Da mais alta janela da minha casa, com um lenço branco, digo adeus aos meus versos que partem para a humanidade. E não estou alegre nem triste; este é o destino dos versos [...]. Quem sabe quem os lerá? Quem sabe a que mãos irão? Fernando Pessoa.

Obs. usando a autonomia que a licença poética e a própria cultura brasileira me permitem, não adoto linearmente essa segunda outorga (arbitrária) da língua portuguesa.


quarta-feira, junho 04, 2014

Encharcada de azuis (Guacira Maciel)

Hoje estou encharcada
como o mar
de azuis
e embriago-me
no sal
das próprias lágrimas

lambendo com a ponta da língua
os próprios lábios 
sorvo lentamente
a lágrima salgada

o mar
salgado como as  lágrimas
que a minha língua lambe
invade em espuma as areias
como aos lábios a lágrima
salgada
em azuis