Da mais alta janela da minha casa, com um lenço branco, digo adeus aos meus versos que partem para a humanidade. E não estou alegre nem triste; este é o destino dos versos [...]. Quem sabe quem os lerá? Quem sabe a que mãos irão? Fernando Pessoa.

Obs. usando a autonomia que a licença poética e a própria cultura brasileira me permitem, não adoto linearmente essa segunda outorga (arbitrária) da língua portuguesa.


quarta-feira, maio 30, 2012

Sem vazio...(Guacira )

Preciso ouvir tua voz
denunciar o que te vai no peito
Preciso às vezes te encontrar
mas há muito não alcanço a tua alma
e busco em mim tua presença
e quem sou perde-se de mim
então te vestes de seda
e posso te tocar
sob a prata dos lençois  da lua em minha cama
te sinto estremcer e me perturbas
e  perco-me de mim sem vazio
já não sou eu em ti
mas tu em mim
deliras
te atordoas
repousas
e te vais pra sempre
mal chegada a  loira luz da aurora

domingo, maio 06, 2012

Enigma (guacira )

Alguma coisa em teu sorriso
alguma coisa em teu olhar
eternizada numa fotografia
inspira em meu coração
uma melodia nova
as fotografias revelam
os mais recônditos segredos
que a fugacidade do presente
não consegue aprisionar
ali a  sombra do teu cílio
derramada na seda azul dos teus olhos
induzem a insondáveis mistérios
entre a eternidade
e o efêmero momento
que perfuma o teu semblante
nem alegre nem triste
numa alquimia de mágico universo
me encaminha a sonhos reclusos
plenos de promessas
nem perto nem longe
como a chuva vista
a derramar-se no horizonte
mas imprecisos como enigmas antigos...