Da mais alta janela da minha casa, com um lenço branco, digo adeus aos meus versos que partem para a humanidade. E não estou alegre nem triste; este é o destino dos versos [...]. Quem sabe quem os lerá? Quem sabe a que mãos irão? Fernando Pessoa.

Obs. usando a autonomia que a licença poética e a própria cultura brasileira me permitem, não adoto linearmente essa segunda outorga (arbitrária) da língua portuguesa.


domingo, janeiro 29, 2012

Rendilhando (guacira maciel)

Busco o passo a passo do sentido dos mil sentidos, da aparente perfeição do corte da pedra que sou. Ao olhar atentamente percebo arestas indefinidas, vãs, frágeis, imperfeitas. Tento inutilmente submeter paixões, sentimentos, impulsos, meus desejos... impossível. A alma se prepara para esculpir a pedra, mas se debate em desvãos desconhecidos. Inconformada, passo, então, a existir nas entrelinhas, nos entre espaços, no imponderável. Nessa travessia compulsória sinto as dores das lembranças rendilhando as minhas resistências e conferindo-lhes tonalidades irreconhecíveis...

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