Da mais alta janela da minha casa, com um lenço branco, digo adeus aos meus versos que partem para a humanidade. E não estou alegre nem triste; este é o destino dos versos [...]. Quem sabe quem os lerá? Quem sabe a que mãos irão? Fernando Pessoa.

Obs. usando a autonomia que a licença poética e a própria cultura brasileira me permitem, não adoto linearmente essa segunda outorga (arbitrária) da língua portuguesa.


quinta-feira, junho 09, 2011

Direitos Humanos...(Cont.)

Revolta da Vacina – uma revolta popular, ocorrida em 1904 na cidade do Salvador (Bahia), em que a população da cidade se punha contra a obrigatoriedade da vacinação contra a varíola. Mas a motivação foi uma consequência da campanha mal veiculada no contexto de uma reforma do Prefeito Pereira Passos, que propunha embelezar o centro da cidade, jogando a população para as periferias, sem assistência e/ou condição de sobrevivência.

Revolta da Chibata - ocorrida em 1910. Este foi um movimento de marinheiros, liderado por João Cândido (“ Almirante Negro” ), que se posicionou contra os castigos físicos, usuais na corporação; o uso da chibata, inclusive, teoricamente já havia sido abolido pelo novo regime – República. Em repúdio a essa atitude arbitrária os marinheiros tomaram vários navios e ameaçaram bombardear a cidade.
Para se ter uma idéia da crueldade desse castigo, uma semana após a posse do Marechal Hermes da Fonseca (na Presidência), um marinheiro foi castigado com 250 chibatadas e mesmo depois de desmaiado, continuou apanhando, segundo noticiado nos jornais da época, diante de toda a tripulação do Encouraçado Minas Gerais.
Vale lembrar que apesar de ter “vencido” as eleições para Rui Barbosa, o Marechal Hermes não foi bem aceito pela sociedade, que expressou seu descontentamento, além de denunciar fraudes e violação de urnas no processo eleitoral, em bairros onde não obteve expressividade de votos.
João Cândido, por indicação dos demais líderes, assumiu o comando do Minas Gerais e diante de toda a esquadra revoltada, conseguiu controlar a revolta e parar as mortes, e ainda enviou mensagens reinvidicando que parassem os castigos na Marinha de Guerra brasileira. No dia 27 de novembro daquele ano houve um acordo entre as partes, com o compromisso de cessarem os castigos e de os amotinados não serem expulsos da corporação. Porém, no dia 28 o governo promulga um decreto de expulsão daqueles que “representavam perigo”, desrespeitando a lei de anistia aprovada pelo Senado da República , e publicada no Diário Oficial de 26 de novembro de 1910.
Depois houve outro levante entre os Fuzileiros Navais ligados à marinha, que não tinha ligação com a revolta da Chibata, reprimido através de implacável bombardeio por parte do governo. Com isso, o Marechal Hermes obteve do Senado a aprovação do estado de sítio (lei marcial) e, apesar de João Cândido ter ordenado um tiro de canhão sobre os amotinados para provar sua lealdade ao governo (atitude que considero questionável...), foi expulso da Marinha junto com mais dois mil homens. Depois foi preso e enviado à masmorra na Ilha da Cobras. Em 1911 foi transferido para o Hospital dos Alienados, voltando depois à Ilha das Cobras, de onde foi solto e absolvido em 1912; entretanto, foi banido da Marinha, vivendo com grandes dificuldades.
Em 1930 foi novamente preso e acusado de subversão... Foi perseguido pela Marinha até o final da sua vida, morrendo pobre e esquecido em 1969, de câncer. (continua...).

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