Da mais alta janela da minha casa, com um lenço branco, digo adeus aos meus versos que partem para a humanidade. E não estou alegre nem triste; este é o destino dos versos [...]. Quem sabe quem os lerá? Quem sabe a que mãos irão? Fernando Pessoa.

Obs. usando a autonomia que a licença poética e a própria cultura brasileira me permitem, não adoto linearmente essa segunda outorga (arbitrária) da língua portuguesa.


domingo, agosto 07, 2011

"Beijar seus pés..." (guacira maciel)

Jamais pude me relacionar muito bem com as máquinas, de lavar, de cozer, de café, de escrever, por entender o ser humano a obra prima da Criação; aquela que continua a me intrigar, me surpreender, me enriquecer, me instigar e até me enganar. E quanto mais vivo, mais tenho consciência dessa realidade. Mas o computador!...
Entretanto, por mais paradoxal que possa parecer, esse mesmo homem, criatura perfeita em sua essência, não entendeu ainda que é pequeno demais diante do poder e do talento do seu Criador. Cada dia tenho mais e mais consciência de que não sabemos nada e nada controlamos. Do nascimento até a morte, a vida é um percurso, um constante processo de aprendizagem, e quando chegarmos ao fim teremos a sensação de que muito teríamos ainda que aprender. No meu percurso, aprendi duas coisas (pelo menos...): que esse é o ponto de partida, a grande sabedoria do pequeno ser; e que o grande saque é calar e ouvir o que o universo tem a dizer, porque tudo é grande demais para nossa compreensão imediata. O bem e o mal não têm vida própria, ou melhor, não ocorrem espontaneamente; eles são uma decisão nossa; uma escolha do homem, e consequência das atitudes que tomamos diante da vida.
Neste momento, estou procurando entender porque a máquina, que algumas vezes abomino, por mãos alheias, trouxe à minha vida a presença de um ser mais jovem, que trilhará caminhos pelos quais eu talvez já tenha passado, embora não necessariamente pelo mesmo percurso. Não sei se ele tem consciência do que digo aqui, se eu mesma não sei a razão de tudo isso. É mais sábio silenciar para poder escutar, porque não tenho respostas prontas, nem o que ensinar, e já aprendi que nada acontece por acaso. Em sua imensa sabedoria, o Criador passou a usar um meio bem contemporâneo para continuar ensinando-me lições que ainda tenho que aprender; lições de amor, que são a essência da vida, e a síntese de todos os Seus ensinamentos.
Talvez eu devesse começar esta crônica assim: era uma vez o amor, que pode estar contido nos quatro elementos e em todos os sentidos: amor de amigos, de amantes, pais e filhos, amor universal... Fato é que pude sentir carícia de pele macia... vi a lua cheia no mar e a cidade vazia...
Mas não me saiu da cabeça o olhar daquela mulher, como eu, ao dizer em voz surpreendentemente emocionada e mesmo dramática: “me dê uma esmola!...se a senhora quiser, posso beijar seus pés...”
Até hoje não consegui compreender....

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