Da mais alta janela da minha casa, com um lenço branco, digo adeus aos meus versos que partem para a humanidade. E não estou alegre nem triste; este é o destino dos versos [...]. Quem sabe quem os lerá? Quem sabe a que mãos irão? Fernando Pessoa.

Obs. usando a autonomia que a licença poética e a própria cultura brasileira me permitem, não adoto linearmente essa segunda outorga (arbitrária) da língua portuguesa.


quinta-feira, setembro 29, 2011

Campo de Força; indução eletromagnética (explicando a Ciência com sensibilidade) guacira maciel

Estou sempre muito envolvida na busca dos porquês das coisas para tentar compreender um pouco a vida e os elos existentes entre elas, e evidenciar a natureza única que somos todos.
Assim, continuando a percorrer esse caminho, cujo objetivo é mostrar que Ciência e Arte não são coisas diferentes ou estranhas uma à outra, ficando esta última restrita ao universo do imaginário, e que a Natureza é regida por leis gerais aplicadas a todas as dimensões, sendo suficiente apenas, que busquemos os elos que as tornam única e mais, a percepção de que o belo está na gênese de todas elas, me deparei com os campos de força e, como sempre, fiquei perplexa... Primeiro tentarei com a minha compreensão da Arte, dar uma explicação prévia sobre isso tudo e depois partirei para a similaridade encontrada através de um olhar ousado, sem amarras, que permite ampliar essa compreensão, pois acredito que a ciência não faria sentido se não encontrasse eco na nossa necessária forma de estar na vida. Segundo Michel Faraday (1791 -1867) a idéia de campo de força, destaca a “importância fundamental das prioridades físicas e geométricas do próprio espaço e se caracteriza pela força que ele exerce na partícula eletrizada, em movimento”.
A partir daí pode-se compreender que o Universo seja formado por partículas (que sempre geram em torno de si algum tipo de força). Essas partículas são centro de volume e espaço e as forças de atração ou repulsão agem através delas, sendo que sua intensidade ou capacidade de interação diminui ou aumenta tomando como parâmetro a distância compreendida entre elas; esse “lugar” no espaço é definido como CAMPO DE FORÇA (localizado entre volume e espaço), e atuará e influirá interagindo com outro, dentro do campo próximo ou distante (espaço); assim, campo de força são as partículas atuantes que se localizam no espaço existente entre aquele objeto e a sua distância de outro, ou no volume de espaço em volta deles.
Logo, campo de força é o volume de espaço que há entre as partículas, sendo que as interações entre elas ocorrem de acordo com as intensidades de cada uma. Assim, uma partícula (eu), e fonte de campo de força, sempre responderá a um campo criado por outra partícula semelhante (o outro). Quero reiterar duas coisas: uma, é a compreensão de que jamais estamos isolados no Universo, nunca estamos sós; outra é que somos parte de uma Natureza única (energia), interagindo como forma de ampliação e possibilidade de interação... por isso, o que entendo ser um olhar quântico, como o seu próprio princípio, é um olhar de possibilidades: é possível que, em havendo uma força de atração em torno de um volume que propicie a aproximação, isso possa ocorrer. Entretanto, apesar de fazer parte de uma mesma Natureza, não haverá interação entre as partículas (eu e o outro) se as mesmas estiverem, como descreve a ciência, isoladas numa distância tão grande que os campos de força de ambas não possam se responder mutuamente (porque o volume de espaço terá aumentado em demasia).Essa compreensão está de acordo com a teoria geral da relatividade proposta por Einstein (que ainda continua valendo), que incorpora o efeito da gravidade, segundo a qual a “distribuição de matéria e energia no universo deforma e distorce o espaço-tempo, fazendo com que não seja plano”; assim, embora os objetos nesse espaço-tempo tentem mover-se em linha reta, na verdade se movem afetados pelo campo gravitacional.
Utilizando essa lei da ciência, como de resto todas as outras, em todas as dimensões, pode-se perceber a verdadeira teia da vida; não há diferença alguma entre elas, porque não somos parte da Natureza, somos a própria Natureza; compomos uma única e ampla ecologia (uma única energia)!
Pode-se perceber e explicar que as leis que regem a vida, sob todos os aspectos não diferem umas das outras. Neste caso específico estaria explicado por que, no distanciamento, as relações tendem a se findar, visto que, o campo semelhante se teria afastado demasiadamente. Sendo partículas (eu e o outro), fundamental é que ocorra a interação através das linhas-de-força (o espaço, a distância ou os liames), para que se mantenham as relações no espaço em que atuam, e não uma fusão, porque a integridade de cada uma precisará ser mantida, podendo assim, se ampliar e enriquecer nesse contexto, como ocorre também nas relações entre os seres; é preciso que a identidade de cada um seja preservada, ou se findariam as possibilidades...
Mas essa lei de atração e repulsão entre campos semelhantes, também pode nos referir quanto à atração entre opostos (diz-se que “os opostos se atraem”, nem tanto...), como estamos acostumados a ouvir quanto às relações pessoais; entre eles existe, sim, como entre todos os corpos, uma “química”, uma lei da Física que tende para a atração, embora nem sempre isto ocorra, porque não se mantêm suficientemente próximos, como ocorre aos semelhantes; tomemos como exemplo, os pólos extremos do planeta terra. Eles se atraem, apenas, com o objetivo de manter íntegro o necessário espaço para que exista o volume ou massa (grosso modo) que constitui a integridade do planeta; e tão longe, através das mesmas linhas de força, que não haverá como ocorrer uma fusão, conforme explica a lei de atração e repulsão. Caso contrário, pensemos, o que poderia acontecer se os pólos da terra tivessem seu campo de força tão diminuído, que terminassem por se encontrar? Só posso imaginar que a terra se achataria... o mesmo processo acontece com pessoas, cuja distância estabelecida pelo campo de força é tão extenso (garantindo a necessária distância existente entre ambas), cujo universo pessoal ou micro mundo está tão longe do outro que não se comunicam, não se aproximam, lhes sendo, tão somente, permitido o poder de sedução que essa condição impõe e assegura; o campo de força as mantém afastados; no entanto, caso se desse uma fusão, ainda que momentânea, poderia ocorrer um choque, que mudaria seu sentido de existir e sua trajetória própria.
O que posso deduzir é que, como opostos que precisarão assim permanecer (como os pólos extremos da terra), algumas pessoas deverão compreender a necessidade de existir da força de atração e repulsão, somente enquanto possibilidade, cuja missão seria, creio, assegurar o necessário cumprimento das leis que regem o Universo. E, uma vez que a Natureza é una, todos os seres estão nelas incluídos de forma igual, ainda que mantidos à distância, até para assegurar sua própria integridade e razão de existir.

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