Da mais alta janela da minha casa, com um lenço branco, digo adeus aos meus versos que partem para a humanidade. E não estou alegre nem triste; este é o destino dos versos [...]. Quem sabe quem os lerá? Quem sabe a que mãos irão? Fernando Pessoa.

Obs. usando a autonomia que a licença poética e a própria cultura brasileira me permitem, não adoto linearmente essa segunda outorga (arbitrária) da língua portuguesa.


quinta-feira, fevereiro 26, 2009

seria Judas, um traidor? (guacira maciel)

Existiu um plano divino para Judas Iscariotes, a exemplo de Salomão e outros? Teria sido ele o grande traidor ou um instrumento? Estaria aprisionado nesse plano sem possibilidade de escolha?
Essas são dúvidas que vêm ocupando a minha cabeça desde muito tempo... agora elas se avolumaram, em função do acirramento das discussões sobre o comportamento desse discípulo de Cristo, por causa da publicação do seu evangelho, dito apócrifo. Entretanto, as dúvidas são inúmeras e gostaria de fazer aqui algumas reflexões; aliás, tudo neste assunto são dúvidas, são especulações; por essa razão, aqui não serão encontradas respostas ou certezas... Trata-se, tão somente, das minhas indagações.
Penso, por exemplo, no quanto o cumprimento do que anunciara durante a ceia teria sido importante para Jesus Cristo, a ponto de: Primeiro ter tido a confiança de pedir a alguém que tanto amou que fizesse uma doação dessa monta; sim, porque perante parte da humanidade em todos os tempos, Judas sempre será olhado como um traidor; traidor do filho de Deus! Isso não é pouca coisa, não! Também poderia ser que, como é referido na literatura, esse tivesse sido, efetivamente, o discípulo mais amado (a ponto de causar certos desconfortos aos outros), uma vez que não se pede grandes sacrifícios a alguém em quem não tenhamos enorme confiança e certeza da reciprocidade no amor que lhe dedicamos... Segundo, conhecer profundamente o grau de humildade dessa pessoa, pois era sabido que a seita gnóstica à qual pertencia Judas tinha como fundamento a aniquilação, a morte do eu, proposta disseminada, também, em outros continentes e que referendava o que o próprio Mestre pregava; o evangelho de Judas compunha documentos comprobatórios desse pensamento. Em sendo assim, me questiono sobre essa relação, no mínimo, curiosa, mas que considero muito coerente, considerando-se que Jesus dedicava um amor especial a Judas e sabia-se correspondido, além do conhecimento de que seu discípulo pertencia a essa seita. Não existe, no entanto, muita clareza entre tudo isso e o pedido que Judas afirma ter sido feito por Jesus - apesar de ele ter tido a lealdade de avisar que o discípulo seria execrado pelos homens por todo o sempre - o de entregar-se ao sacrifício de “trair” o Mestre, vendendo-o, para que a história se cumprisse. Em não sendo assim, como isso se faria? Haveria alternativa para que o Filho de Deus pudesse finalizar a sua estada na terra como um homem comum?
Outra grande dúvida que me incomoda: poderia Judas, ter dito 'não' a Jesus, ainda que o amasse muito, fosse por medo das conseqüências advindas desse ato de amor e exercício de humildade (mesmo que os homens não o creiam) ou por, apenas, medo do desconhecido, comum a todos nós, ainda que pertencendo à referida seita? Ou, exatamente o medo o fez aceitar o pedido, que, segundo consta em seu evangelho, Jesus lhe fizera? E mais, teria Jesus feito um pedido, ou determinado que assim seria, para que a história se cumprisse? Neste caso, a predestinação existe? Teríamos, todos nós, homens comuns, o livre arbítrio e os predestinados não, ou ninguém o tem, verdadeiramente?
Se há predestinação, qual teria sido o mérito (ou demérito) de Judas perante o Pai, para ser o escolhido como o caminho através do qual Jesus nos ensinaria? Não teria sido realmente, amor, um imenso amor do Pai para com ele? Mas não entendendo assim, poderia Judas, ter dito 'não', mudando tudo, toda a trajetória do cristianismo, e outro seria escolhido por Deus? Nesse caso, existiriam níveis de predestinação? Ou cumpre-se o que Mateus 26, 1-5 e 14-16; Lucas 22, 3; Marcos 14, 1-2 e 10-11; João 6,70 e 12, 4-6 e 13, 21-30 dizem em seus Evangelhos?
Teria Judas sido avisado sobre qual seria o curso da história, e tivera, por um momento - o da “traição”- sido privado da consciência, do sentido de realidade? Segundo os evangelistas Lucas e João, ele fora possuído pelo demônio naqueles momentos... ou, como já referido em documentos, teria “traído” o Mestre por ver ruírem seus planos de glória e ambição de riqueza junto a Cristo, gerando ressentimentos, por este ter feito morrerem os seus sonhos ao renunciar ao seu reinado “temporal”? Mas alguém cuja proposta de vida seria a humildade a ponto de desistir do seu próprio 'eu', venderia um amigo tão amado, e por tão pouco? Se Judas fosse, realmente, tão ambicioso, teria seguido uma pessoa cuja vida de pobreza, como a de Jesus, não era desconhecida por ninguém?
Consta que Jesus entregou a Judas a administração das finanças do grupo; teria sido por confiança ou, como é referido, por sabê-lo um ladrão e querer recuperá-lo? Na primeira hipótese, como se explicaria, então, uma mudança tão radical: de amigo fiel - a quem queria recuperar - a “traidor”? Na segunda, teria, a meu ver, implícito no olhar de Jesus um pré-julgamento e conseqüente condenação, além de uma cilada maldosa, para justificar a posterior “traição”; e esse não é o Jesus que conheço!... Mas não seria essa imagem que se queria fabricar sobre Judas, para que depois, a ganância fosse utilizada como o motivo da "traição"? Entretanto, na hora da entrega, com um beijo, Jesus pareceu surpreso... ver Mateus 26, 50 e Lucas 22, 48.
Bem... as dúvidas não param por aqui, mas precisamos nos manter num caminho, pois se nos prolongássemos, apenas, em especulações, poderíamos sair do foco das reflexões que aqui proponho.
Mesmo que o evangelho de Judas fosse parte de documentos comprobatórios desse pensamento, ele, principalmente, punha em cheque princípios cristãos e seu próprio ato de “traição”, visto que a pedido de Jesus, aceitara fazer o grande sacrifício como exercício de humildade e mortificação, e mais, poderia ser visto como um mártir!! Isso não interessaria à manutenção da imagem que a humanidade tem dele, para assegurar dogmas que o catolicismo pretende manter...
Bem... trago, agora, uma outra questão muito complicada, que envolveria alguns desses dogmas: a justiça. Sabendo-se que Judas 'tem' o que dizer em seu Evangelho sobre essa questão, não seria justo ouvi-lo? Os olhares não deveriam se ampliar, uma vez que vivemos tempos de revisões e novos olhares são postos sobre a Vida, o Universo, a Ciência, em que até a todo poderosa academia, tem olhares menos ortodoxos sobre suas questões, aceitando novos posicionamentos que ampliam e aprofundam o conhecimento construído, através da aceitação da existência de outras possibilidades que, aliás, a própria ciência nos ensina?
Bem, prega-se a justiça, a misericórdia, a compaixão, a solidariedade, entre ouros nobres sentimentos, como novos paradigmas para o mundo contemporâneo; dessa forma, porque o olhar unilateral e duro sobre a existência do Evangelho de Judas? Sobre sua existência já não há dúvida, vez que o próprio Santo Irineu, teólogo e primeiro Bispo de Lyon, em seu texto “Contra as Heresias”, no ano 180, teria dito que “os hereges dizem possuir mais Evangelhos do que aqueles que realmente existem” e que o Evangelho de Judas seria uma ficção que a seita dos Cainitas havia escrito, acreditando que ele teria conhecimentos que poderiam abalar “céus e terra”.
Na verdade, tanto os Cainitas, como os Marcionitas eram seitas gnósticas independentes, sendo que esta última tinha seus princípios fundamentados no Evangelho de Judas, na mesma raiz fundante estavam também os Iscariotis, exterminados pela “Santa” Inquisição. Sabe-se que o Evangelho de Judas faz revelações surpreendentes, inclusive, dizem os pesquisadores, que para ele não pareceu mais importante a morte e ressurreição, mas a necessidade de que Jesus se livrasse do corpo humano que adquirira para vir à terra; teoria que parece coerente, uma vez que seu Evangelho pára abruptamente na entrega de Jesus, como se a partir daí a história já não envolvesse alguma responsabilidade de sua parte e devesse recomeçar em outras bases e que ele, Judas, teria dado seu contributo de forma humilde e profunda.
E mais, segundo documentos lidos, tanto Judas quanto Pedro tinham um olhar muito 'humano' sobre Jesus e sua própria missão junto a este; consta que Pedro era um homem colérico, presunçoso, auto-suficiente e fraco, tendo sentido muito medo de sofrer ao declarar-se amigo e companheiro de Jesus em sua jornada, e tendo ficado “vulnerável”, justificativa encontrada para a sua “negação”, visto que se afastara de Jesus (talvez até movido por esse receio...) e deixando de se fortalecer, agindo irrefletidamente e relutante a crer na morte de Jesus... Entretanto, penso em como Judas continuou seu lento caminhar junto ao Mestre... haveria tanta premeditação quanto à intenção de trair? uma vez que, quando foi escolhido para seguir a Jesus, mesmo que seu coração tivesse as ambições normais de todo ser humano, sabia que o Mestre era pobre! Teria sido movido por tanta maldade?
Ainda assim, consta que Pedro foi perdoado, e quanto a Judas? Ninguém se refere a essa possibilidade, mesmo que seja dito que se arrependeu... por que? Isso viria a amenizar perante a humanidade a figura do “traidor” que interessa ser divulgada por religiões? Para assegurar o quê? A quem? Teria o anti-semitismo, alguma coisa a ver com esse olhar sobre Judas, um judeu, extensivo a todo um povo, mesmo sabendo-se que Jesus foi morto e profundamente humilhado pelos romanos e crucificado numa cruz romana?

terça-feira, fevereiro 24, 2009

Voltando ao "Elogio da loucura..." (guacira maciel)

Neste momento gostaria de começar, fazendo não exatamente uma defesa, mas a exposição de uma constatação – não conseguiria calar-me – acerca do bom senso feminino, tomando como referência o amor do Rei Salomão e a Rainha de Sabá e o que diz o famoso e polêmico filósofo holandês Erasmo de Rotterdam, em seu Elogio da Loucura, sobre a mulher: assim falou a irreverente personagem (a loucura): “Tendo o homem nascido para o manejo e administração dos negócios, era justo aumentar sua pequeníssima dose de razão, mas querendo Júpiter prevenir melhor esse inconveniente achou de me consultar a respeito, como, aliás, costuma fazer quanto ao resto. Dei-lhe uma opinião verdadeiramente digna de mim – Senhor, disse-lhe eu: dê uma mulher ao homem, porque embora seja a mulher um animal inepto e estúpido, não deixa, contudo, de ser mais alegre e suave, e, vivendo familiarmente com o homem, saberá temperar com sua loucura o humor áspero e triste do mesmo”.
Vejamos apenas dois pontos fundamentais na nossa argumentação, para evidenciar a configuração dessa trama, dessa urdidura; disse a loucura: “tendo o homem nascido para o manejo e administração dos negócios...” Ora, o que observamos na história dos nossos famosos reis foi exatamente o oposto; uma absoluta demonstração de inaptidão masculina para administração dos negócios, visto que ele, conhecido por sua sabedoria, naufragou fragorosamente o destino do reino sob sua responsabilidade, por não ter tido equilíbrio ao lidar com a perda da mulher amada. Uma coisa seria sofrer por essa perda e outra colocar em perigo a segurança do reino e do seu povo, até porque essa foi, segundo consta, uma herança advinda de uma promessa do Criador a seu pai. O outro ponto revelou a mais absoluta contradição sobre o que foi dito sobre a mulher: “embora seja a mulher um animal inepto e estúpido...” Mas vimos que a rainha deu um inegável exemplo de equilíbrio, quando tão sabiamente soube trabalhar a perda do seu amor, aliada ao fato de estar a esperar dele um filho, e mais, voltando à governança do seu reino, por avaliar com muita lucidez a importância dos seus deveres de soberana para com o seu destino e o destino do seu povo. Logo...
Continuando, gostaria de pedir um pouco – não seria justo pedir total - de imparcialidade em relação às questões religiosas para que pensássemos juntos sobre o universo implícito na dimensão humana de Salomão, mesmo que ele não soubesse disso. Teria ele, sido um homem de fé convicta, ainda que já tenha nascido sem possibilidade de escolher a vida que gostaria de ter? Teria tido a condição de refletir ou possibilidade de autonomia para mudar o imutável? Sabemos que fora prometido a Davi, seu pai, a governança daqueles reinos, por ele e seus descendentes. Quais sentimentos, verdadeiramente, o teriam movido a pedir apenas conhecimento e sabedoria, quando lhe fora oferecida a possibilidade de pedir tudo o que quisesse? Ou não teria sido assim, e uma profecia teria que ser cumprida, para que a história chegasse ao desfecho previsto? Teria sua humanidade sido pilhada por um sentimento incontrolável como o amor, apesar de toda disposição de cumprir seu destino junto a seu povo e a promessa feita ao Senhor?
Essas seriam só perguntas iniciais para desencadear nosso diálogo e incitar a análise, porque precisarei usar uma metodologia que me mantenha, o mais possível, com os pés no chão para não me perder, visto ser esse um assunto tão rico e polêmico.
Nossos reis tiveram contra si mesmos (ou a favor), nessas circunstâncias: Em ralação a ele, perceber vaidoso (afinal era humano)a grande admiração, o encantamento que causara a uma mulher tão sensível, jovem e bela, o que envaidece sempre os homens, além de, falando-se de forma bastante contemporânea, ver a possibilidade de testar o mito da superioridade masculina, ainda que naquela época não se tivesse acesso a esse conhecimento da forma como o temos hoje, mas o tivesse Salomão, implícito na sua condição de humanidade.
Quanto a ela, colocando-me em seu lugar como mulher, e tão jovem, consideraria um privilégio essa oportunidade, e mais, constatar que estava havendo reciprocidade nessa atitude. Ele estava encantando-se com ela, mesmo sendo tão inexperiente e sequiosa de saber. Quer dizer: seu herói estava considerando sua existência, porque, convenhamos viajar naquela época, com tanta pompa e circunstância, só mesmo por uma motivação muito grande.
Aqui me reporto ao êxtase de Louis Lane, ao constatar que o Super-homem ao menos lhe dedica um olhar, percebendo que ela existe, ainda que não o soubesse como mulher. Quanto mais ser carregada em seus braços até o infinito. Querida leitora tenha a idade que tiver - isso hoje já não tem importância (as coisas boas da modernidade) - ponha-se nesse exato lugar: os braços do Super-homem e reflita sobre o que sente.
Bem, saiamos do espaço infinito e voltemos a nossa análise. Temos ainda que considerar todo o clima de intimidade estabelecido entre nossos soberanos, porque era um convívio diário e a sós quase todo o tempo. No recolhimento da sua condição de servo, deveria ele orar agradecendo ao Senhor pela oportunidade de realizar Sua obra. Mas sua humanidade deveria estar gritando o quanto era bom estar tão próximo e constatar a admiração de uma mulher jovem e bela como aquela.
Ela, por seu turno, deveria encontrar-se em permanente estado de êxtase ao perceber que um homem tão famoso por sua sabedoria e conhecimentos, com quem teria ido aprender, estivesse lhe dedicando tanta atenção...
Finalizando, quero crer que, na dimensão desse ser individual, muitas vezes entregue ao próprio desamparo e sensibilidade enquanto homem, seria muito difícil identificar algum perigo ou possibilidade de sofrimento em algo tão bom, num sentimento tão gostoso de ser sentido e, ao mesmo tempo, tão sem sentido, sem nexo.
Quem poderá dizer que Salomão, sendo um instrumento de Deus, jamais poderia se ter deixado levar por um sentimento tão pouco espiritual, ou tão carnal? Qual ser humano, de forma ampla, poderá dizer que jamais seria surpreendido por um sentimento tão incontrolável, porque indetectável aos tentáculos da razão, como o amor?
Talvez jamais tenha de vocês essas respostas, porém eu, pessoalmente, tenho cá a minha tese (e se não perceberam, venho sendo tendenciosa desde o começo).
Classificaria este, o que é minha proposta em ralação aos outros sentimentos que permeiam o amor, como sendo um amor especificamente de renúncia. A mais dolorosa de todas elas. Renunciar a um amor é profundamente doído e cruel.
Porém, reflitamos, para que isso serviu, terá valido a pena? Não haveria uma possibilidade de ser diferente? Qual o saldo positivo desse ato? Salomão, principalmente, se destruiu com ele. Seria ainda possível a seu povo, olhá-lo como exemplo, no estado de degradação em que se recolheu ao mundo dos vícios, da licenciosidade, da adoração de deuses pagãos?
Perceberam a consistente trama, a fortíssima urdidura sobre a qual essa história repousa, seja ela verdadeira ou não? É possível, com a maior clareza, detectar-se a grande variedade de fios usados na sua composição; fios que se entrelaçam, não importando a origem ou época, formando uma base argumentativa sólida sobre a qual se assentará o texto; o tecido, como resultado.
Ainda que sua origem não seja nosso objeto de análise - ambos se confundem – e percebendo-se que a própria dúvida faz parte da sua urdidura. De qualquer forma, seja qual for o ângulo analisado, chegaríamos a uma trama ainda mais intrincada e mais rica, com vários ângulos a serem observados, tornando-se, para usar uma linguagem e uma visão de mundo bastante atual, um verdadeiro hipertexto, o que nos leva a constatar uma realidade irreversível, que é a impossibilidade de tratar-se qualquer conhecimento, qualquer dimensão humana de forma unilateral, porque as relações se vão estabelecendo naturalmente, tirando-nos das mãos a condição de continuar a fragmentá-la, senão vejamos: seria essa uma história verossímil? E qual seria essa verdade? Se a contássemos sob o ponto de vista bíblico, supondo-se que fosse esse o nosso objetivo, como já me referi, chegaríamos à historicidade do próprio Continente Africano, que fala da fundação do reino da Etiópia, pelo filho do casal em questão, que, por sua vez, teria recebido do pai as Tábuas da Lei; e aí voltamos outra vez à história bíblica. Por outro lado, se começássemos pela historicidade africana, tratando da existência dos grandes impérios, sua organização política e sócio-econômica, as formas culturais de escravidão praticada, etc., retornaríamos, inevitavelmente, às referências bíblicas, porque a fundação do imponente império etíope nos traria de volta ao filho do discutido romance entre Salomão e a rainha de Sabá. Ainda bem que não é essa a nossa missão e sim, analisar a imensa teia, enquanto construção, que essa história de amor – seja bíblica ou puramente histórica – representa, assim como a grande variedade de fios que compõem sua urdidura, a base que sustenta texto final.
Quanto a Salomão, ser um sábio de nada lhe valeu. Sua sabedoria não o instrumentalizou, não o capacitou a lidar com sua mais humana dimensão: a do amor, transversalizado por outro sentimento (outro fio) tão intrínseco à natureza humana e tão difícil de ser sublimado, porque arrebatador como ventos fortes, como tempestade: a paixão, o encantar-se. E mais, os homens não sabiam àquela época, nem aprenderam ainda, a renunciar, apesar de ser quase consenso no mundo contemporâneo que eles são mais racionais, porque teriam mais neurônios e os usariam melhor, o que após nossa análise ficou evidente não ser verdadeiro.
Concordam que tudo isso não passa de um grande mito?
E eu adoro os homens...Que jeito?