Da mais alta janela da minha casa, com um lenço branco, digo adeus aos meus versos que partem para a humanidade. E não estou alegre nem triste; este é o destino dos versos [...]. Quem sabe quem os lerá? Quem sabe a que mãos irão? Fernando Pessoa.

Obs. usando a autonomia que a licença poética e a própria cultura brasileira me permitem, não adoto linearmente essa segunda outorga (arbitrária) da língua portuguesa.


terça-feira, abril 26, 2011

La Lhéngua Mirandesa (farei aqui uma exceção...)

Cesse an nuôssa tiêrra
la lhéngua fidalga pertuesa
i deia lhugar a la nuôssa, mirandesa.
Eilha, nuôba cumo yê
relhuza bien, de nuite cumo de die
essoutra tan biêlha de l anton
deixe lhugar a la nuôssa
oh, mas que grande eimoçon
mai, tu que me tubiste
drento de ti, guardado tantos anhos
i you cun tantas ganas de salir
deixa que sustrique bien tous cluôstros
i que mius uôssos se arrigéssen siêmpre más i más
para que naide m'angulha de nuôbo
bendita sós, ó mai
porque an tou ser me fortaleci.
.............................
Este fragmento de poema está escrito em mirandes, uma língua estranha para alguns. Ele é parte de um livro de textos sobre a literatura oral mirandesa. Os textos do livro foram recolhidos em várias aldeias da região do Douro, entre moradores que, em geral, estão na faixa etária compreendida entre 50 e 80 anos.
A língua mirandesa é falada por comunidades nativas do Planalto Mirandês, que fazem parte do povo português, partilhando sua história e falando também a língua portuguesa. Pertence ao grupo das línguas cuja origem se encontra nos romances peninsulares, formados a partir do latim vulgar (da mesma época do galego-português). É uma língua utilizada fundamentalmente para transmissão oral da cultura, e estima-se que seja falada por uma população entre 10 e 15 mil pessoas. Foi estudada e escrita pela primeira vez po Leite de Vasconcelos, no final do século XIX.

 

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