Da mais alta janela da minha casa, com um lenço branco, digo adeus aos meus versos que partem para a humanidade. E não estou alegre nem triste; este é o destino dos versos [...]. Quem sabe quem os lerá? Quem sabe a que mãos irão? Fernando Pessoa.

Obs. usando a autonomia que a licença poética e a própria cultura brasileira me permitem, não adoto linearmente essa segunda outorga (arbitrária) da língua portuguesa.


terça-feira, agosto 28, 2012

Por duas linhas...a menos...(Guacira)

               Duas linhas a menos ou duas polegadas a mais, o fato é que hoje uma dúvida me fez varar a madrugada acordada. A conhecida história da Miss Brasil foi, de novo, comentada num programa de TV e fiquei tentando imaginar como se teria sentido o juiz que, por ter encontrado duas polegadas a mais no glúteo da celebridade, ponto forte da exuberância de formas das brasileiras e fraco dos brasileiros, tanta decepção causou à torcida da baianinha, e quantas noites insones teria passado o infeliz algoz.
               Pois é; às duas horas da madrugada, depois de tanto ouvir essas histórias em família, estava eu a imaginar como teria sido o resto da vida desse pobre homem; tomara que já tenha morrido, coitado, e se livrado dessa penalização, porque duvido ser o purgatório ou mesmo o inferno pior do que passar pelas ruas, algo assim como o garoto de Ipanema, e ouvir:
            __ Lá vai aquele juiz miserável, que tirou a Marta Rocha do Miss Universo por duas polegadas!...
Ou então, num domingo à tarde, ao tomar chá com amigos na Confeitaria Colombo (não esqueçam que estamos falando do Rio de Janeiro da década de 50 quando ainda se passeava num domingo à tarde sem correr o risco de ser atingido por uma rajada de metralhadora, ou virar tainha num arrastão feito pelo morro Dona Marta inteiro), e na mesa ao lado ouvir alguém comentar:
         __Olha só, esse aí não é aquele juiz que desclassificou a Marta para o Miss Universo por causa de duas polegadas na..?( não se podia dizer bunda em público; era uma heresia). Aposto que tem em casa uma mulher tão seca, que mais parece uma tábua, ou não estaria aqui flertando com normalistas...
                E pensei me revirando na cama: É... pelo menos, no meu caso, se o grupo decidir que duas linhas não farão muita falta nas redações do concurso dos alunos do estado, cuja comissão estou  presidindo, não irei ouvir:
               __ Foi essa professora que me tirou a chance de ser um escritor, só porque minha redação, mesmo sendo boa, só tinha 28 e não 30 linhas, como exigiam as normas do concurso.
               Porém, o pior é que o anonimato e a partilha da culpa não me serviram de consolo, porque passei o resto da madrugada ouvindo a musiquinha, também reproduzida na reportagem: “por duas polegadas a mais, passaram a baiana pra trás; por duas polegadas e logo nos quadris, tem dó, tem dó, seu juiz...”.



Um comentário:

O Sibarita disse...

kkkkkkkkkkkkkkkk E eu com isso? kkkk Com duas polegadas a mais ou não, o coro come! kkkkkkkkkkk

Mas, que foi sacanagem do juiz, isso, foi sim! Mizerável! kkkkkkkk

Oi nem sei se vai ser considerada essa redação de oito linhas, o que faço? E eu quero ser escritor, ô pró me ajudaê! kkkkkkkkkkkkkkkk

Porreta!
O Sibarita