Da mais alta janela da minha casa, com um lenço branco, digo adeus aos meus versos que partem para a humanidade. E não estou alegre nem triste; este é o destino dos versos [...]. Quem sabe quem os lerá? Quem sabe a que mãos irão? Fernando Pessoa.

Obs. usando a autonomia que a licença poética e a própria cultura brasileira me permitem, não adoto linearmente essa segunda outorga (arbitrária) da língua portuguesa.


quarta-feira, abril 20, 2011

Qual é a nossa história, afinal (cont.) Homenagem a Tiradentes?

Filho de proprietário rural português, Tiradentes foi transformado em herói pelos líderes do movimento ideológico republicano. Mais um mito fabricado para dar respostas a questões que não tinham suas raízes na realidade brasileira, e inserido na nossa história de forma impositiva, sendo cultuado e homenageado por um povo que não teve e nem tem ainda acesso à sua verdadeira história, a história brasileira.
Como não havia outro personagem que, aparentemente, tivesse se destacado naquele contexto, o primeiro que foi identificado a fazer críticas sobre a espoliação do Brasil foi ele.
A coroa ordenara que Joaquim Silvério dos Reis (o “traidor”) seguisse Joaquim José da Silva Xavier (Tiradentes), que fazia parte do movimento de insatisfação em relação à “derrama”. Então, segundo pesquisas, para ter uma dívida perdoada, Silvério apontou Tiradentes como líder do movimento contra a coroa, embora à época este se encontrasse no Rio de Janeiro (capital da colônia), portanto, ausente de Minas Gerais. Após tentar, em vão, fugir daquela cilada, ele foi obrigado a assumir a autoria dos planos de revolta, sendo enforcado como exemplo para os demais.
Os insurgentes, e não inconfidentes, queriam, apenas, a independência regional. A luta restringia-se ao contexto de Minas Gerais, e nem se havia pensado em termos de Brasil, configurando-se esta, a supervalorização de um pequeno movimento insurrecional, regional.
Na minha compreensão e de grande contingente de brasileiros que lidam com educação, com cultura, e com a identidade desse povo, precisamos pensar em criar um novo calendário histórico, baseado na nossa verdadeira história, em fatos verdadeiros. Mas, para que isso seja possível, primeiro, precisamos contar essa história.
Até quando as escolas ensinarão às nossas crianças fatos inverídicos, ou meias verdades? Esses são brasileiros que continuarão sendo enganados até que cheguem a uma idade em que começarão a se fazer perguntas, e a fazerem as próprias descobertas. É como negar a um filho a sua verdadeira paternidade, e anos mais tarde ele venha a descobrir que tudo o que construiu e pensava fazer parte da sua identidade era uma mentira. Também é injusto que tantas pessoas dediquem suas vidas a estudos, com objetivo de evidenciar a nossa verdadeira identidade, desafiando o poder dominante, ora na ficção através de personagens, ora em estudos e pesquisas sobre fatos não revelados, mostrando os “heróis de nossa gente”, a exemplo de João Ubaldo Ribeiro, em “Viva o Povo Brasileiro” e Antonio Torres, “Meu Querido Canibal”, em que buscam desconstruir fatos – e personagens – tidos como verídicos. Esses autores, entre muitos outros, buscam dar a conhecer os pequenos heróis que subjazem no limbo da historiografia brasileira, desenvolvendo uma espécie de “anti história” que, de certa forma, vem desterritorializando as estruturas político sociais, que têm interesse em continuar contando a história do ponto de vista do vencedor.

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