Da mais alta janela da minha casa, com um lenço branco, digo adeus aos meus versos que partem para a humanidade. E não estou alegre nem triste; este é o destino dos versos [...]. Quem sabe quem os lerá? Quem sabe a que mãos irão? Fernando Pessoa.

Obs. usando a autonomia que a licença poética e a própria cultura brasileira me permitem, não adoto linearmente essa segunda outorga (arbitrária) da língua portuguesa.


domingo, junho 21, 2009

Mas afinal, quem somos nós? (guacira maciel)



Se tivesse esta resposta (e como gostaria...), acho que teria todas as outras, porque ela é a grande pergunta; a pergunta fundamental e também a resposta fundamental. A nossa grande questão é não criar mais nada na natureza entendendo-se que ela é única: humana ou qualquer outra...está tudo criado e terminado; perfeito! A nós, cabe agora, usar o seu centro, a ‘caixa preta’ da criação, que é o cérebro, onde tudo está registrado, e pensar; este é o grande saque! Tudo é possível se soubermos compreender isso. Todos os grandes homens, cientistas, pensadores, mas principalmente os filósofos entenderam essa questão e nos deixaram a gênese da compreensão ampla, a possibilidade. Na verdade, nos foi legado como herança um grande e mágico puzzle a ser montado peça por peça; um verdadeiro enigma a ser desvendado. Os caminhos serão muitos e cada um encontrará o seu; as possibilidades, infinitas; mas só uma resposta final, a partir da qual teremos as subsequentes.
Não tenho o conhecimento específico necessário para elaborar uma hipótese, conformando-me em usar a minha sensibilidade e possibilidade de subjetivar para procurar respostas, uma vez que penso, que me conduzam a um caminho que possa suavizar minhas angústias.


Entretanto, tomo como referência o que o cientista Sir Fred Hoyle, antes de mim (risos), já concluiu: que a vida não poderia ter sido (acontecido) em conseqüência de uma atividade aleatória, ainda que todo o Universo tivesse sua composição “de massa pre-biótica” (não pude entender muito isso aí), mas cheguei à mesma conclusão por outros caminhos. Portanto, ao que pude entender, aquela hipótese matemática de 1em1.050 é considerada pelos próprios cientistas como impossível, uma vez que em termos de tempo, do Big Bang, se considerarmos sua ocorrência como tendo sido a mais de 15 milhões de anos, passaram-se, 1.018 no tempo total, e o úmero total de átomos do Universo ser de, apenas, 1.010 (essas medidas têm um registro que não foi possível aqui).
Outra improbabilidade, pelo que pude entender, refere-se àquela teoria da possibilidade de vida pela formação de uma “sopa pré-biótica” composta pelos aminoácidos, porque não existem evidências disto nas referências geológicas já pesquisadas. E mais, seria improvável também, que nessa sopa se formasse, apenas, um conjunto de proteínas, quanto mais o que seria preciso delas para suprir toda a vida, entre outras necessidades. Quanto ao processo aleatório ou acidental de formação da vida, seriam necessários mais alguns milhões de anos para que ocorresse e temos a informação de que a terra tem, só, 4,6 milhões de anos, e a vida, menos tempo. Além disso, a criação espontânea é muito caótica para criar algo tão perfeito como a VIDA.
A essas teorias, as quais pude entender, juntam-se outras ainda mais complicadas, como uma baseada na Lei da Termodinâmica, etc., etc. A minha compreensão disso tudo, que alguns considerarão até simplista, é que, mentalmente, somos criaturas e criadores, à imagem semelhança do Criador, porque Ele nos legou como herança essa condição. No entanto, ainda não saímos do estágio de amadores; ainda não entendemos isso, não sabemos usar esse potencial para criar, porque não conseguimos ultrapassar nossos próprios limites (como a velha mariposa que não consegue ultrapassar o círculo de luz que lhe restringe o vôo); talvez por medo, não saibamos soltar nossas amarras, que são verdadeiros grilhões; âncoras que nos imobilizam. Até agora, a única possibilidade de criar, de se soltar, que o homem já utiliza com alguma familiaridade, inclusive na tentativa de criar uma realidade própria, é partindo da subjetividade, aquela que realiza através da arte. Mas que fenômeno é esse? Como alguns seguem esse processo e outros não? Quais seriam os caminhos? Isso é pouco se considerarmos o número reduzido de pessoas que o fazem, dentro de um universo tão grande, ainda que considerados privilegiados ou "loucos".
Posso entender que só aos poucos, gradativamente, à medida que avançamos nossas buscas, vamos também entrando em contato com esse potencial de dimensões inimagináveis, que é a nossa mente; creio que o caminho deva ser esse. Até porque ainda não temos o acesso liberado, talvez por ser entendido que não suportaríamos ter nas mãos essa formidável máquina de uma só vez (para mim, a teoria quântica seria uma possibilidade...). Não saberíamos o que fazer com ela, ou faríamos muita besteira, sei lá... Somos frágeis e houve necessidade que tudo ocorresse dessa forma para que esse conhecimento fosse absorvido e processado como uma digestão. Na verdade, somos a representação ou a síntese de cada processo interno nosso, mesmo... Mas, ainda assim, me parece, temos medo de nós, do que somos ( desse ser desconhecido), algo parecido com aquela situação em que sabemos da existência, mais adiante, de algo que não reconhecemos, com que não sabemos lidar, e fechamos os olhos como crianças, como se não vendo anulássemos um perigo iminente. Encontro-me num momento de profunda perplexidade com o que estou conhecendo, e isso não é nada; eu não sei nada! Antes tinha numa das mãos um saco de interrogações e na outra um mundo de respostas, o que poderia trazer conforto; hoje, tenho uma galáxia de interrogações e nas duas mãos nenhuma resposta.
Quem somos nós? Ta todo mundo procurando esse sujeito!