Da mais alta janela da minha casa, com um lenço branco, digo adeus aos meus versos que partem para a humanidade. E não estou alegre nem triste; este é o destino dos versos [...]. Quem sabe quem os lerá? Quem sabe a que mãos irão? Fernando Pessoa.

Obs. usando a autonomia que a licença poética e a própria cultura brasileira me permitem, não adoto linearmente essa segunda outorga (arbitrária) da língua portuguesa.


domingo, março 04, 2012

Apaziguar...(guacira maciel)

Era chegado o ocaso, que subitamente percebi através da janela, debuxado sobre um céu acinzentado, cuja monotonia foi quebrada por pequenas nuvens de algodão e fragmentos de gaze já usados pelas cores do dia que se esvaia suavemente, debruado por singela barra róseo lilás. Aos poucos tudo se tornava silenciosamente uniforme...já não mais tons do diverso verdejados, já não mais pássaros coloridos nem córregos languidamente escorridos sobre as pedras; aventuravam-se timidamente pássaros noturnos; cactos e dendezeiros ainda nele se recortavam. A paisagem emudeceu integrada e conivente com o Universo. A vida se apazigua e silencia... Não houve agonia do sol no parto da noite. Não mais necessidade de pensar, fez-se noite no sertão e em mim também.

2 comentários:

Capitandemar disse...

Magnífico Cristalina, nem eu mesmo poderia escrever assim de lindo.
Adorei, gostei muito.
Digno de ti. Acho que se te parece mais do que tu imaginas.
*
Besos,
El Capitán.-

Guacira Maciel disse...

Obrigada. Destaque para: "nem eu mesmo poderia escrever assim de lindo..." auto estima em ascensão...rsss
Humildemente,

Guacira.