Da mais alta janela da minha casa, com um lenço branco, digo adeus aos meus versos que partem para a humanidade. E não estou alegre nem triste; este é o destino dos versos [...]. Quem sabe quem os lerá? Quem sabe a que mãos irão? Fernando Pessoa.

Obs. usando a autonomia que a licença poética e a própria cultura brasileira me permitem, não adoto linearmente essa segunda outorga (arbitrária) da língua portuguesa.


sexta-feira, outubro 08, 2010

Qual é a nossa história, afinal? - I - (guacira maciel)

O frevo é africano. Qual não foi a surpresa do médico baiano Paulo Fernando de Moraes Farias (e a minha) - que entendendo que para conhecer a África como África e não como Brasil teria que ir lá - ao ouvir, paralisado (se isso for possível), numa festa de casamento no Mali, um grupo de músicos da Costa do Marfim tocar um frevo rasgado?
A partir daí comecei a questionar outros conhecimentos da nossa cultura; também me questiono se o nosso país é híbrido, ou profundamente ambíguo... O que, realmente, constitui a nossa identidade como povo, se o que consideramos nossos símbolos, não são apresentados em sua versão verdadeira, ainda que não genuinamente nossos?
A disseminação, e insistência em fazê-lo, de uma história distorcida por interpretações errôneas e tendenciosas, trouxe como legado a construção de uma memória com raízes flutuantes. Quem somos nós, povo brasileiro? Qual a nossa verdadeira história? O que, na nossa cultura é mito, lenda, distorção, ou fruto de interpretação, muitas vezes preconceituosa, já que, invariavelmente a versão se sobrepõe ao fato histórico, com a finalidade de atender interesses inconfessáveis?
Como educadora me pergunto ainda por que continuamos a divulgar entre nossos jovens uma história falsa, tendenciosa, mitológica e recheada de monstros sagrados inventados. A história contada nos livros didáticos é da carochinha, porque se fundamenta em “causos” sobre personagens fictícios. Urge dessacralizar essa construção contando a verdadeira, ainda que híbrida. Precisamos construir nossa identidade baseada numa verdade, e fincar nossas raízes em solo firme, para que elas possam se aprofundar, se fortalecer e ramificar, levando esse povo a ter orgulho do que realmente é. Partindo dessa compreensão e entendendo a necessidade de reunir coragem para isso, nomearei alguns mitos construídos por interesses historicamente referendados; neste caso, não procede o fato de que, por ser aceita por todo um povo através dos séculos, ela terminará por se tornar uma verdade.Assim, relatarei algumas dessas distorções que considero graves, porque se tornaram alicerce para uma grande mentira...

(vamos continuar...)

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