Da mais alta janela da minha casa, com um lenço branco, digo adeus aos meus versos que partem para a humanidade. E não estou alegre nem triste; este é o destino dos versos [...]. Quem sabe quem os lerá? Quem sabe a que mãos irão? Fernando Pessoa.

Obs. usando a autonomia que a licença poética e a própria cultura brasileira me permitem, não adoto linearmente essa segunda outorga (arbitrária) da língua portuguesa.


terça-feira, maio 31, 2011

Aquece-te ... (guacira maciel)


Não te apresses ...
não dilaceres
o eterno
nas garras fugazes
da paixão...
na voluptuosidade
não cabe a impaciência
aquece-te...
arde na gradual excitação
que antecede
o amor no ato
fundamental antes
amar
um estado de coragem...
colhe a rubra flor dos sentidos
na surpresa do toque
revelado em Vênus
mas tarde-se o fato...

sábado, maio 28, 2011

Alquimia... (guacira maciel)



E entregam-se
céus e terra
na grandeza das águas
à cópula infinita
acolhendo a energia
que destila o sol
na cavalgada infinita
sob a suave luz da lua
Eva esvai-se
combinada ao elixir
da imortalidade
liquefazendo-se ouro
correm pelas veias do dragão
refinados
os três tesouros
na eterna alquimia
energia
vida
e alma

sexta-feira, maio 27, 2011

Direitos Humanos; trajetória no Brasil. (um recorte pedagógico - guacira maciel)

A trajetória da afirmação dos direitos humanos no Brasil se traduz em um percurso difícil e doloroso, que, inclusive, mistura-se à própria formação da nossa identidade como povo (formação étnica) e país (“território social, político, cultural, e geograficamente delimitado”), que também não é um processo fácil, mas profundamente marcado pela violência, desde os tempos da escravidão, que não é mais, nem menos, que a injustiça cometida pelas elites contra os mais pobres, situação presente em todos os períodos históricos.
Aqui acho pertinente fazer algumas considerações sobre porque estou usando os termos povo e país e não, nação...
“Nação, do latim natio, de natus (nascido), é a reunião de pessoas, geralmente do mesmo grupo étnico, falando o mesmo idioma e tendo os mesmos costumes, formando assim, um povo, cujos elementos componentes trazem consigo as mesmas características étnicas e se mantêm unidos pelos hábitos, tradições, religião, língua e consciência nacional".
Em se tratando de Brasil, há que ser considerada a sua natureza especialíssima. Não encontro a nós, brasileiros, nesse conceito clássico, porque ele deixa de considerar a imensa diversidade que somos...Não somos formados, necessariamente, pelo mesmo grupo étnico (até porque, se formos considerar a classificação sociológica de “nação”, segundo a nossa mais forte matriz ancestral, africana, seria ela muito diversa); não temos os mesmos costumes e não nos unimos pelos mesmos hábitos, tradições, religião, ou até consciência nacional. Quanto ao idioma, amplamente, falamos o Português, mas influenciados por inúmeros outros idiomas que estão impergnados nas culturas regionais, de acordo com os povos que, em momentos da nossa história, imigraram para cá e que, mesmo sendo seus descendentes brasileiros, alguns vivem inseridos na sua cultura de origem. E assim, acabamos, praticamente, por falar dialetos, tratando-se da questão léxica; os nordestinos, por exemplo, têm um universo vocabular que não é entendido no Sul, Centro Oeste; estes, por sua vez, têm experiências similares em relação a outras regiões, e assim por diante.
Isto posto, vamos dar continuidade à nossa reflexão. Por outro lado, também é uma marca nossa a rebeldia e as lutas contra as injustiças, a segregação, o preconceito, o que também termina por ajudar que tenhamos escrito na nossa história páginas de grande beleza.
Ser livre é um direito fundamental do homem e dele decorrem outros, como: direito a educar-se; não sofrer injustiças; não sofrer discriminação; ter trabalho, saúde, moradia, todas elas, condições que vão convergir para uma vida digna.
Os direitos humanos se constituem a condição primeira de todos os seres humanos, independente da nacionalidade, origem étnica, credo, gênero, opção política, opção sexual, condição física, intelectual, psicológica, ou classe social. Entretanto, o discurso de democracia neste país é frágil, porque assentado sobre bases que cerceiam, ainda, as liberdades daqueles que entendem não ser primordial uma opção político partidária, ou mesmo de militar por qualquer situação, de forma específica. Existe um pensar que não, necessariamente, precisa submeter-se à égide de qualquer militância: o livre pensar...Entendo que isso é o que nos capacita, nos dá autonomia para viver, pois a militância encerra a condição de autonomia, tão fundamental à vida, uma vez que fazer uma unica opção, em alguns momentos também nos fecha a possibilidade de percorrer outros caminhos...
Voltemos, pois... Após a II Guerra Mundial, a aprovação (em 1948) da Declaração Universal dos Direitos Humanos, na Assembléia Geral da ONU, veio ampliar a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, aprovada pela Assembléia Nacional da França, em 1789. E embora o mundo tenha mudado profundamente a partir dessa época, o princípio fundamental da vida, ainda é a luta pelos direitos e o repúdio à opressão. Mas nenhum desses direitos foi respeitado e reconhecido sem luta, sem organização, sem consciência. Vejamos algumas das lutas que culminaram em mudanças profundas e positivas para a sociedade brasileira...(continua em próxima postagem).

terça-feira, maio 24, 2011

Negro Olimpo... (guacira maciel)


Ontem
exorcizei todas as dores
do abandono e desamor
nos braços de um deus negro
ao som dos atabaques e tambores
entre as cores do Olodum
eu dancei lá no Pelô...
absorvi cheiros ganhei ibá
expulsei o banzo o pranto
num vórtice encantado
exorcizei o desencanto...
ontem
pelas mãos do mestre-sala
por um xamã
sagrei-me deusa
saí do mau olhar
e do quebranto da senzala...
ontem
só foram risos ...
ontem
no Pelô não houve pranto...
ontem
nesse encantar
e embriaguez do desencanto
eu fui feliz
eu dancei lá no Pelô...


segunda-feira, maio 23, 2011

Meia lua (guacira maciel)


Quase já se foi o plenilúnio...
a lua
quase a meio do minguante
parada no meio do céu
em meio a nuvens
estrelas
astros
me olha de soslaio
encantada no meio do
meu quarto...
ela meio que me pisca
a meio cílio o seu olhar
e meio sonolenta e prata
me dá meio sorriso
à meia luz do seu estar
sensual
por entre meio véu...
e em meio quarto de luar
me diz à meia voz
repousa em meio a teus lençóis...
já lá se vai a meio a noite
dorme
já quase é meia noite e meia...

Vertigem (guacira maciel)

O frio era dilacerante
e meu corpo latejava tempestuoso

deitei-me de bruços sobre a areia quente

e absorvi o seu calor

precisava sentir dentro de mim

aquela quentura

a me escaldar até a alma

e precisava segurá-la

assim

permaneci quieta

respiração suspensa

o coração me invadiu

e virei apenas pulsação

havia me tornado meu eu interior

e tudo se tornou intimo

quente
pessoal

com uma calma sensação de infinito

estava desoladamente só

era eu a minha própria vertigem

à minha frente

pontos difusos se dissolviam

em ondas de calor

circundadas por uma aura

exalada pela água do mar

salgada.

domingo, maio 22, 2011

Assim falou também Sherazade...( guacira maciel - Prólogo do romance, em fase de finalização)


Uma história real, contada pela própria protagonista; eu não poderia relatar sentimentos e dores tão profundas.
Todos conhecem o conjunto de contos conhecidos como Histórias das Mil e Uma Noites, cujo registro mais antigo se localiza entre a segunda metade do século VII e a primeira do século VIII/IX d C; sobre essa versão que chega até nós, pairam dúvidas quanto à veracidade das informações contidas nos registros conhecidos. Mas que ainda hoje alimenta a fantasia e o egoísmo de muitos homens, sem dúvida alguma!

“Volto aqui para recontar a minha história num contexto bastante contemporâneo, mas não menos real que o anterior; uma história de amor e muito sofrimento, uma vez que esse “sultão”, além de autonomia pessoal e personalidade equilibrada, também não tinha nenhum equilíbrio emocional, e muito menos um reino, nem a ingenuidade daqueloutro, embora, como ele, tenha dito que também passou pela experiência da infidelidade, e eu, a sua mais recente presa - era como me sentia - , precisasse encantá-lo todos os dias, como ele mesmo exigia com incontestável falta de sensibilidade, e arrogância.
Uma história que não é nada leve e carrega em seu âmago alguns paradoxos interessantes, mesmo sendo tão dolorosa. Embora seja uma história real, é também uma ficção, tão duvidosa quanto a que nos chegou através dos famosos Contos acima mencionados, porque plena de uma surrealidade inacreditável e inadmissível no mundo atual, em que as mulheres conseguiram tantas conquistas fundamentais à sua liberdade de expressão e de estar na vida. À medida que vou recordando os fatos, também vou percebendo e me questionando, como pude, como consegui me anular a esse ponto. Outro desses paradoxos é o fato de que, apesar de perceber esse estado de torpor em que me encerrei por dez anos dessa preciosa vida, também sinto que ele me proporciona, passado tanto tempo – como um efeito retardado - uma tremenda lucidez para analisar e refletir sobre os acontecimentos, o que vem me fortalecendo cada vez mais”.

sexta-feira, maio 20, 2011

Envolvimento com a Arte..(fragmento do meu livro: "A Importância da Arte na Aprendizagem). Para comprar, acesse www.clubedeautores.com.br

Embora, a priori, não seja possível determinar causas para o nosso envolvimento com a arte, me pergunto o que explicaria a necessidade da busca por vivenciar uma experiência artística em nossa vida. Me pergunto se refletimos acerca de reações diante de realidades que não são as nossas, e que nos são trazidas por essas experiências; por que nos divertimos (se o fazemos) com as questões da vida dos outros, através da arte (cinema, teatro, dança, literatura...)? se a análise for feita pensando-se em usar essa vivência como uma válvula de escape, por entendermos ser a nossa própria vida sem graça, pobre em emoções e experiências interessantes, em comparação com aquelas cheias de emoções e experiências que não implicam em riscos, a pergunta muda de foco. Então, a nossa própria vida não nos satisfaz? em sendo assim, sentimos necessidade de completá-la com possibilidades irreais? seria a busca da completude que nos faz falta? será que o fato de ter que fazer a opção por uma dimensão individual traz essa insatisfação, permanecendo a sensação de ausência? será que precisamos ser mais que apenas o ‘eu’ pelo qual optamos? haveria angústia na solidão desse ‘eu’? nos sentiríamos aprisionados e limitados a essa escolha, e buscamos ampliá-la através de uma espécie de alteridade? haveria um sentimento inconsciente de que a Arte poderia socializar nosso ‘eu’, oferecendo-lhe uma existência coletiva?
Neste caso, qual seria, verdadeiramente, a natureza do homem? imagino que não temos a necessária compreensão da amplitude dessa natureza. Talvez isso explique por que buscamos na arte a possibilidade de um homem coletivo e menos solitário. Essa busca poderia admitir que o homem se sente parte da totalidade (homem coletivo) que a humanidade representa, pela possibilidade de ser um com esse todo, ou o homem completo, remetendo-nos à visão algo mitológica da busca da totalidade perdida, da sua outra metade? seria esta, também, função da arte? em sendo assim, seria ela uma oportunidade de libertação de uma vida que o subjuga e submete, podendo transformar-se numa espécie de redenção do observador, pela representação dessa realidade?
Voltamos, então, à questão fundamental de que existe forte envolvimento da razão no trabalho do artista, como forma, inclusive, de controlar a realidade e não, de um fenômeno delirante de pura imaginação. Entendo que a arte tem, além da função de busca e exposição do eu pela representação, uma função libertadora; ao se identificar com uma realidade fictícia o sujeito consegue se libertar da sua própria através dela, uma liberação, como se os laços do ‘eu’ único se afrouxassem (ver reflexão sobre o trabalho do Aleijadinho mais adiante - no livro...).
Sendo o receptor o destinatário de uma mensagem contida em qualquer texto, será ele quem dará o sentido à mensagem (produtor de sentido), como entendo que faça sentido o que me proponho aqui; ainda que possa essa relação (receptor-produtor) ser entendida como fragmentada, não percebo como considerar uma possibilidade de autonomia nessa relação.
Por trás dessa relação (receptor-produtor de sentidos) subjazem, alem da subjetividade, elementos sócio culturais que o sujeito (receptor) vivencia, porque ele está engajado nesse contexto de multiculturalidade, de diferenças e convergências culturais, tanto em suas raízes, como em relação ao seu objeto, com uma lógica e uma filosofia a elas inerentes, e não como um elemento isolado, marginal. Aqui poderia citar vários exemplos de autores: a poética de Neruda inclui a “crise democrática do Chile”; Shakespeare retrata em sua obra as questões sociais e os dilemas de sua época, desde a discriminação em relação ao artista; Fernando Pessoa nos oferece como “resposta e estímulo à abulia e estagnação do Portugal seu contemporâneo, o fulgor de uma chama pretérita", em “Mensagem”; a própria “Pasárgada”, de Manuel Bandeira...
Quando o receptor elabora um sentido para a mensagem que recebe, ele é, apenas, um dos representados, porque pleno de outros sujeitos dos contextos, social, cultural, familiar, com os quais se relaciona, e que também interferem nessa construção de forma subliminar. Esta não é uma relação isolada em dois; ela traz em si uma infinidade de outros sentidos, mesmo que não explicitados naquele momento, e ainda com a possibilidade de representar outros ‘eus’ pessoais, no âmbito das ausências presentes, que escapolem da opção primordial por uma única identidade, inevidentes até para ele mesmo naquele momento. Isso se constitui um fenômeno.

sábado, maio 14, 2011

Agonia (guacira maciel).


Criar é como gestar; como parir... às vezes são horas em agonia, na ambiguidade... Gestar, como criar, é ruminar e expor uma imensa interrogação e assim, encontro-me só. Não se gesta, como não se cria, com os outros; esse é um estar solitário. Essa é uma agonia íntima. E assim, encontro-me só. Inquieta, angustiada, sufocada; em vias de implodir os meus limites.
Estou tão prenhe, que esse chega a ser um estar físico. Doe-me o peito, a cabeça, as pernas, os braços e a coluna; mas, principalmente, doe-me a alma. Sou inteira um imenso ventre distendido, reluzente, pesado, atingido por dores imprecisas, difusas, mas profundas; já quase incapaz de suportar o que contém.
É muito difícil falar daquela menina, que teimosamente ainda sobrevive aos sofrimentos causados pelas perdas, pelos sonhos que acabaram nada; pelos abandonos, solidão, pelo que não aconteceu... como se não fosse eu mesma. Engraçado... por alguma razão acabo de lembrar daquele enorme jipe sobre o qual o motorista do ônibus das 6:45 falou: uma carroceria grande e pesada, arrastada por um motor 1.6 de potência. Eu sou o contrário: um motor 4.4 numa carroceria de fusca...
E volto àquela menina perdida, absorta, pensando que não há nada mais bonito que as grossas raízes de uma árvore secular, ou uma árvore não tão velha, mas com iguais raízes, plantadas no jardim de certa casa de varanda alta da sua adolescência...

sexta-feira, maio 06, 2011

Bueiros....(do Rio de Janeiro)

Obs. Esta crônica foi escrita como exercício para um curso de Literatura (na casa da Leitura - Rio de Janeiro), sobre a linguagem das ruas.

Essas bocas grafite que se estendem como tapetes, ameaçadores à passagem dos pedestres, pelas ruas do Rio, passaram a ser um mistério e uma ameaça para mim em sua revolta inumana.
Saio de casa tranquilamente, com intenção de ignorá-los, fingindo que posso conviver com sua presença e que nada representam, a não ser, mesmo, diferentes formas de pavimentação, por uma simples questão técnica trazida pelo progresso e inevitável ao nosso conforto.
Busco observar com naturalidade os belos prédios do bairro de Laranjeiras no meu percurso, cujo antigo paradigma da engenharia civil dotou de características robustas que me induzem a sentir uma imóvel e plástica segurança. Para me cercar da necessária paz, procuro com o olhar a verde placidez dos seus jardins e a delicada beleza do seu antigo traçado; nas atitudes das pessoas ao meu redor, alguma cumplicidade que me assegure fazer os necessários percursos sem essa inquietude que me assalta tão logo e inesperadamente esbarro com aquela muda presença.
Olham-me com uma espécie de desdém se lhes piso acidental, embora tão delicadamente quanto possível, com a ponta dos pés, aos saltos, tentando não ser notada. Naquele exato momento sinto o coração palpitar, pela simples possibilidade de que resolvam manifestar sua indignação, mas não percebo nenhum sinal de que isso tenha ocorrido...
Agora livre, volto a observar o traçado dos diminutos jardins daqueles belos prédios, e uma sensação de alívio invade meu peito, pela certeza de ter escapado, daquela vez...
Embora se configure uma vingança para mim a tentativa de pisar-lhes a altiva e traiçoeira presença, temo-os.
_ Por que me ameaçam? Por que sua fria e lúgubre presença sempre me dá a sensação de perigo iminente?
_ Não tenho esta resposta; estou no meu lugar... cumpro o meu papel em relação à vida desta cidade.
_ Concordo...mas por que expõe a sua náusea em rubras labaredas que ferem as pessoas que nela vivem, e por quem crê ter alguma responsabilidade? Não lhe parece crueldade?
_ Não é assim que percebo; cada um representa suas fragilidades da forma que lhe é possível. Como poderia me fazer ouvir, tem uma sugestão?
_ No seu caso, infelizmente, não. Ou melhor... não poderia entrar em pane, parar de funcionar como fazem os corações humanos quando sentem suas artérias obstruídas, castigadas, sem que lhes ouçamos os queixumes anteriores?
_ Isso funcionaria no meu caso?
_ Se entende sua orgulhosa presença e funcionalidade tão fundamentais à vida desta cidade, sim...
_ Mas o descaso dos seres humanos por aquilo que não lhes afeta pessoal e materialmente de forma imediata, me confunde.
_ Ah!...apesar da arrogância, não sabe a fundamental importância da sua própria existência; onde foi parar sua noção de identidade.?..Isso é auto estima baixa! Risos... Entretanto, vou lhe dar uma preciosa dica: estamos no inverno e, particularmente neste mês de agosto, com temperaturas tão baixas...acha que as pessoas gostariam de tomar banho frio?
_ Bem...talvez o que diz faça sentido. A partir deste raciocínio, sim...vou pensar em outra possibilidade de demonstrar a minha indignação pela precária manutenção e o descaso pela situação de funcionamento, sempre emergencial, em que se encontram as artérias que correm subterrâneas neste complexo organismo, que se configura esta cidade ...
_ Que bom; então, a partir de agora poderei caminhar mais tranquila, sem temer seu comportamento explosivo atrás de cada esquina?
_ Peraí...eu ainda me encontro em péssima situação de saúde...nada posso lhe prometer, enquanto as necessárias ações preventivas não forem desencadeadas...é muito tempo sem ser atendido, sem ser entendido o meu importante papel e o processo de desgaste desse complexo organismo que represento. Até porque, a minha existência resulta do seu tão buscado progresso, que traz profundas consequências para a vida de todos, se não encarado com a devida responsabilidade e compromisso...
_ Hummm... já sei...já sei... sem lição de moral, hein? Não tripudia...
_ rsss...você me provocou...