Da mais alta janela da minha casa, com um lenço branco, digo adeus aos meus versos que partem para a humanidade. E não estou alegre nem triste; este é o destino dos versos [...]. Quem sabe quem os lerá? Quem sabe a que mãos irão? Fernando Pessoa.

Obs. usando a autonomia que a licença poética e a própria cultura brasileira me permitem, não adoto linearmente essa segunda outorga (arbitrária) da língua portuguesa.


sexta-feira, abril 15, 2011

Introspecção... (guacira maciel)


Sou eu quem em mim mesma habita
sou quem arde em abissais limites
quem transita em meus mistérios mergulhada...
sou quem me planta rega e colhe
sou quem por desígnio ou desdita
sob a superfície trilha labirintos...
sou quem perdida e sem certezas
busca e se agarra à cálida orvalhada
sou o som e a escuta das pegadas na pálida luz da madrugada...
sou quem iça velas como asas frágeis de cristal
e de porto em porto paira entre os adeuses
em busca da tepidez nômade da esperança...
mas sou quem me convence e surpreende
a mim me reinventa e acende...
sou quem espanta o tédio das sombras sobre março
quem como a lagarta lenta voraz silenciosa
leva à pique aquele amor vencido...
sou quem se envolve nas dobras frias do cetim
ardendo lentamente em fogo brando...
quem me vela à pálida tez da lua
pelo acalanto da noite embalada
em frio e solitário abrigo
à espreita da próxima alvorada...

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