Da mais alta janela da minha casa, com um lenço branco, digo adeus aos meus versos que partem para a humanidade. E não estou alegre nem triste; este é o destino dos versos [...]. Quem sabe quem os lerá? Quem sabe a que mãos irão? Fernando Pessoa.

Obs. usando a autonomia que a licença poética e a própria cultura brasileira me permitem, não adoto linearmente essa segunda outorga (arbitrária) da língua portuguesa.


domingo, maio 06, 2012

Enigma (guacira )

Alguma coisa em teu sorriso
alguma coisa em teu olhar
eternizada numa fotografia
inspira em meu coração
uma melodia nova
as fotografias revelam
os mais recônditos segredos
que a fugacidade do presente
não consegue aprisionar
ali a  sombra do teu cílio
derramada na seda azul dos teus olhos
induzem a insondáveis mistérios
entre a eternidade
e o efêmero momento
que perfuma o teu semblante
nem alegre nem triste
numa alquimia de mágico universo
me encaminha a sonhos reclusos
plenos de promessas
nem perto nem longe
como a chuva vista
a derramar-se no horizonte
mas imprecisos como enigmas antigos...

Nenhum comentário: