Da mais alta janela da minha casa, com um lenço branco, digo adeus aos meus versos que partem para a humanidade. E não estou alegre nem triste; este é o destino dos versos [...]. Quem sabe quem os lerá? Quem sabe a que mãos irão? Fernando Pessoa.

Obs. usando a autonomia que a licença poética e a própria cultura brasileira me permitem, não adoto linearmente essa segunda outorga (arbitrária) da língua portuguesa.


sexta-feira, fevereiro 01, 2013

Pacíficos ou beligerantes? (Guacira Maciel)



Bem, não creio que exista possibilidade de sermos beligerantes se não formos intimamente pacíficos. E precisamos ser beligerantes, na medida em que temos uma luta a travar contra o estado de violência que se instalou em nossas vidas, e na sociedade, de forma compulsória. A beligerância não implica em luta, no combate armado no sentido específico, mas sim, no sentido amplo, desde que se faz fundamental combater todas as formas de violência, desde a mais silenciosa e não menos insana ou destruidora, como as ações contra a infância, uma vez que as crianças são as vitimas mais silenciosas, mais frágeis e incapazes de reagir ou denunciar, mas também contra as mulheres, uma violência que a cada dia se expande, se aprofunda, tornando-se uma prática cotidiana. Não sei se ela aumentou, já que as estatísticas parecem apontar para essa realidade ou se tornou mais evidente, em consequência das denúncias da sociedade, porque parece que as próprias mulheres ainda não estão conscientes de que denunciar é fundamental para coibir esse cinismo e essa arrogância masculina, que entede ter poderes sobre a companheira. Também se pode citar a violência contra minorias que ainda são tão desprotegidas neste pais...
A sociedade hoje, vive vários tipos de guerras civis, desde aquelas travadas  e demonstradas através de atitudes ou ações sutis e não menos maldosas, ou mesmo guerras de palavras, que são capazes de agredir  tão profundamente quanto uma agressão física, até outras guerras por ganância, por poder, etc. Entretanto, ser beligerante no sentido trazido aqui, significa ser tão pacífico que as atitudes e comportamentos possam atingir um transgressor sem tocá-lo ou atingí-lo diretamente, bastando haver no bojo dessa ação uma preocupação de natureza ética e uma atitude apaziguadora, que consiga mediar ações humanas, que, estas, sim, possam se insurgir contra a violação de direitos da pessoa humana (ou animal não humano ou natural) em todas as suas formas.
A humanidade tem inumeráveis exemplos de seres pacíficos, e beligerantes, como foram Mahatma Gandhi, que lutou quase silenciosamente contra o sistema de castas e pela independência da India, recusando qualquer forma de violência. Martin Luther King, que lutou contra o racismo uma forma dolosa e dolorosa de violação dos direitos humanos. Madre Teresa de Calcutá, que tem lindíssimos poemas falando sobre o amor, que é uma forma contundente e pacífica de cambate à violência da exclusão. Herbert de Souza, o nosso Betinho,  que lutou a favor dos diteitos dos operários (década de 50) e contra a fome e a miséria. Bertrand Russel, escritor e Prêmio Nobel de Literatura, que lutou contra a obrigatoriedade de pessoas irem para as guerras e contra as armas nucleares. Song Kosal, uma menina do Camboja, que, tendo perdido uma perna numa mina terrestre, passou a lutar por um mundo sem armas, entre muitos outros, até anônimos com os quais nos deparamos todos os dias. Nós, Confreiras e Confrades da CAPPAZ (Confraria de Artistas e Poetas pela Paz), temos a nossa luta a ser travada através da arte, como a Madre Teresa de Calcutá tão belamente fez através da poesia...

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