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Acerca de Reencarnação...

  Relacionamentos, de qualquer natureza, são uma construção, embora influenciados por experiências de outras vidas, ou seja, não importando ...

quinta-feira, dezembro 03, 2009

Sem âncoras... (guacira maciel)

Batido ao vento
barcos à deriva
sem âncoras
entremeados
da solenidade dos verdes dos musgos
agarrados aos cascos
como crustáceos à pedra
já não tem sentido o cais
ventos pagãos
roçam a tua tez
e saboreio nela a brisa escorrida
com cheiro de maresia
misturado ao teu arfar cansado
aceso
o hálito doce
impede-me o sono
atormentada anseio
por te ter na boca
à madrugada
pelas janelas escancaradas
como sinto teus poros,
lavradas em cristal,
penetram-me borbulhas de mar
antegozando o favo
e meus pés entrelaçados aos teus
cansados
mornos
divindade
casto
louco
pousas
mergulhas
danças
avaporas-te

terça-feira, dezembro 01, 2009

Menina iris (guacira maciel)

Olha-me...
grava na retina
um semblante dolorido
perplexo
a surpresa da compreensão do nada afinal...
olha-me hoje
aguardo-te verter
um vislumbre de luz
sobre esta imagem
que já estará perdida
nos escombros
que construíste como proteção
e percebe que sou
a outra parte da tua alma
perdendo-se...
não quero mais a fúria da verdade
aliás não há verdade
há corpos vazios
que secam no presente
e se esvaem...
insisto na maldade de dizer tudo
e busco os signos
de algum entendimento.
a menina iris
dos meus olhos
se curvou cabisbaixa
abraçando os joelhos
sobre a antiga balaustrada
alegre dos seios fartos
angustiada e solitária
estás cego...
não há circo
nem palhaços no picadeiro
a ribalta está escura.
desce
já trocaste a tua máscara
pela definitiva face
está escuro...

segunda-feira, novembro 30, 2009

Aquece-te... (guacira maciel)

Não te apresses
não dilaceres
o eterno
nas garras fugazes
da paixão
na voluptuosidade
não cabe a impaciência
aquece-te
arde
na gradual excitação
que antecede
o amor no ato
fundamental
antes
amar
um estado de coragem
colhe a rubra
flor dos sentidos
na surpresa do toque
revelado em Vênus
mas tarde-se o fato

quarta-feira, novembro 25, 2009

"A bofetada..." (guacira maciel)



Até agora nunca havia pensado em escrever nada relacionado com a dramaturgia sob qualquer aspecto e muito menos sobre novelas de televisão, porque é um assunto que não ocupa a minha cabeça e também porque não tenho paciência para acompanhá-las por meses a fio...
Porém, como por acaso havia assistido o capítulo “da bofetada”, no domingo, em frente ao mar, pude participar de um papo bem interessante sobre a questão, envolvendo o ultimo número (47 de 26 de nov. 2009) da Revista Veja, e fui acometida de uma estranha comichão que me levou a fazer estas ponderações aqui, acerca de algumas questões recorrentes no cenário brasileiro, a partir da novela “Viver a vida”.
O mote da nossa discussão foi o posicionamento, “no site da CUT, da Sra. Maria Júlia Nogueira, secretária da central sindical” de que “a Globo humilha os negros no mês da consciência negra”, trazendo à tona, mais uma vez, essa incapacidade de superação que mantém reféns pessoas que precisam por si mesmas se sentir iguais, sem nenhum sentimento de comiseração por parte de outrem. Pois não é isso que buscamos no nosso país mestiço? Não é essa consciência de igualdade entre os seres? Por que, então, sempre tendemos a voltar no tempo, parecendo que gostamos de nos sentir menores?
Por maioria as pessoas do grupo, indignadas, consideraram um despropósito o comentário dessa senhora. A um dos presentes, negro, pareceu que fora do mês da consciência negra seria admissível tal desrespeito(? ). Para ela a bofetada levada por Helena a colocaria numa posição qualificada como tipicamente do escravo em posição de submissão diante do escravizador(?). E por que, quando ela (Helena) deu um sonoro tabefe em sua chatíssima enteada, Luciana, ninguém manifestou qualquer sentimento de abuso, ou de segregação?

O diferencial é que a atriz que encarna Helena foi escolhida para protagonista em um horário nobre, representando uma mulher de sucesso numa carreira difícil, sem ter tido necessidade de levantar nenhuma bandeira; só isso!
Agora, achei de péssimo gosto (no mínimo) um ser humano se quedar ajoelhada diante de um semelhante a pedir perdão...horrível, seja o sujeito da etnia que for! até porque, ambas estavam impregnadas de dores anteriores e, portanto, de culpas intimas, pessoais, não cabendo ali tal pedido. Por que Tereza (a ex mulher) colocou sobre ombros alheios tamanha responsabilidade? na verdade, por ter identificado em Helena uma culpa muito semelhante à sua? Muita coisa a ser repensada...
Entretanto, uma outra análise, isenta, precisa ser feita acerca do trabalho da atriz (que encarna Helena), até agora sem qualquer consistência, em que pese seus bons desempenhos em trabalhos anteriores, principalmente um bem recente, na pele da dolorida e rebelde filha de um personagem muito conhecido da vida real brasileira, o corrupto político (um deputado.....). A Helena vem sendo representada com absoluta brandura (em uma nota só), fato que atribuo ao pouco tempo para elaboração interna das boas experiências anteriores vividas pela atriz, de forma a que pudesse amadurecer o necessário para protagonizá-lo com plenitude.
Aliás, não fora a percepção (ou não) do autor de precisar conferir mais dramaticidade ao papel da moça - que já implorava o próprio óbito, e nem digo-o por causa das Helenas anteriores, quem sabe até sofrendo ela mesma, o acidente em lugar da mimada Luciana - terminando por dar uma guinada no destino da novela, a nossa Helena, de qualquer jeito, terminaria por morrer afogada no próprio vale de lágrimas...

terça-feira, novembro 03, 2009

Geografias... (guacira maciel)

Conheço a geografia física do teu corpo
que se integra ao meu na química
mágica da alquimia
conheço o teu relevo
desde as texturas que protegem a tua pele
as nuances de cores que suaves
aprofundam o encontro das nascentes
até o gosto de cada região
me banho na fluidez
que escorre da tua emoção represada
tentando conter o empuxo natural
que prefere cumprir o vaticínio do encontro
na ondulação das marés
conheço os sinais das mudanças de estação
no teu semblante
e na desarmonia do toque apressado dos teus dedos
posso tocar o esgarçar de nuvens suaves no teu sorriso
correr atrás das borboletas azuis do teu olhar
e me retrair aos nimbos escuros do teu medo
mas
sobretudo
reconheço a antiga
e eterna geografia da tua essência
refletida nos raios dourados
que teimosos colorem
as frestas azuis
por onde escapa tímida a tua alma

sexta-feira, outubro 23, 2009

Sereias; fragmento de "Penélope". (guacira maciel)

As Sereias sempre exerceram e continuam a exercer um tremendo poder de sedução comum a todos - não apenas aos homens - por sua natureza misteriosa; uma espécie de chave de uma incógnita: duas metades de seres completamente estranhos um ao outro (mulher e peixe). No episódio da volta de Ulisses à casa, a sedução do canto das Sereias punha em grande perigo sua vida, e ele só lhe resistiu por encontrar-se amarrado ao mastro da embarcação. Na tentativa de explicar a questão, poderíamos nos reportar aos mitos, como já fizeram outros autores, usando algumas interessantes analogias sujeitas às possibilidades de interpretação e, neste caso, as submissões do homem quanto a suas necessidades/ dificuldades de assumir uma identidade, também já analisado por Freud.
Isso é tão forte, talvez pela própria ausência de explicação, de desvendamento, que apesar de meu foco aqui ter sido, inicialmente, a mulher Penélope e seu comportamento naquela sociedade, me vi seduzida e fascinada também pelo que ocorreu com Ulisses (o meu canto da sereia...).
Sabe-se que após retornar do Hades, ele voltou à mansão da feiticeira, que, preocupada, o instruiu a resistir ao perigoso e mortífero canto das Sereias no caminho de volta para casa, embora ele mesmo não tivesse demonstrado preocupação, talvez pela ânsia de reencontrar a mulher e o filho.
O que representava o verdadeiro perigo não eram as Sereias, mas o seu canto; portanto, a sedução, o encantamento se dava através dele; razão pela qual a deusa dissera a Ulisses que os ouvidos dos seus tripulantes deveriam ser tapados com cera, e ele amarrado ao mastro da embarcação, já que decidira ouvi-lo. E recomendou que não poderia ser desamarrado fosse qual fosse o apelo que fizesse. Entretanto, na hora em que a melodia embriagadora lhe chegou aos ouvidos, Ulisses, desesperado, bradou, gritou ordens superiores aos homens, que, tendo os ouvidos tapados não puderam obedecer-lhe. Também acho importante chamar a atenção para a sedução que a música (o canto, no caso), a arte, vem exercendo sobre as pessoas através dos tempos e não vou resistir em fazer uma analogia com o que disse em sua obra, tanto Erasmo, como Nietishe e tantos outros, e até o próprio Platão (embora contraditório), sobre sua influência na vida das pessoas.
O mais importante, uma vez que os mitos se constituem um dos caminhos de desvendamento das nossas questões, é que a obra nos apresenta muitas possibilidades de análise: Adorno e Horkheimer, por exemplo, nos conduzem ao Iluminismo/Esclarecimento e aos processos de submissão/dominação do mito pela razão; as angústias da natureza interior e exterior do homem, como o medo da morte, sua fragilidade perante a natureza e perante o poder de poucos, exercido sobre a maioria. Percebendo-se que o Esclarecimento, em “em vez de livrar os homens do medo e investi-los na posição de senhores” como era a proposta do Iluminismo, permanece submetendo-os à dominação pelas várias formas de poder...

domingo, agosto 02, 2009

CONVITE...(aceito!)

Whohub para mim
mostrar detalhes 27 jul (6 dias atrás)

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