Da mais alta janela da minha casa, com um lenço branco, digo adeus aos meus versos que partem para a humanidade. E não estou alegre nem triste; este é o destino dos versos [...]. Quem sabe quem os lerá? Quem sabe a que mãos irão? Fernando Pessoa.

Obs. usando a autonomia que a licença poética e a própria cultura brasileira me permitem, não adoto linearmente essa segunda outorga (arbitrária) da língua portuguesa.


segunda-feira, dezembro 28, 2009

A quatro mãos (II) (guacira maciel)

Eu fui o porto
que abrigou
o desconforto pelas investidas
contra as frágeis velas enfunadas
por ventos infestos
na tormenta das grandes marés...
eu fui a enseada fértil e esmeralda
que acolheu na mornidade
a cópula de águas complementares
tornadas insalubres
o teu desejo em brasa...
eu fui abrigo
do impudor do teu amor
de inocência quase púbere
fui incentivo para as tuas asas coloridas
experimentadas sem perícia
em vôos de grandes altitudes
destroçadas pela incompreensão...
mas à calidez do regaço da pequena ecologia
ao abrigo silencioso da preamar na madrugada
às rendas brincalhonas feitas pela luz do sol
nas superfícies cristalinas
preferiste a solidão
bronze do alto mar
as investidas superficiais e inférteis
do fausto e do brilho do navio pirata
cujo casco é arremessado contra a aridez das ondas sólidas do nada afinal
que no entardecer
errante
sobrevive da nostalgia
da frieza do assalto fortuito
buscando na frágil linha do horizonte
uma promessa ilusória...

4 comentários:

O Sibarita disse...

Ai meu Deus do céu! kkk Ô moça, ao tudo ao nada, foi um aprendizado, pense...

Ei, ano novo, um horizonte imenso na janela do seu olhar e no céu uma lua companheira desce de paraquedas para lhe dizer que não há quedas e sim levantamentos para uma luz maior, perceba...

Sua poesia muito da porreta, muito 10! Ai está o seu coração escrevendo, ditando...

Bom desejo-lhe e aos seus UM ANO NOVO CHEIO DE ESPERANÇA, FÉ, BONDADE, CARIDADE, CONSQUISTAS E PERDÃO!

Obrigado pelas sempre palavras bondosas no Sibarita, adoro!

Agora, escancare aquele seu sorriso, vamos lá fia, vão pipocar os fogos: três, dois, um uff, Ano Novo, a bordo! kkkkkkkkkk

bjs
O Sibarita

Guacira Maciel disse...

Obrigada,
esse é o mal...o coração...

Beijo.

Naty disse...

Muito lindo esse poema.
Coisas maravilhosas, palavras sonhadoras, mas um tanto real rs.

Esta foi uma das partes que mais gostei:
"fui adubo para as tuas asas coloridas
experimentadas com perícia
em vôos de grandes altitudes
destroçadas pela incompreensão"
Dá um ar assim.. que vc se esforçou por algo que não valeu à pena.
Que todo seu esforço foi destruído por algo que fizeram.
Nossa... ficou lindo mesmo.

Parabéns.

Guacira Maciel disse...

Pois é, Naty...
boa percepção, nascida, sem dúvida, na sensibilidade. Foi um sonho num paraiso real demais.
Obrigada, Guacira.