Da mais alta janela da minha casa, com um lenço branco, digo adeus aos meus versos que partem para a humanidade. E não estou alegre nem triste; este é o destino dos versos [...]. Quem sabe quem os lerá? Quem sabe a que mãos irão? Fernando Pessoa.

Obs. usando a autonomia que a licença poética e a própria cultura brasileira me permitem, não adoto linearmente essa segunda outorga (arbitrária) da língua portuguesa.


sexta-feira, maio 17, 2013

Extrema (Guacira Maciel)

Que me tenhas extrema
e seja eu inteira
mas que me queiras utópica
e percebas sem fronteiras o sublime
que morre em mim se te aproximas
e me pertença e a ti
a mesma humanidade
que possa deixar inteira lá a minha alma
se te apossas do meu eu
e que te ergas sobre o corpo
cuja pele em cetim te afaga
ah... que te esvaias
e possa eu arder e apaziguar o teu cansaço
e ser tua manhã
 aurora
a tua harpa e teu compasso
se em minha carne te alimentas
e te banhas no sangue
que aflora rubro em minhas faces
depois repouses
na leveza de espuma e te adormeça
o aconchego frágil em meu regaço

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