Da mais alta janela da minha casa, com um lenço branco, digo adeus aos meus versos que partem para a humanidade. E não estou alegre nem triste; este é o destino dos versos [...]. Quem sabe quem os lerá? Quem sabe a que mãos irão? Fernando Pessoa.

Obs. usando a autonomia que a licença poética e a própria cultura brasileira me permitem, não adoto linearmente essa segunda outorga (arbitrária) da língua portuguesa.


terça-feira, junho 09, 2015

Poesia...

Asas...
retorno à noite original
paixão minuciosa
febre...
composição de bocas
olhos
mãos
e pele intocável...
espaço de drama
percepção sutil do voo
ecos derramados nos picos mais cristalinos
trazidos gris...
no profundo grito de aves que não repousam
mensageiras
como ondas furtivas
carrega teu tesouro poesia
a paz
o sangue latejante como águas de março
e o canto do vento suave de lugar nenhum
há em ti filosofia e lágrimas
a força de um colosso
na fragilidade lilás
e na serrilha das folhas novas
conténs a inexistência
do primeiro e diáfano orvalho
os receios da primeira amamentação
e a força letal da fera sem saída
a impetuosidade sem cuidado do primeiro cio
e o torpor que permanece depois da tempestade
sai do meu peito e escorre límpida
te rejeito impura
engrossa os lagos
abre-te ao balé do cisne
acaudala os córregos
generosa
mergulha no ser e me traz pérolas e esmeraldas
[gosto das suas tonalidades]
mas não te quero aqui
prisioneira...


2 comentários:

Sei lá disse...

"(...) há em ti filosofia e lágrimas..."

Hoje eu já diria: feliz de quem tem tudo isso... que eu contento-me com as últimas...

O Sibarita disse...

Ei, sumiu foi? kkkk E o caruru de São Cosme moça? kkk

Poxa, o seu poema porreta, a fragilidade do coração posto nas entrelinhas da caneta afiada cantando, clamando liberdade... kkkkkkkkk

O Sibarita