos.
Sete ventos (guacira maciel)
Absorva meu corpo
os teus perfumes
que na distância me alimentarão
e não permitam que de ti me afaste
e esmaeçam teus odores em mim...
brilhem em minh'alma os teus lumes
banhando em luz meu coração
que em silencioso compasso
ouve o som dos sete ventos
como se lhe fosse um lamento...
guardem os meus ouvidos a tua voz
que em teu silêncio me falará
balbucios doces
ora gritos
trazidos em vagas de mar...
mas te restaure a energia o meu fogo
que a temperatura me altera
e o amor
que em mágica química
nos faz arder
pois que sol
sou.
terça-feira, fevereiro 08, 2011
(Des)ordem (guacira maciel)
Venho buscando explicar a mim mesma as coisas que percebo ao meu redor, a forma como as compreendo, ou seja, como elas se mostram a mim, à minha sensibilidade, ao meu universo íntimo, de acordo com essa percepção e por que o fazem...ou seria o contrário?...na verdade, isso é muito difícil de ter um ordenamento linear; elas também poderiam se mostrar à minha percepção de acordo com a sensibilidade...até achei melhor assim...a minha percepção é desencadeada pela minha sensibilidade. É isso aí, acho...vê-se, dessa forma, como não existe uma única ordem na complexidade do Universo. Vê-se como não existe certo e errado a não ser em universos pessoais, que partem de valores e conceitos específicos nos quais também não se pode interferir, mas que precisarão se abrir à consideração dos opostos complementares (mecânica quântica). Cada um que ler este e, talvez, todos os meus textos, vai achar que a ordem seria outra, e a intenção é esta mesmo: rever conceitos, e a compreensão que qualquer que seja ela, significa que uma possibilidade não exclui outras.
Não me proponho a dizer nenhuma verdade; neste momento penso desta forma, mas, à medida que vou vivendo, aprendendo, estudando, me relacionando, também vou incorporando outras visões, ampliando ou mudando as que pretendo evidenciar aqui ou em qualquer lugar, podendo reescrever tudo a partir de uma nova visão de mundo reconstruída ou elaborada nas interseções, uma vez que o todo não representa, apenas, as partes, mas também um terceiro espaço. Aliás, vou logo avisando, porque pode ocorrer que um dos meus trabalhos seja lido em outro lugar e contexto, com outras proposições (excluindo-se o plágio, claro!).
O mais importante para mim é expor essa inquietação e reafirmar a inexistência de uma verdade imutável e única. Tudo é fruto das elaborações de um íntimo e desconhecido universo pessoal inerente a cada ser (cada observador), estimulado pelas vivências, buscas, interesses, emoções e estados de espírito momentâneos, que na dinâmica da vida, quase sempre são representados sob diferentes linguagens e nuances novas.
Não vou me estender muito nos preâmbulos; este é um diálogo íntimo que me acompanha sempre, e poderia me sentir muito estimulada a não parar mais... vejam-no como um espaço vestibular a todos os meus trabalhos.
sexta-feira, janeiro 28, 2011
Qual é a nossa história, afinal?
E antes de entrar na “Inconfidência Mineira” como planejado, gostaria de, reforçando/ilustrando alguns momentos dessa história aqui mencionados, trazer à cena algumas joias – doravante, quando necessário, continuarei a fazê-lo -. Nessa perspectiva, isso me ocorreu em consequência de mais uma leitura de “Meu querido canibal”, de Antônio Torres. Sabemos que a cada nova leitura que fazemos de uma obra, novas percepções são possíveis, porque também nós mudamos a cada amanhecer...visto que as experiências de cada dia abrem outras nuances de realidades possíveis, e passíveis de análise.
O que se evidenciará sucintamente aqui, como um prolongamento do texto anterior, acerca da 'colonização', é a compreensão do ponto de vista do vencedor, portanto, tendenciosa, resultando em uma história imaginada e estabelecida por ele, reforçando o que venho dizendo. Porém, as fronteiras dessa história estão povoadas de versões das minorias invisíveis, das assombrações, dos fantasmas que amedrontam, não significando, porém, que não existam, mas que tenham construído sua morada num “entre lugar”, como os sem teto, sem terra, sem a camisa (padrão) do time, lugar onde se aloja a “intervenção crítica”.
Neste caso, a “heterogeneidade não se homogeneíza” na unidade da história que já foi contada; ao contrário, é uma voz que se levanta e resiste como uma realidade contraditória, embora subjacente, indelével; similares a operadores booleanos, esses fantasmas definem seus caminhos e estratégias de busca, com um software específico. Na verdade, a história desse pais se oferece como um rico hipertexto, em que nós, os sujeitos do conhecimento precisamos nos recusar a seguir em frente ignorando aquilo que não foi contado, ou o foi de forma distorcida, para descortinar um percurso que subjaz nas entrelinhas, nas fronteiras, no limbo.
É preciso rever essa história e desalojar esse estado de epifania que ela assegura aos que a contaram até hoje. Ela é uma ficção gestada em descaminhos da história real, porque comprovações documentais vêm sendo encontradas e contam uma outra versão; elas são avaliadas por estudiosos, e não podem ser desconsideradas. Fundamentada no pensamento de Boudelaire, também uma verdade absoluta e eterna inexiste, ou melhor é ficção que se torna pobre diante do fato de não se considerar outras possibilidades, outras dimensões, até porque a escrita dessa história está fundamentada em mecanismos ideológicos. É importante, fundamental mesmo, que esse foco sacralizado seja deslocado, desterritorializado, estabelecendo-se, no mínimo, um processo dialógico entre as percepções, em busca da história real.
Voltando a “Meu querido canibal”, há o impessionante episódio que presume-se ter durado de 1554 a 1567, a “Confederação dos tamoios” que, segundo o historiador Edmundo Moniz, foi um dos mais importantes capítulos da nossa história e considerada como a primeira reação dos nativos, donos da terra, que desestabilizou a confiança dos ‘colonizadores’, que não estavam iludidos quanto ao potencial de investida sobre o território de São Paulo e Santos, uma vez que os índios eram donos de grandes extensões, como parte dos territórios do Rio de Janeiro e São Vicente. Entretanto, uma traição ao tratado de paz entre os tamoios e os jesuítas, levou os ‘colonizadores’ à vitória; a trégua foi, na verdade, um ardil utilizado como uma forma de ganhar tempo, enquanto recebiam reforços e atacavam os desavisados e confiantes nativos. E assim, entre milhares de outros exemplos, foram forjados os heróis da história do Brasil.
Voltaremos...
sábado, janeiro 08, 2011
Fragmento de capítulo de "Cruz do Meu Rosário" ( meu próximo livro)
Foi filho único de um pai muito rico e bastante permissivo também, coisa que o filho soube aproveitar, sobremaneira. Apesar de todos os esforços feitos nesse sentido, não estudou além do preparatório para ingressar no curso de medicina, por absoluta vontade do pai, Coronel Herculano, porque ele era mesmo, um bon vivant.
Ainda muito jovem o Coronel, com muita determinação e nenhum dinheiro, saiu de casa em busca do seu sonho, tendo que começar a vida como vendedor ambulante. Sendo muito sagaz, econômico e ambicioso, conseguiu juntar uma fortuna considerável como dono de garimpo, situação que lhe dava respaldo para ir diversificando suas aplicações em imóveis e armazéns de venda em grosso. Um de seus grandes aliados era o rio Paraguaçu, que nas cheias deixava a região isolada do resto do estado, não entrando nem saindo transporte de carga de nenhuma espécie. A essa altura elas eram mais ou menos previsíveis e os armazéns do Coronel ficavam abarrotados de mercadorias de primeira necessidade, incluindo o azeite usado na iluminação; assim, quando ninguém mais tinha gêneros de primeira necessidade para vender, seus produtos eram disputados a peso de ouro, como num mortal leilão, apesar dos protestos gerais. Nada, porém, podia ser feito; nenhuma alternativa de sobrevivência lhes era possível até porque, àquela época, naquela região, os ricos faziam a lei.
O dinheiro desse homem comprou, explorou e facilitou uma gama de atitudes pouco ortodoxas; só não creio que tenha se envolvido com crime de morte, embora fosse bastante comum a ação de jagunços por ali, financiada pelos ricos. Daí a se tornar exportador de diamantes foi como fogo ladeira acima; sistematicamente foi ampliando seu universo financeiro com essa única intenção: ficar rico. Para iniciar o negócio do garimpo, comprava animais de carga para fazer o transporte das tralhas dos garimpeiros, que trabalhavam como escravos para os proprietários, até os locais de extração, geralmente de difícil acesso. Todo o dinheiro ganho era sistemática e integralmente aplicado, porque o grande sonho, para começar, era ser o dono do garimpo.
A constituição de uma família foi adiada em função de sua determinação quanto ao seu objetivo maior.
Nada se sabe do seu primeiro casamento, além do fato de não ter tido filhos. Carlos nasceu de uma segunda união com uma mestiça de índio com português, após algumas tentativas abortadas e promessa a tudo quanto foi santo, sendo o sonho especialmente recomendado a São José, a quem prometera rezar o Ofício pelo resto de suas vidas.
O esperado rebento, cresceu rodeado de vontades e de primos puxando-lhe o saco, mas apenas um lhe dedicava amizade sincera, tendo sido sempre seu amigo, companheiro fiel e protetor nas grandes farras da mocidade, nas quais costumava detonar bastante dinheiro sob o olhar complacente do pai. O filho, a quem costumava chamar “cruz do meu rosário”, realizou alguns de seus sonhos, a exemplo de ter sido Imperador do Divino, ponto de honra das famílias ricas da região, menos o de se formar e ser um “dotô”, ainda que para isso tenha envidado esforços sobre-humanos, principalmente o de mandá-lo estudar na Bahia (à época, assim se costumava chamar Salvador, a capital do estado da Bahia).
Todas as facilidades foram efetivadas e todas as vontades satisfeitas para que ele estudasse. À época eram duas as alternativas para que os filhos das famílias de posses se instalassem na capital com essa finalidade: colégio interno ou hospedagem em repúblicas de estudantes, e Carlos, é óbvio, optou pela segunda alternativa. Foi o paraíso; ali encontrou todas as facilidades para ampliar sua vida de rico herdeiro, com uma leveza extraordinária; no próprio entorno da república, localizada na Rua Carlos Gomes, centro da cidade, onde morava boa parte da elite da sociedade baiana, existiam bordéis de luxo e os famosos “castelos”, onde ele costumava varar as madrugadas dançando e perdendo o dinheiro que o pai lhe facilitava ao dar crédito ilimitado numa das joalherias elegantes da cidade, talvez pela escassez de bancos. No mais famoso desses “castelos”, o Tabaris, que contratava dançarinas de luxo vindas da Europa, e boas orquestras, era o nosso Fred Astaire, conhecido como pé de valsa e pródigo 'pagador'.
Outro conforto facilitado pelo pai era possuir um automóvel , importado à época, porque ainda não tínhamos indústria automobilística; o dele era uma baratinha vermelha, conversível, que fazia a diferença!
Diante de todos esses objetos de sedução, como ter tempo para coisas prosaicas e desprovidas de aventura, como estudar? Pouco ia nosso notívago ao colégio e quando ao final do ano o pai vinha do interior com os dedos poluídos de anéis com enormes brilhantes, saber o resultado daquele período escolar, cheio de esperanças, recebia, não raro, a notícia de que seu filho tinha levado bomba, até porque pouco tinha frequentado as aulas. Ele mesmo contava que certa vez, cansado de ter notícias desalentadoras diante dos resultados de outros rapazes, o pai perguntara ao diretor:
- mas meu filho não recebe nem uma medalha de sabão?
O semblante do diretor deu-lhe muda resposta. Mas tudo se repetia a cada ano letivo que se iniciava, depois de muitas promessas de mudança de vida...até que um dia o velho pai cansou de sonhar em ter seu filho “dotô”, e resolveu comunicar-lhe que não voltaria a estudar na Bahia no próximo ano, para destruir o patrimônio que ele construíra com tanta determinação e trabalho. Queria vida de esbórnia? Pois a teria trabalhando duro no seu garimpo para receber a lição que merecia, sem nenhuma regalia de filho do dono. E ai, sim, “poderia jogar todo o dinheiro que ganhasse na lata do lixo”. Aquela decisão foi dura para o velho; chorou de pesar ao desistir daquele sonho.
O jovem Carlos era forte como um touro mestiço; um espécime de estatura acima da média, fortes músculos que exercitava lutando boxe, belos olhos azuis que sobressaiam sobre a pele morena como a da mãe e mais dourada ainda quando voltava à Chapada; os cabelos eram lisos, não apenas por causa dessa ascendência indígena, vez que o pai era descendente de holandeses.
Pois, muito estimulado pela possibilidade de trabalhar na lavra e conviver com o dia a dia dos garimpeiros, uma novidade excitante e romantizada em sua cabeça, foi ele para aquela rotina desumanizadora. Daquela luta só conhecia o brilho dos diamantes já lapidados, que lhe garantiam toda sorte de luxos.
O que sempre ocorre com essa realidade das corridas seja ao ouro, ao diamante ou qualquer riqueza que prometa o Eldorado, é que para esses lugares acorrem pessoas de toda qualidade; as que têm um sonho e trabalham duramente, apertando o cinto para economizar os tostões, passando até privações, torcendo também para “darem um bambúrrio” e mudarem a vida para sempre, até aquelas de pior espécie, que têm a maldade impregnada na alma; bandidos e facínoras cuja intenção é enganar, destruir e matar para roubar o mísero resultado de dias e dias de trabalho dentro das grotas, neste caso, em busca frenética, e o sonho na ponta dos dedos, na menina dos olhos, na lágrima causada pela dor dos ferimentos e da fome, e do frio.
Foi assim na Califórnia (USA), de 1848 a 1855, em que o fenômeno denominado “febre do ouro”, gerou uma violência tão cruel promovida por brancos que instalaram um tão absurdo estado de violência estimulado pela intolerância, principalmente contra os chilenos, que na escuridão da noite, excitados pela ganância, bebidas, festas e outros estímulos, saiam para caçá-los até a morte, inclusive à suas famílias, e levarem todo o fruto do trabalho duro, de privações e toda sorte de sofrimentos e sonhos acalentados.
Na Chapada a situação foi algo semelhante.
Ao final do século XIX o novo regime político ( República ) trouxera mudanças profundas e o medo deu origem ao “coronelismo”. O governo, como alternativa de convivência com o sertanejo, começara a vender patentes da Guarda Nacional - de até coronel -, nomeando-os para ocuparem cargos na administração federal, o que fomentou uma guerra entre os coronéis de Minas Gerais e da Bahia. O lado vencedor, liderado pelo coronel Horácio de Matos, foi considerado o grande líder na região, porque os mineiros serranos do lado de lá representavam grande população nos garimpos da Chapada, apesar de saírem daqui da Bahia as toneladas de ouro e diamantes para a Europa e todo o mundo, ainda que as Minas Gerais fossem também uma região de subsolo muito rico e de lavra...
Para o Coronel Herculano não foi diferente; após receber a patente à qual sua imensa fortuna fazia jus, depois de ter realizado o perseguido sonho de ter aquele filho e herdeiro, tratou de organizar o seu exército particular; os jagunços que fariam a sua segurança e a segurança da busca frenética dos diamantes no seu próprio garimpo...
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...deu-me figos e castanhas vinho doce como água de regato e nada precisou ser dito por interferência dos deuses nos uniu a Eternidade...
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As cores eram mornas e suaves como saidas de um sonho crepuscular... não ousei perturbar a quietude daquele quase sono e permaneci imersa re...
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