Da mais alta janela da minha casa, com um lenço branco, digo adeus aos meus versos que partem para a humanidade. E não estou alegre nem triste; este é o destino dos versos [...]. Quem sabe quem os lerá? Quem sabe a que mãos irão? Fernando Pessoa.

Obs. usando a autonomia que a licença poética e a própria cultura brasileira me permitem, não adoto linearmente essa segunda outorga (arbitrária) da língua portuguesa.


quinta-feira, outubro 17, 2013

Cavalo alado (Guacira Maciel)

 Contemplei silenciosa
a espuma debruando as ondas
 que chegavam à praia
como crinas de cavalo
açoitando as areias
o vulto que poderia ser o teu
arrastava lentamente o meu olhar
para a tua ausência
o cenário era pacífico
apenas a força do vento eriçava
a vegetação costeira
 em pequenas ondulações
 e por alguns segundos
nos encontrei arfantes
mas repousei pois não fizeste
um movimento sequer
meu corpo encostado ao teu
adormeceu num sono de desilusão
regressaste então
resfolegando alado sob o sol
e cavalgaste vigoroso
exalando gozo
por saber-se amado
meu corpo perfumou-se
ao teu toque
e fechou-se o ciclo do dia
imaginado no silêncio do horizonte
para outro anoitecer...

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