Da mais alta janela da minha casa, com um lenço branco, digo adeus aos meus versos que partem para a humanidade. E não estou alegre nem triste; este é o destino dos versos [...]. Quem sabe quem os lerá? Quem sabe a que mãos irão? Fernando Pessoa.

Obs. usando a autonomia que a licença poética e a própria cultura brasileira me permitem, não adoto linearmente essa segunda outorga (arbitrária) da língua portuguesa.


domingo, dezembro 06, 2009

Em botão... (guacira maciel)


A mucosa da minha boca
ainda retém o gosto
das palavras em botão
agora flor despetalada
ditas em fluxo rubro
hemorrágico
nascido das tuas profundezas
ora barcos a vela
ora preamares
em horizontes sem limites
abertos selváticos
expostos à pálida luz
restos nostálgicos
da recente cópula de outro poema
vivida entre o sol e a lua
na pele do meu rosto
ainda escaldante
as impressões das tuas mãos suaves
pérfida seda
cujos toques eram sonoros
em minh’alma
acima das nossas cabeças
o teto de infinito azul
gazebo imaginário
não abrigava dos ventos oceânicos
os meus cabelos
refrescados intempestivamente
cegando meus olhos
se derramaram lágrimas
nascidas no coração
como enchentes dos teus
nossos segredos revelados
na geografia das nossas almas
cujas aversão à solidão
nos fizeram voltar e voltar
são o enigma que nos fascina
e nos obriga a retornar das auroras
ao crepúsculo
como pequeninos pontos
imóveis ao olhar de quem fica.

2 comentários:

O Sibarita disse...

Ô Fia! kkk Porreta mesmo seu poema!

Eita coração apaixonado, mas, o dizer despetalado pode e dever ser florescido em nova primavera, né não? kkkkkk

Repare, se ligue... kkkkkk

bjs
O Sibarita

Guacira Maciel disse...

Oi, querido...obrigada.
Sem dúvida uma outra primavera (ou verão...).
Beijo.