Da mais alta janela da minha casa, com um lenço branco, digo adeus aos meus versos que partem para a humanidade. E não estou alegre nem triste; este é o destino dos versos [...]. Quem sabe quem os lerá? Quem sabe a que mãos irão? Fernando Pessoa.

Obs. usando a autonomia que a licença poética e a própria cultura brasileira me permitem, não adoto linearmente essa segunda outorga (arbitrária) da língua portuguesa.


sexta-feira, janeiro 11, 2013

A vírgula...(Guacira Maciel)

Uma coisa tão pequenina que poderia ser tão insignificante e não é. Eu a substituiria por reticências na maioria dos casos e elas me satisfariam... aliás sempre tive um caso de amor com as reticências porque elas permitem que o pensamento divague e percorra caminhos outros que não apenas os do autor do texto... mas a alguns não parece ser assim e olha que eu tento usá-la...razão pela qual se tornou quase um pesadelo em minha escrita: uma vírgula?! aliás também em minha vida eu diria... porque estou cada vez mais mobilizada a escrever livremente e ela está sempre no meio do meu caminho
 da minha frase
 do meu texto
 do meu pensamento
como aquela pedra... não a fundamental mas aquele empecilho a que meu pensamento corra sem amarras sobre o papel e minhas emoções definam onde serão necessárias as pausas sem que a dramaticidade do sentimento seja afetada por decisão de regras. Preciso convencer os puristas da Língua Portuguesa de que a vírgula para mim é um recurso puramente estético semântico e até semiótico e se não direciono seu uso com precisão  a cada dia posso fazer pausas diferentes dependendo do meu estado de espírito e emoção e não como um impositivo gramatical. Eu não sei gramática porque nunca gostei de regras. As minhas pausas sou eu quem precisa decidir porque se atendo às regras que vejo como puro detalhe de forma linear  perco a dramaticidade do que preciso dizer
 perco o rítmo
 perco o rebolado... é horrível perder o rebolado num texto literário porque também perco o rumo e o endereço do portal criativo.
Dizem que a vírgula muda o sentido de uma frase e eu concordo! por isso resisto! concordo absolutamente porque na oralidade a ênfase é dada pela entonação da voz de acordo com a emoção de quem lê... pelas pausas que impostas pela dramaticidade e não necessariamente por  uma vírgula como querem seja feito no texto escrito onde elas lhe dizem pare aqui faça cara de paisagem respire e recomece... tirando o ritimo e a harmonia do que preciso dizer. A escrita literária é uma sinfonia orquestrada por todos os sentidos e se sou eu quem decide o que quero dizer isso precisa ser refletido através da liberação das emoções e do ritmo mesmo porque a liberdade de interpretação do leitor sempre terá a ultima palavra de acordo com sua compreensão e suas emoções... então uma vírgula não fará tanta diferença porque o leitor não irá mesmo ouvir-me nem adivinhar que a minha pausa seria dada ali... ou mais adiante...Mas também tenho   outras resistências... não acho pertinente usar maiúscula depois de uma exclamação ou interrogação se pretendo por exemplo continuar a expor o assunto na mesma perspectiva.
É... as emoções de uma execução instrumental  não devem ser maculadas cerceadas e reguladas por simples detalhes impositivos e a literatura é o instrumento com que escrevo a minha sinfonia pessoal...os sentimentos devem percorrer os caminhos inimagináveis sem os limites da pausas regradas que a vírgula impõe...elas são quase imperativas e eu completamente impenitente...já que sou tão imperfeita...

 

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