Da mais alta janela da minha casa, com um lenço branco, digo adeus aos meus versos que partem para a humanidade. E não estou alegre nem triste; este é o destino dos versos [...]. Quem sabe quem os lerá? Quem sabe a que mãos irão? Fernando Pessoa.

Obs. usando a autonomia que a licença poética e a própria cultura brasileira me permitem, não adoto linearmente essa segunda outorga (arbitrária) da língua portuguesa.


terça-feira, janeiro 17, 2012

Uma rosa...(guacira maciel)

Não sou apenas uma rosa
do Oriente emerge o meu mistério
anêmona divina
cupido deu-me espinhos
que me protegem a inocência
sou taça onde as almas sorvem o líquido primordial
e se embriaga o homem
guardo em mim
o segredo do sagrado
e a volúpia do profano
na rubra entrega da carne, sangue e sexo
contida em meus perfumes
endorfina que satisfaz os mil sentidos
fêmina divina
sagrado gineceu
na alquimia ancestre
se alva
símbolo da pequena obra
se rubra
tinta pelo sangue de Afrodite
gota a gota derramado sobre seu amado
sou a Pedra Filosofal.

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