Da mais alta janela da minha casa, com um lenço branco, digo adeus aos meus versos que partem para a humanidade. E não estou alegre nem triste; este é o destino dos versos [...]. Quem sabe quem os lerá? Quem sabe a que mãos irão? Fernando Pessoa.

Obs. usando a autonomia que a licença poética e a própria cultura brasileira me permitem, não adoto linearmente essa segunda outorga (arbitrária) da língua portuguesa.


segunda-feira, maio 23, 2011

Vertigem (guacira maciel)

O frio era dilacerante
e meu corpo latejava tempestuoso

deitei-me de bruços sobre a areia quente

e absorvi o seu calor

precisava sentir dentro de mim

aquela quentura

a me escaldar até a alma

e precisava segurá-la

assim

permaneci quieta

respiração suspensa

o coração me invadiu

e virei apenas pulsação

havia me tornado meu eu interior

e tudo se tornou intimo

quente
pessoal

com uma calma sensação de infinito

estava desoladamente só

era eu a minha própria vertigem

à minha frente

pontos difusos se dissolviam

em ondas de calor

circundadas por uma aura

exalada pela água do mar

salgada.

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