Da mais alta janela da minha casa, com um lenço branco, digo adeus aos meus versos que partem para a humanidade. E não estou alegre nem triste; este é o destino dos versos [...]. Quem sabe quem os lerá? Quem sabe a que mãos irão? Fernando Pessoa.

Obs. usando a autonomia que a licença poética e a própria cultura brasileira me permitem, não adoto linearmente essa segunda outorga (arbitrária) da língua portuguesa.


domingo, novembro 06, 2011

As zebras...(guacira maciel)

Esta semana vi um documentário sobre zebras no “Animal Planet”, que me deixou absoluamente encantada, maravilhada mesmo, com a sabedoria da criação...Percebi então, que sempre olhei (se olhei...) para esses fantásticos seres com um desinteresse imperdoável, absurdo e desrespeitoso. E pensei que nada na criação pode deixar de ser visto, percebido e observado com respeito, com atenção, porque a vida é um espetáculo tão profundo, tão absoluto, que se torna uma heresia não perceber isso...foi o sentimento que tomou conta de mim quando olhei para as zebras naquele momento e percebi como são belas. A arquitetura das listras é absolutamente perfeita; elas têm um traçado tão harmonioso, tão em sintonia, que nenhuma delas se perde; uma direção tão específica que nenhuma acaba sem um sentido...Eu sei que nada é aleatório na criação, mas ainda assim, fiquei emocionada com essa harmonia...Na parte mais frontal da cabeça e da cara – a parte que mais seduziu o meu olhar – elas formam um desenho que parece estar sob o efeito ótico de uma lente convexa, porque partem de um molhe comum na parte mais alta, se abrem em ângulos iguais dos dois lados e depois se encontram novamente, passando ao redor dos olhos com perfeição. Outro conjunto parte do dorso em perfeita sinuosidade e harmonia com os músculos, e se encontram na parte de baixo da barriga, sendo que algumas descem pelas ancas até as coxas e depois até as canelas; o acabamento do ponto de onde partem é dado com uma listra dupla no sentido do comprimento, parecendo cobrir toda a coluna até o rabo, onde é finalizada com pelos. Por falar em pelos, a crina, bem curta, também tem total harmonia com as listras das costas...É incrível! Nem o mais perfeito projeto se lhe compararia em perfeição, harmonia e beleza.
E mais, as listras brancas são as que têm o papel de fazer o resfriamento para equilibrar a temperatura interna do corpo. Desculpem, mas espero que possam me entender, porque fiquei em estado de epifania com a beleza desses animas...porém, se fosse observar todos os outros sei que o encantamento seria o mesmo que senti diante das zebras!...

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