Da mais alta janela da minha casa, com um lenço branco, digo adeus aos meus versos que partem para a humanidade. E não estou alegre nem triste; este é o destino dos versos [...]. Quem sabe quem os lerá? Quem sabe a que mãos irão? Fernando Pessoa.

Obs. usando a autonomia que a licença poética e a própria cultura brasileira me permitem, não adoto linearmente essa segunda outorga (arbitrária) da língua portuguesa.


terça-feira, janeiro 10, 2012

Veleiro...(guacira maciel)

triste
o nostálgico e colorido veleiro...
velas outrora enfunadas
pela sensualidade dos ventos
são agora farrapos
de uma nave fantasma
abandonado
afetado pelo sopro de uma brisa qualquer
ocasional e frágil
tentando resistir ao brutal embate
esvai-se na travessia
a navegar
cego
sob o céu lilás do entardecer
sem vontade
arrastado pelas correntes
rendido a quem lhe indica o caminho
e embora beirando os limites
cego às belas paisagens costeiras
vestidas de verde
e refletidas nas pequenas vagas
que dão sentido às marés...

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