Da mais alta janela da minha casa, com um lenço branco, digo adeus aos meus versos que partem para a humanidade. E não estou alegre nem triste; este é o destino dos versos [...]. Quem sabe quem os lerá? Quem sabe a que mãos irão? Fernando Pessoa.

Obs. usando a autonomia que a licença poética e a própria cultura brasileira me permitem, não adoto linearmente essa segunda outorga (arbitrária) da língua portuguesa.


quarta-feira, março 03, 2010

Ubiquidade (guacira maciel)


Não há melodia sem matizes
assim
obrigo-me a aceitar
a minha própria ubiquidade...
não sou sombra
não sou luz
há nesse não limite
um universo pessoal úbere
não percebido
subjetivo
límbico...
a minha própria morada
é transitória
onde eu mesma moro morro
e reacendo...
diluo-me
reencontro-me
e fujo para anular tormentos e delírios...
as palavras tintas
são corroidas pelas traças do tempo
e permaneço no compasso undívago...
então
não tenho morada
sou estrangeira em mim...
a minha alma permanece onipresente
caminhante ausente das vagas
numa complexidade indefinida
mas inexorável e definitiva...

3 comentários:

Naty Araújo disse...

Que lindo, Guacira...
Suas palavras sempre me surpreendem.
Parabéns!

Beijos.
Desculpe minha ausência... estive com alguns problemas no pc, ok?
E vc também deu uma sumida... espero que esteja tudo certo contigo.

Guacira Maciel disse...

Olá, querida!!
obrigada; você sempre sensível e profunda em sua percepção...

Verdade; sumimos ambas (risos).
Estive viajando a serviço (da Educação).
Beijo,
Guacira.

Guacira Maciel disse...
Este comentário foi removido pelo autor.