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sábado, junho 18, 2011

Casca de noz (guacira maciel)

As madrugadas me são extremamente reveladoras e profícuas em suas possibilidades após o primeiro restaurador e profundo sono; são as horas em que mais me aprofundo nas questões, me torno extremamente suscetível, criativa, cheia de energia e lúcida. Não é a toa que sempre gostei de fazer amor de madrugada...



Como de hábito, estou lendo dois livros ao mesmo tempo – quando não são três – porque, no fundo, percebo que eles jamais se estranham em sua essência o que sempre me conduz a encontrar profundos elos entre os assuntos de que tratam, ainda que pareçam nada ter um com o outro; dessa vez não foi diferente. Invariavelmente, cada momento desses é novo e nunca deixo de me surpreender, nem de registrar minhas impressões.Encontro-me lendo o livro de Stephen Hawking, “O Universo numa casca de noz” e o “Rosto de Shakespeare”, de Stephanie Nolen. Ambos são fantásticos e cada um me tem mostrado um mundo que embora não seja novo, oferece oportunidade de entender coisas que já conheço, sob um ângulo novo e de encontrar elos inimagináveis entre eles e entre eles e a vida, como um todo. Incrivelmente, a primeira obra acima citada, parece ter sido inspirada pela segunda, pois há nela uma referência de Hamlet (ato 2, cena 2), “ eu poderia viver recluso numa casca de noz e me considerar rei do espaço infinito”, que nos remete ao universo da Teoria da Relatividade (e da Mecânica Quântica) que se vem mostrando mais fantástica que a mais elaborada e criativa ficção; um conhecimento com que, à época, Shakespeare nem poderia, sequer, vir a imaginar que pudesse ser uma das teorias mais prováveis para explicar o Universo. Ora, Hamlet foi escrita no século XVI, mas sabemos que seu criador, em suas obras, especificamente esta, (mas também outras, como Macbeth, Noites de Reis, etc.), mesmo retratando o cotidiano das pessoas que assistiam suas peças, inicialmente pessoas simples do seu meio social – a classe dos atores e dramaturgos, que viviam na “decadente margem sul do Tâmisa”, da qual Shakespeare só emigrou vagarosamente, começando a divertir a corte a partir do período Elisabetano, embora sem dela fazer parte – cujas questões humanas se referiam ao amor, casamento, nascimento e morte, levou a reflexão sobre as relações entre pessoas de diferentes classes sociais, provocando questionamentos sobre a origem e finalidade da vida e sua transcendência. Assim, penetrou num pensamento mais elaborado em que muitas questões estavam por ser respondidas, mas se configurava fundamental serem feitas.O mais encantador, ou intrigante, no mínimo, é que só muito mais tarde, grandes homens de ciência, a exemplo de Einstein, Stephen Hawking, Fritjof Capra, entre muitos outros, pensaram e se fizeram perguntas semelhantes e buscaram respostas, agora já tendo em mãos elementos e tecnologia que os ajudaram e ajudam a fazer isso, embora sabendo que estamos apenas no início da meada, e que ainda existem muitos mistérios a serem desvendados.O mundo estar contido numa casca de noz poderia ter alguns envolvimentos, não apenas com as viagens realizadas no espaço-tempo em escala microscópica. Então, não caberia nos perguntarmos se essas teorias (Relatividade e M. Quântica, entre outras), tão logo novos avanços da ciência e da tecnologia sejam realizados, nos permitiriam, afinal, construir uma máquina do tempo? Entendendo assim, também não teríamos imensas possibilidades de, com esses mesmos avanços, chegar a um nível de conhecimento do cérebro e da consciência, que evidenciasse uma possibilidade gigantesca de se fazer viagens infinitas nessa fantástica máquina natural que é esse desconhecido? Uma espécie de viagem intra cérebro, ou endocerebral? Particularmente, esta ultima seria ainda mais viável e menos complicada, se sabemos que o próprio Einstein usou a maior parte dos seus últimos anos tentando, infrutiferamente, demonstrar uma teoria unificada, aliado ao fato de que ele se recusou a acreditar na realidade da M. Quântica, ainda que tenha percebido que a incerteza era o princípio fundamental do universo, e uma teoria unificada devesse incorporá-lo. Aliado a isso, todo dia os cientistas apontam uma nova e instável aurora, se sabemos que no início do século XX, por exemplo, acreditava-se que tudo poderia ser explicado a partir das propriedades da matéria contínua, como a elasticidade e a condução térmica. Entretanto, o conhecimento da estrutura atômica e do princípio da incerteza acabou com essa linearidade. Já em 1928, o cientista Max Born, Prêmio Nobel, teria dito que a Física que se conhecia estaria acabada em seis meses; sua afirmação se baseava na nova descoberta de Dirac, da equação que determinava o elétron e que, portanto, uma semelhante determinaria o próton - a outra partícula conhecida - mas o advento do nêutron e das forças nucleares também derrubaram essa certeza. Apesar dessa transitoriedade científica e dessa incapacidade, até agora, de 'aprisionar' certos conhecimentos, crêm os cientistas que é possível que se esteja perto de chegar às leis definitivas que regem a natureza.Mas, e o cérebro? Chegaremos um dia a conhecê-lo em sua totalidade? Sei não... fico seduzida pela possibilidade de que poderíamos compreender tantas coisas que se constituem mistério; em sendo assim, depois que tivéssemos descortinado o último véu, teríamos, então, a chave da vida... Seria esse o meu desejo, ou apenas me seduz a busca?Voltemos a Shakespeare...O tempo me intriga, fundamentalmente... Como e o que teria encaminhado Hamlet a falar de algo cuja teoria só se falaria séculos depois? sabe-se, comprovadamente, que os tempos de duas pessoas em movimento não são iguais e que cada um tem o seu tempo pessoal. Àquela época a teoria sobre a velocidade da luz e a teoria quântica nem eram um sonho na cabeça desses homens maravilhosos...os gênios do pensamento... Nada me fascina tanto quanto o tempo, porque o espaço, o telescópio Hubble e outros instrumentos, já confirmaram que continua e continua... Como a Literatura (Arte) se insere nesse contexto e traz à tona um fragmento de algo que sequer tinha sido formulado? E não foi um acaso, isso não exite. O noso cérebro é um universo de uma complexidade ainda inexplicável, mas eu ainda preciso de respostas...
Sei agora não as terei...pode ser que Hamlet quisesse dizer o que seu criador já tivesse experimentado a nossa limitação física e a incompatibilidade desta com a nossa mente, que está livre para as mais incompreensíveis, as mais inexplicáveis e enigmáticas percepções na exploração do seu tempo pessoal e avançar com uma audácia só possível à Arte...
(Em outro momento vamos refletir sobra essa questão, trazendo o genial Nikola Tesla, que teve fantásticas experiências mentais acerca dos seus inventos; quase todos os que o mundo conhece, aos quais são dados padrastos...)

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