Da mais alta janela da minha casa, com um lenço branco, digo adeus aos meus versos que partem para a humanidade. E não estou alegre nem triste; este é o destino dos versos [...]. Quem sabe quem os lerá? Quem sabe a que mãos irão? Fernando Pessoa.

Obs. usando a autonomia que a licença poética e a própria cultura brasileira me permitem, não adoto linearmente essa segunda outorga (arbitrária) da língua portuguesa.


quinta-feira, maio 23, 2013

Sobre os telhados (Guacira Maciel)

Sobre as velhas telhas
pedaços aconchegados de história
pairo sonâmbula
na cabeça a música barroca
se debate eclusa
a noite cai silenciosa e alaranjada
mais um pouco o brilho da lua prateia
a argamassa de musgos
e reconstroi o espectro
do teu semblante
mas é só uma lembrança difusa
és mestre em ilusões
o teu fantasma lunar assombra-me
como a gestar o próprio corpo em mim
perversamente
respiro forte e te expulso
da minha presença
és só uma lembrança
reafirmo
colada à minha alma
qual canto canta o imperfeito (?)
ah...dá-me a luz do dia
apaga do meu ser
esse olhar sem sonhos
e ainda bem que amanheço
com a fecunda lucidez
e os fantasmas
são só cansadas telhas...



Um comentário:

DE-PROPOSITO disse...

Ser poeta é sonhar. E, através da poesia transmitimos o que nos vai na alma.
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Felicidades
Manuel