Da mais alta janela da minha casa, com um lenço branco, digo adeus aos meus versos que partem para a humanidade. E não estou alegre nem triste; este é o destino dos versos [...]. Quem sabe quem os lerá? Quem sabe a que mãos irão? Fernando Pessoa.

Obs. usando a autonomia que a licença poética e a própria cultura brasileira me permitem, não adoto linearmente essa segunda outorga (arbitrária) da língua portuguesa.


terça-feira, julho 23, 2013

O que restaria...(Guacira Maciel)

 O silêncio é o mesmo; triste... esperando, vejo transformar-se o meu rosto, mas sempre te vais e sempre da mesma forma, te vais... a luz resplandecente há pouco, começa a diluir-se. Percebo  aproximar-se o limbo que gestará a próxima chegada, e milagrosamente permaneço parada esperando-a; a milionésima talvez e ela em nada será diferente da primeira nem da décima, que já nem lembro quando foi...e de novo te irás e levarás contigo a luminosidade que assoma à porta na tua chegada.
Os atrasos eram piores que a desesperança da costumeira ausência, porque eu esperava... Mas as partidas eram sempre iguais; nada mudava nem de vez em quando. Eu já sabia o que viria depois e tinha medo, mas esperava... medo, não pela partida, que eu já conhecia; sentia mais medo do que restaria de mim do que de mais uma partida...o que restaria...isso, sim, eu não sabia como seria da próxima vez....e era a única coisa que poderia mudar...

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