Da mais alta janela da minha casa, com um lenço branco, digo adeus aos meus versos que partem para a humanidade. E não estou alegre nem triste; este é o destino dos versos [...]. Quem sabe quem os lerá? Quem sabe a que mãos irão? Fernando Pessoa.

Obs. usando a autonomia que a licença poética e a própria cultura brasileira me permitem, não adoto linearmente essa segunda outorga (arbitrária) da língua portuguesa.


quarta-feira, junho 04, 2014

Encharcada de azuis (Guacira Maciel)

Hoje estou encharcada
como o mar
de azuis
e embriago-me
no sal
das próprias lágrimas

lambendo com a ponta da língua
os próprios lábios 
sorvo lentamente
a lágrima salgada

o mar
salgado como as  lágrimas
que a minha língua lambe
invade em espuma as areias
como aos lábios a lágrima
salgada
em azuis


Um comentário:

O Sibarita disse...

Belo poema! Um tanto triste, mas, belo!

O amor é isso e mais aquilo... kkk

Sabe, gosto do azul e como tal deixo essa poesia.


Azul

Olho o mar,
ora anil, ora azul, mil ondas...
Espumas e conchas se tocam
se encontram, convergem.
Parecem violetas brancas
em fundos azuis!
Da cor do olhar,
imagens perfeitas
reluzindo do céu...
Um louco indo e vindo,
movimentos e paisagens
harmonia e caminhos...

Assumo-me em azul
cor e brilho
luas e estrelas!

Perco-me nos búzios
desnudo de corpo inteiro.
Azul, textura de mistérios,
aurora e crepúsculo, delírios...

Não importa o sentido da razão.
Meu ouro, eu te ligo a mim, te ligo ao mar
te ligo as galáxias e te ligo a vida.

Respiro o azul celeste
e exalo a energia do equilíbrio,
definitivamente estou em ti!

(Mar azul, azul céu,
tempo de infinito...)

O Sibarita