Da mais alta janela da minha casa, com um lenço branco, digo adeus aos meus versos que partem para a humanidade. E não estou alegre nem triste; este é o destino dos versos [...]. Quem sabe quem os lerá? Quem sabe a que mãos irão? Fernando Pessoa.

Obs. usando a autonomia que a licença poética e a própria cultura brasileira me permitem, não adoto linearmente essa segunda outorga (arbitrária) da língua portuguesa.


terça-feira, julho 17, 2012

Solstício (Guacira)

As horas passam lentamente
e te espero
porque sei que vais chegar
ainda uma vez meu coração se inquieta
e começo a ser feliz
porque sei que vais chegar
reconheço em tua voz
uma urgência que está em nós
as horas tornam-se umidas
pegajosas
e percorrem meu corpo com crueldade
nesse compasso inane revivo a poesia do primeiro encontro
a cor pálida do tempo se esvai e o dia se colore
no silêncio interior e imperturbável dessa espera
anseio pelas ondulações dos nossos corpos como as vagas da maré
que se expande sobre as areias serenas e mornas
tudo parece o roteiro de um filme de suspense
estou ali ausente
um tumulto humano me tortura a alma em solstício estrangeiro
te espero
e nem sei se vais chegar...

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