Da mais alta janela da minha casa, com um lenço branco, digo adeus aos meus versos que partem para a humanidade. E não estou alegre nem triste; este é o destino dos versos [...]. Quem sabe quem os lerá? Quem sabe a que mãos irão? Fernando Pessoa.

Obs. usando a autonomia que a licença poética e a própria cultura brasileira me permitem, não adoto linearmente essa segunda outorga (arbitrária) da língua portuguesa.


segunda-feira, novembro 28, 2011

Aventura intelectual...(guacira maciel)

Buscadora curiosa, insaciável e ousada como sou, me sinto cada vez mais estimulada a empreender essa aventura intelectual, a escrita literária, especialmente confortada pelo que ouvi a alguns anos de Edgar Morin, em palestra: "nos tornamos intelectuais quando enfrentamos problemas humanos, morais, filosóficos, sociais, de forma não especializada [...]. É preciso ter coragem intelectual", e mais, terem existido muito mais curiosos, ousados e aventureiros, como, Galileu, Pitágoras (570 a.C); Anaximandro de Mileto (609-10 a. C); Heráclito de Éfeso, denominado pai da dialética; Demócrito, expoente da teoria atômica, que sistematizou (já àquela época...) o pensamento e a teoria, tendo avançado o conceito sobre a infinitude do universo, e por aí vai... todos, homens pioneiros ousados, criativos estudiosos, que formularam e propuseram teorias sem aval dos doutorados pela academia. Aliás, eu chegaria até Nostradamus; por que não? embora o meu interesse seja aventurar o pensamento, a minha capacidade criativa, a possibilidade de buscar inter relações, usando a minha capacidade de pensar; não tenho interesse em ficar”polindo” o pensamento dos outros; não gosto de repetições, como um papagaio, inconsciente, sem refletir, sem relativizar e sem que o que repito, sequer, reflita ou represente o que sinto, verdadeiramente, naquele momento...  e um bom exercício para essa amplitude e autonomia de voo, é buscar convergências entre pensadores soltando o meu próprio pensamento, explorando outros universos; esta é a verdadeira aventura intelectual; o nascimento do pensamento novo, que se dá a partir de um processo exploratório, podendo significar, em ultima análise, um mergulho no pensar mestiço, plural, ou...pós moderno...
Bem... a essa altura já estarão me classificando de arrogante, pretensiosa ou louca mesmo... mas é isso aí e talvez, neste caso aqui, possa invocar o “penso, logo...” escrevo. Percebem o que quero dizer? e pergunto: onde se origina o conhecimento, até hoje? não é no senso comum, apesar de Spinosa? aliadas à prática, às experiências, ele é, originalmente, ciência, pensamento e pura filosofia; eu não disse Filosofia pura... segundo o filósofo contemporâneo (acadêmico de muitos títulos) Roberto Machado, “hoje é mais importante saber um pouco de muitas coisas – de filosofia e do que está fora dela – do que muito de uma coisa só” (Revista Filosofia, nº 32/ ). Eu concordo plenamente.
Pensar, essencialmente, é uma espetacular demonstração de consciência, de sensibilidade, entendida como um privilégio do ser humano, pelo menos até agora (eu não creio nisso, mas...). Entretanto, poder-se-á, daqui a pouco, chegar à consideração de que aqueles tidos como irracionais também pensam e eu, sinceramente, acho que sim. Até porque, não é incomum hoje, os que são entendidos como racionais, não pensarem...seria isso evolução? Um caso a ser pensado...

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