Da mais alta janela da minha casa, com um lenço branco, digo adeus aos meus versos que partem para a humanidade. E não estou alegre nem triste; este é o destino dos versos [...]. Quem sabe quem os lerá? Quem sabe a que mãos irão? Fernando Pessoa.

Obs. usando a autonomia que a licença poética e a própria cultura brasileira me permitem, não adoto linearmente essa segunda outorga (arbitrária) da língua portuguesa.


terça-feira, novembro 03, 2009

Geografias... (guacira maciel)

Conheço a geografia física do teu corpo
que se integra ao meu na química
mágica da alquimia
conheço o teu relevo
desde as texturas que protegem a tua pele
as nuances de cores que suaves
aprofundam o encontro das nascentes
até o gosto de cada região
me banho na fluidez
que escorre da tua emoção represada
tentando conter o empuxo natural
que prefere cumprir o vaticínio do encontro
na ondulação das marés
conheço os sinais das mudanças de estação
no teu semblante
e na desarmonia do toque apressado dos teus dedos
posso tocar o esgarçar de nuvens suaves no teu sorriso
correr atrás das borboletas azuis do teu olhar
e me retrair aos nimbos escuros do teu medo
mas
sobretudo
reconheço a antiga
e eterna geografia da tua essência
refletida nos raios dourados
que teimosos colorem
as frestas azuis
por onde escapa tímida a tua alma

2 comentários:

O Sibarita disse...

Ô beleza dona moça! kkkk

E foi na geografia da descoberta que cheguei aqui! Oi que bom! Né não fia? kkkkkkkk

Porreta seu poema, valha-me Deus! kkkkk

Guacira Maciel disse...

Se é, fio!!
Navegar é preciso, né não??
Obrigada.