Da mais alta janela da minha casa, com um lenço branco, digo adeus aos meus versos que partem para a humanidade. E não estou alegre nem triste; este é o destino dos versos [...]. Quem sabe quem os lerá? Quem sabe a que mãos irão? Fernando Pessoa.

Obs. usando a autonomia que a licença poética e a própria cultura brasileira me permitem, não adoto linearmente essa segunda outorga (arbitrária) da língua portuguesa.


sexta-feira, setembro 02, 2011

Espera...(guacira maciel)


É... talvez Rubem Braga tenha razão… a mulher que espera um homem, às vezes recebe, de fato, a visita do diabo, porque a quantidade de planos de vingança que lhe passa pela cabeça naquele momento, só pode ser, mesmo, arte do cão; ah! quando aquele miserável chegar não entra no meu quarto; vai dormir no chão duro, sem lençol e travesseiro. Melhor, vou fingir que não estou p… da vida e olhar feito idiota pra cara dele, dando milhões de desculpas mentirosas. Sabe de uma coisa? nem quero olhar aquela cara senão lhe furo os olhos…ou então vou fingir que dormi e nem percebi sua ausência, e me vingar na primeira oportunidade!…

Toda mulher que espera um homem, começa a odiar a cama, o quarto, aquela roupa do bandido que está ali à sua frente, pendurada, e com aquele cheiro que lhe lembra por minuto que ele não chegou, que está atrasado e talvez nem chegue…Mas a mulher que espera um homem que não vem, devia ter um santo especial pra quem rezar e pedir: por favor, pega ele pela mão onde estiver, fazendo o que for e traz pra mim!…
Toda mulher que espera um homem, se iguala no ódio, no tédio, na impotência, no desejo de vingança e no medo; seja ela executiva, lavadeira, professora ou simplesmente uma mulher que espera um homem, que chega atrasado, mas não tarde, a quem ela olha e o coração, quase enfartado há pouco, se aquieta, porque reconhece o cheiro da camisa pendurada, ou talvez porque saiba que ainda não o perdeu…

Nenhum comentário: