Da mais alta janela da minha casa, com um lenço branco, digo adeus aos meus versos que partem para a humanidade. E não estou alegre nem triste; este é o destino dos versos [...]. Quem sabe quem os lerá? Quem sabe a que mãos irão? Fernando Pessoa.

Obs. usando a autonomia que a licença poética e a própria cultura brasileira me permitem, não adoto linearmente essa segunda outorga (arbitrária) da língua portuguesa.


domingo, dezembro 18, 2011

Conceito X Preconceito X Direitos Humanos (guacira maciel)

Há alguns meses, assistindo a um episódio do programa “Low and Order”, da Universal, fui tomada por um forte sentimento de perplexidade e revolta quando um pedófilo, ao ser preso pela dupla de detetives, disse, indignado, estar sendo vítima de preconceito.
Na minha concepção os conceitos precisam ser situados com certos cuidados para não se tornarem restritivos, mas também não serem aplicados como regra geral, sem reflexão, sem análise, sem respeito às especificidades das situações. Descritos como uma produção do âmbito da linguagem, não parece que possam atingir a complexidade dos sentimentos e dos comportamentos.
Me perguntei, então, qual o conceito de pedofilia que teria sido usado na visão dessa pessoa, mesmo que tenha sido um filme, embora ao comentar a questão com alguns amigos, o fato também já fosse do conhecimento e não, apenas, discutido no contexto de um filme, mas da vida real...
Não se trata de preconceito, que não caberia neste caso, indiscutivelmente; entendo ser preciso que esses assuntos sejam discutidos pela sociedade, pela família com mais abertura e ampla divulgação, ainda que apresentados em filmes, embora existam submersos e apaniguados em alguns ambientes bem específicos, como todos sabemos... A própria ciência oferece o tratamento chamado “castração química” para pedófilos, que, em se tratando de predadores, não deverá ser ofertado como opção. Para a Psicologia a pedofilia é uma perversão sexual em que a atração dessa ordem é dirigida para “crianças pré púberes”, e nestes casos, para a OMS, até “adolescentes de 16 e 17 anos podem ser considerados pedófilos, se tiverem uma atração persistente por crianças, pelo menos, 5 anos mais novas”, imagina adultos, que cada vez mais se interessam e violam a dignidade, a inocência de crianças com idades ainda menores... Uma criança não tem maturidade para entender a profunda violência, com desastrosas consequências para a sua vida, que envolve um ato desses; um ato que traz profundas consequências para toda a sua vida; maturidade para que seja classificado como consensual, ato amoroso... como dizem cinicamente os pedófilos.
A pedofilia é, assim, considerada pela ciência uma desordem mental e de personalidade do adulto, e um desvio, pela OMS. O ato sexual entre adultos e crianças é crime, assim como o é, o assédio, a divulgação, a apologia, e outras atitudes não mencionadas que possam ser praticadas por “alguém em quem uma criança confia, gerando a possibilidade de desenvolver conflitos entre a lealdade e a percepção de que essas atitudes são más, e pode ser ainda mais grave por desenvolver um profundo sentimento de solidão e abandono”, além do ato violento e destrutivo em si.Tudo está previsto e descrito na Convenção Internacional sobre os Direitos da Criança (1989), aprovada pela Assembléia Geral das Nações Unidas.
Orientação sexual, como se refere o personagem do filme, diferente do ato pedófilo, é caracterizado como atração por pessoas do mesmo sexo, sexo oposto, ou por ambos os sexos e não se associa por atração por crianças, pois estas são diferentes dos adultos tanto física, como emocional, como psicologicamente, para que se pense em classificá-la como orientação sexual.

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