Morre o pai e companheiro inseparável, depois de tantos anos de vida juntos...no dia do velório, toda a família confrangida orava unida pedindo pelo descanso eterno...as irmãs da pobre viúva, com os rostos encobertos pelo pesar, desempenhavam o papel que delas era esperado... mas a dita cuja dava mostras, muito mais de preocupação que tristeza no semblante fechado; parecia absorta em pensamentos insondáveis para quem a olhasse. Pensava na própria situação e fazia um esforço sobre-humano para disfarçar e concentrar-se nas orações, nas demonstrações de pesar pelo falecimento do amigo, colega, vizinho... ali perto em contritos pensamentos e lembranças da infância, estava a unica filha, menina tranquila e contemplativa...ao olhá-la dir-se-ia estar perdida em suas lembraças de criança junto ao amoroso pai...o ambiente estava completo em todas as perspectivas inerentes à situação. Inesperadamente, a mocinha é arrancada daquele torpor e pergunta à mãe, com o rosto afetado pela dor: - Mãe, por que você não manda cremar o papai? Uma espécie de loucura repentina parece ter acometido a aparência controlada da senhora, que, passando a mãos sobre os olhos para desanuviar a visão, respondeu, quase aos berros: - Você está maluca, menina? onde eu vou arranjar dinheiro para cremar seu pai? isso é muito caro! tá pensando que eu fiquei rica? ele não morreu? pois vai ficar é debaixo da terra mesmo!... Os presentes, tomados de espanto, começaram a rir discretamente tentando disfarçar, enquanto as irmãs da descontrolada, faziam o possível para acalmá-la abraçando-a e dando-lhe pequenos apertos na tentativa de evitar que o vexame se prolongasse. Depois do ocorrido todos pareciam calmos e ter compreendido aquele surto, mas o clima adquiriu uma conotação tragicômica e para evitar outros constrangimentos, a família resolveu chegar logo aos finalmente...Assunto enterrado!
Este espaço foi criado para me aproximar das pessoas que têm interesse pela poética, como um mundo de possibilidades a ser conhecido, inclusive, relacionando-o com as chamadas "exatas", que, veremos, não são tão exatas assim. Contém o meu pensar sobre cultura, ciência e sua relação com o mundo, e a chance de um olhar mais amplo sobre ele e suas questões. Está aberto aos comentários, às opiniões divergentes, às discussões e a tudo que nos permita essa amplitude.
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Um comentário:
Moça, na realidade, a cremação ainda é um grande tabu... Até eu quando se fala nisso tremo nas baes. kkkkkk
O Sibarita
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