Da mais alta janela da minha casa, com um lenço branco, digo adeus aos meus versos que partem para a humanidade. E não estou alegre nem triste; este é o destino dos versos [...]. Quem sabe quem os lerá? Quem sabe a que mãos irão? Fernando Pessoa.

Obs. usando a autonomia que a licença poética e a própria cultura brasileira me permitem, não adoto linearmente essa segunda outorga (arbitrária) da língua portuguesa.


domingo, dezembro 02, 2012

Velho Chico (Guacira Maciel)

Conheci o belo Francisco
outrora audaz vigoroso                                    
hoje pra nós Velho Chico
qual um jovem ainda belo                               
mas bem menos caudaloso                              
águas claras quase azuis                                 
refletem o céu do sertão                                  
porém já não consegue tirar                                                        
o caboclo dali o pão                                          
como o Nilo seu irmão                                       
margens férteis após a cheia                            
igual útero em tenra idade                          
a semente em tempo plantada                                                  
germinava floria e dava                                                                
tanto grão que nem areia                                   
agora sangram suas entranhas
matam as suas lendas
pescam na Piracema
destroçam o habitat
e as matas ciliares
onde a fauna do velho rio
sempre teve os seus lares
o vapor no Velho Chico
já não pode navegar
e a população ribeirinha
que quando o via passar
acenava num gesto amigo
já não tem essa alegria
que a novidade trazia
pois não vão ouví-lo apitar
é preciso providência
tomada de consciência
enquanto se pode tomar
depois do Velho Chico sem água
e a nuvem que não deságua
não dá pra chorar a mágoa
e o caminho retomar...

Um comentário:

O Sibarita disse...

Rapaazz! kkkk O que há de se comentar sobre o Velho Chico redentor do Nordeste se vc já disse tudo no seu belo poema?

É orar, rezar para que o homem tome consciencia...

PORRETA!

O Sibarita