Da mais alta janela da minha casa, com um lenço branco, digo adeus aos meus versos que partem para a humanidade. E não estou alegre nem triste; este é o destino dos versos [...]. Quem sabe quem os lerá? Quem sabe a que mãos irão? Fernando Pessoa.

Obs. usando a autonomia que a licença poética e a própria cultura brasileira me permitem, não adoto linearmente essa segunda outorga (arbitrária) da língua portuguesa.


sexta-feira, abril 30, 2010

Perplexidade (guaciram maciel)

Sábado, fui andando com minha filha ao supermercado do Rio Vermelho, bairro onde moramos. Foi uma difícil decisão, porque o acesso à nossa rua é feito por uma ladeira de tirar o fôlego – na subida, é claro - porque na descida a gente só falta desembestar quebrando a cara lá embaixo e ainda dizem que pra descer todo santo ajuda...isso lá é ajuda de santo??
Pois é, entramos, compramos primeiro o que estávamos precisando e depois o que não estávamos, como por exemplo, um produto para o cabelo dela; aí, ficamos paradas em frente às prateleiras abarrotadas de produtos mágicos, que faziam as mais mirabolantes e mentirosas promessas. Decidimo-nos por um deles, e finalizamos nossa incursão pelo paraíso cosmético.
Quando, finalmente, chegamos ao caixa, minha filha disse:
__mãe, depois vamos ao caixa eletrônico tirar o dinheiro que você me deve, porque eu quero comprar um cartão para o meu celular.
__Pegue meu cartão do banco e vá lá, enquanto eu pago aqui, respondi.
__Ta bom. Antes, voltou-se para o rapaz do caixa:
__você tem cartão Vivo?
O rapaz olhou-nos de forma incompreensível; tendo no olhar uma interrogação, perguntou perplexo:
__ de quanto é a recarga?
__ De dez (reais), respondeu minha filha.
__Digite o número do celular, por favor.
__ Onde?
__ Aí, na maquininha...
__? Ta bom. Ela obedeceu.
__ Pronto! Disse ele.
__ Quer dizer que a recarga já está registrada no celular? Perguntou ela.
Eu, em total ignorância, permaneci muda.
__ Já! Disse ele, não entendendo nossa surpresa.
__ Você quer dizer, que a recarga foi direto dessa maquininha para o celular? Insisti.
Rindo com simpatia e um pouco de benevolência pela minha evidente ignorância, disse:
__ A senhora não sabia que isso já é possível?
__Nãããoo!...é fan-tás-ti-co!! Meu Deus...é legal, mesmo... Vou escrever uma crônica sobre isso. A-do-reei!! Como é simples, não dá trabalho...eu nem imaginava algo assim, tão simples e tão incrível...
__ É, sim, senhora. Não precisa raspar nada, disse ele.
__ É...Caramba!!... Bem, até logo e obrigada por me tirar da ignorância.
__ De nada, disponha, senhora. Até logo.
E aqui estou eu, ainda perplexa com o avanço da tecnologia, e escrevendo à mão, sobre todo esse progresso. Pode? ?

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