Da mais alta janela da minha casa, com um lenço branco, digo adeus aos meus versos que partem para a humanidade. E não estou alegre nem triste; este é o destino dos versos [...]. Quem sabe quem os lerá? Quem sabe a que mãos irão? Fernando Pessoa.

Obs. usando a autonomia que a licença poética e a própria cultura brasileira me permitem, não adoto linearmente essa segunda outorga (arbitrária) da língua portuguesa.


quinta-feira, junho 17, 2010

Univerdal arbitrário (guacira maciel)


Passo...
dentro do meu carro
vidro fechado ar condicionado
porta travada som ligado
passo...
a música me traz lembranças
e divago...
mal me dou conta
do sinal fechado...
agora
quem passa é a massa
nem percebo vidas
apenas bundas
pernas e grávidas barrigas
me irrita o arbitrário do vermelho
e a massa passa...
lenta e colorida
ousando interromper minha corrida
pra mim agora
o verde sinaliza a liberdade
e à massa
que ansiosa aguarda
se impõe a arbitrariedade
do sinal vermelho
e que só percebo
na retrovisão do meu espelho...

Um comentário:

Giul disse...
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