Da mais alta janela da minha casa, com um lenço branco, digo adeus aos meus versos que partem para a humanidade. E não estou alegre nem triste; este é o destino dos versos [...]. Quem sabe quem os lerá? Quem sabe a que mãos irão? Fernando Pessoa.

Obs. usando a autonomia que a licença poética e a própria cultura brasileira me permitem, não adoto linearmente essa segunda outorga (arbitrária) da língua portuguesa.


quinta-feira, dezembro 03, 2009

Sem âncoras... (guacira maciel)

Batido ao vento
barcos à deriva
sem âncoras
entremeados
da solenidade dos verdes dos musgos
agarrados aos cascos
como crustáceos à pedra
já não tem sentido o cais
ventos pagãos
roçam a tua tez
e saboreio nela a brisa escorrida
com cheiro de maresia
misturado ao teu arfar cansado
aceso
o hálito doce
impede-me o sono
atormentada anseio
por te ter na boca
à madrugada
pelas janelas escancaradas
como sinto teus poros,
lavradas em cristal,
penetram-me borbulhas de mar
antegozando o favo
e meus pés entrelaçados aos teus
cansados
mornos
divindade
casto
louco
pousas
mergulhas
danças
avaporas-te

2 comentários:

O Sibarita disse...

Ai meu Deus do céu! kkk A moça, tá que tá... tem coisa melhor? tem não, né fia? Hummm... kkkk

Uma poema porreta cheio de desejos e entregas, oi que bom! kkkkkkkk

Dona menina Guacira, é isso, o amor há de prevalecer sempre, ainda, que seja em sonhos, sei, não é o caso, ô maravilha!

Eparrei Iansã!

bjs
O Sibarita

Guacira Maciel disse...

Menino...tem coisa melhor, não...

Mas o amor pode ser só sonho, nada!...tem que ser assim: forte, VIVO!!

Eparrei Iansã!

Beijo e obrigada.