Da mais alta janela da minha casa, com um lenço branco, digo adeus aos meus versos que partem para a humanidade. E não estou alegre nem triste; este é o destino dos versos [...]. Quem sabe quem os lerá? Quem sabe a que mãos irão? Fernando Pessoa.

Obs. usando a autonomia que a licença poética e a própria cultura brasileira me permitem, não adoto linearmente essa segunda outorga (arbitrária) da língua portuguesa.


terça-feira, março 23, 2010

Cerebração (guacira maciel)

A sensibilidade presente em mim
transporta-me nas asas do “adágio em sol menor” de Albinoni
e na sonoridade etérea do mais puro cristal
a minha alma vagueia
percebo em meio ao desconsolo
dos tons pasteis
e do suave arfar do peito ainda dolorido
uma possibilidade de esquecimento
receosa
vasculho o universo
sem me deter em antigo porto
sou uma viajante do futuro
mas antigas paisagens
teimam em voltar sorrateiramente
guiando-me como uma cerebração
usando como cidadela
firme construção de pedras
da minha vontade consciente
rejeito-as todas
e logo salto na parada mais próxima
que hoje considero segura....

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